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A mostrar mensagens de 2011

Por causa do frio...

Fora de portas, a noite fria do Natal não convidou a saídas, nem para cumprir a tradição de ficar à conversa em redor do “cepo”, no largo da escola. Possivelmente, o frio, arrefeceu a vontade da “malta” e ninguém teve apetite para carregar "combustível" suficiente; houve “cepo”, sim, mas ardeu num ápice… Culpa-se, ainda, o frio pela ausência dos nossos conterrâneos ausentes. Os que vieram, ficaram em bom recato, junto às lareiras – mal se deixaram ver, nem à hora da bica, depois do almoço, logo ontem, que foi domingo…

Plátanos: é pena que não “falem”…

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Terei os meus motivos para gostar do Outono, embora os desconheça. Talvez as folhas caducas exerçam sobre a minha sensibilidade algum efeito estético – de outro modo, como poderei explicar a minha atracção pelas folhas amarelecidas? Se o chão está atapetado com exemplares do tamanho da palma da minha mão, ou maiores, gosto de os pisar sem pressas, atento à surpresa de um encontro com o mais bonito. Difícil é a escolha - são todos agradáveis à vista! Os passeios solitários sobre as folhas dos plátanos descansam-me o pensamento das coisas menos agradáveis; agora, preocupo-me com o futuro da aldeia onde nasci. Ainda que reconheça que a minha freguesia estagnou por razões que me dispenso de esmiuçar, tenho alguma dificuldade em aceitar as regras que, segundo o “Documento Verde”, lhe vão retirar o seu estatuto autárquico. Estou junto à ponte que atravessa o rio Alva. Do lado de lá, começa outra freguesia, de onde nos separámos há oitenta e oito anos. A minha aldeia, desde 1888, ano da inau…

Fernando Pessoa -"árbitro"

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Depois da assembleia da sexta feira passada, em que o povo votou a favor da integração do Barril de Alva na freguesia de Coja, devo assumir-me como "filho adoptivo" desta vila? Sendo barrilense (pela nascença), arganilense, português e  "moçambicano", começa a ser difícil o enquadramento do (meu) amor - a não ser que a mente cumpra à letra a frase de Fernando Pessoa: "A minha Pátria é a língua Portuguesa"... Se calhar, é um exagero "chamar" Fernando Pessoa para arbitrar a minha consciência, mas é a solução que me parece mais  sincera ( digo eu, de mim para mim...).

Outono

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O "estádio" do Artur

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Passei  pelo sítio onde imaginei esta croniqueta, publicada no "Correio da Beira Serra" em 13 de Maio de 2009. Agora,  sem as balizas, o "estádio" é um extenso milheiral. 







Aninhado no sopé do monte, o rectângulo não deve ultrapassar os cinquenta metros quadrados. Em cada canto, uma estaca delimita o espaço. E há duas estruturas de madeira erguidas ao alto, a “fazerem” de balizas, porque é de um “estádio” que se trata, na imaginação do pequeno Artur, quatro anos de gente… Nota-se que o “ervado” merece cuidados técnicos, mas não há marcações, e o “penálti”, se o houver, é para cobrar mais ou menos a meia dúzia de passos da imaginária linha de baliza. Certamente, o Artur, o primo João, bastante mais crescido (vai nas treze primaveras), e o Paulo, pai do Artur, não se importam mesmo nada com as “faltas”; árbitro também não deve haver, por isso, vamos ao jogo! A bola está à espera – já lá estava, szinha e “triste”, quando a descobrimos no “estádio vazio”, meia escondida pel…

De "volta à minha terra"

A nostalgia tem nome: Moçambique!
Foi naquele país, decorado por deuses de múltiplas facetas estéticas, que me descobri como homem; aí cresci e quase completava determinado cíclo da minha existência quando valores mais altos se levantaram e retornei à "minha" serra e à casa onde nasci, longe do Atlântico.
Na falta de ondas e marés e sem correntes de feição, recorro à ciência para estar mais perto das razões da saudade. Os sons chegam do outro lado do mundo...
Ao serão tive companhia de elevado grau e qualidade - do locutor de serviço ao homem da técnica, de Villaret a Manuel Alegre, de Pedro Abrunhosa à "ELisa Gomara Saia", interpretado, o tema, por voz genuína, sem trejeitos...
- Um clique e "chego a casa", penso!
 Marco um número no telefone e espero dois, três segundos:
 - Bom dia, fala da Rádio Moçambique......
...Eram quatro da madrugada na "minha terra"!

Mais "moinhos de vento" e nem mais uma mini-hídrica

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Pelo anterior Governo foi autorizada a implementação e concessão de uma mini-hídrica no rio Alva, entre Côja e Secarias, com uma potência instalada de 2 Megawatts A obra é "irmã gémea" da que existe em Avô, à revelia da vontade da maioria do povo. Conhecidos os malefícios ambientais, agora, como antes, é altura de cada um de nós manifestar o seu repúdio:
- " BASTA, não, não quero que continuem a assassinar o nosso rio"!
Estão "na moda" os "novos moinhos de vento" que se vêm recortados no horizonte. Dom Quixote, se fosse vivo - e Miguel de Cervantes também! - era bem capaz de os "guerrear", ou talvez não... se soubesse que apenas UM destes moinhos produz, no mínimo, igual potência à da mini-hídrica que querem construir no rio Alva, a seguir a Côja! Venham mais "moinhos", isso sim, e deixe-se o rio no sossego dos seus segredos milenares, a caminho do Mondego, que também está sujeito a crimes semelhantes - ele e o Ceira!

Confessionário

Pensando bem, o melhor é assumir desde já a minha aversão à violência – seja ela física ou verbal.
Da primeira quero distância, e da segunda  às vezes aproximo-me - aguento-a com tento na língua e  vou à luta quando o opositor justifica que esgrima argumentos. No confessionário admito as minhas fraquezas e a ignorância do desconhecido; apenas sei  “ ler e escrever”, e a inteligência não me presenteou com a erudição dos predestinados.
O carácter, esse desejo-o firme quando vacilo, não importa quando, onde e porquê – sendo humano, caio e levanto-me as vezes que forem precisas. Obviamente, recuso-me a existir de joelhos no limbo da minha consciência, que morrerá  inteira se para tanto o juízo não me atraiçoar um dia destes … Aprecio o belo de cada coisa e olho o horizonte com a atenção que é devida ao Universo. Mais perto, à distância dos sentidos, a sensibilidade de que sou capaz permite a paixão do amor - de todo o amor! Assim sendo, insisto na denúncia da minha teimosia: gosto, por que …

"Memórias" de Gabriel Garcia Márquez

Reli "Memórias das minhas putas tristes", de Gabriel Garcia Márquez, colombiano, prémio Nobel da Literatura em 1982 com a obra "Cem Anos de Solidão". Diz o autor, sobre o avanço da idade no homem maduro, que "...as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e continuamos a ver-nos de dentro como sempre tínhamos sido, mas os outros vêem-nos por fora...". Quem olha de "fora para dentro", de facto nem sempre se apercebe que o "interior" não é, necessariamente, o reflexo do "exterior"... ___________

Escuteiros do Agrupamento 71 nas "terras do Alva"

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Escuteiros do Agrupamento 71 da Parede estiveram  nas "Terras do Alva" durante quatro dias. Uma pequena mostra fotográfica  do acontecimento pode ser vista aqui: http://freguesiabarril.blogspot.com/

Possivelmente...

Recuperei um texto  publicado  em 4 de Outubro de 2006, possivelmente escrito numa noite de insónias (ou não!).
Desse tempo guardo a nostalgia do "Ritual", onde  a música e a poesia com facilidade se confundiam com as palavras de uma  saudável discussão de ideias. E havia  quadros pintados por artistas talentosos, peças de artesanato de mundos distantes, flores, e um canário no hall de entrada (...). ....Também trocava bebidas, "princesinhas", tostas mistas e outros aconchegos por  meia dúzia de euros... ...

É tarde nesta madrugada que tem quase horas de sol.
Medito sobre as conclusões que vêm em catadupa.
Frágil, o espírito parece que dói.
O corpo gasta-se pelo peso das luas cheias, sempre redondas.
A minha fortuna é tempestade do que sou em constante desalinho.
Entre o pouco e o nada, fico sonhador do que não fui capaz, teimoso e irreverente, submisso às vezes – apaixonado, sempre!
Penhoro a palavra que fica entre a honra e a safadeza, numa tentativa de adivinhação d…

Urtigal

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A meio da tarde de ontem, quarta feira, 31 de Agosto, o rio  no Urtigal corria calmo e havia nuvens no céu...


Hegel

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…Portanto, Hegel tem razão:  "o belo é coisa espiritual..."  - cada um entende a beleza segundo os contornos da sua sensibilidade…”.

Férias II

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Durante as férias, se a sensibilidade "estiver de feição",  é possível (re)descobrir recantos encantadores  no Barril de Alva  - basta olhar com os olhos da alma!

 Um "doce" para quem localizar o clique do Nokia...

Férias

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Apesar do tempo incerto, o fim de semana foi animado no meu sítio, com imensa gente a confraternizar até às tantas da noite no Largo do Chiado. A esplanada que o João Gouveia instalou no outro lado da rua, proporciona aos clientes do café “Vira Milho” a possibilidade de juntar os amigos em alegre cavaqueira, enquanto as crianças, em total segurança, se divertem no insuflável que diariamente têm à disposição. Fora de portas continuam as festas de verão, e é por aí que os mais afoitos se “gastam” até acordar a madrugada; alguns dos meus, no uso do direito que lhes assiste, chegaram a casa passava das quatro deste domingo. Ao almoço éramos treze à mesa e as conversas não tiveram conto! Desfilar Memórias é um exercício que me agrada, sobretudo quando partilhadas pelos intervenientes, que sempre juntam pormenores às estórias, tornando-as numa delícia de ementa, com sítios, pessoas e situações como pratos principais, risos e algum gargalhar à sobremesa. Hoje, o almoço foi servido com recorda…

Confraria das minis - já!

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Croniquetadanoiteemqueobenficaempatou


Há matéria para várias croniquetas e muitas estorinhas; a abundância baralha a imaginação, atrapalha as ideias, e por aí me fico quando a intenção de dar corpo a um texto com mediano interesse (na minha perspetiva, claro…) esbarra na incompetência de alinhavar as palavras. … Palavra, poucas – não me atreva eu a escrever uma “carta” em branco com denúncias, todas elas associadas à pobreza das festinhas que, nesta época, “animam” os dias/noites de Verão. O “meu querido mês de agosto” merece bem mais do que a cultura tradicional enraizada nos costumes: folclore e bailarico com intérpretes que “desconhecem quem é o pai..." dos sucessos que arranham nos acordes dos instrumentos – das vozes, nem se fala! Felizmente, há exceções que confirmam a regra.. Escrevo com conhecimento de causa. Agora, na “reforma” das grandes viagens, país fora, passeio a solidão do Toyota pelas redondezas e confiro, com pena, que nada mudou na  noite estival, onde incluo as “…

Estorinha de férias

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Um dos meus amigos, que está de férias em terras do Alva, fez-me chegar esta delícia de texto, garantindo que, à socapa,  quem o escreveu foi o filho. A imagem, essa surripiei-a  na net para ilustrar a estorinha de um menino triste...

As férias As férias são uma coisa muito bonita e boa, porque são férias, e as pessoas gostam das férias, eu também gosto das férias, este ano é que não gosto muito das minhas férias porque não me levaram à praia do mar, só vim à praia do rio e eu não gosto da praia do rio, que tem areias do tamanho das pedras, agora, nas férias, não faço nada, não há nada para fazer e eu até ando chateado com as férias, as pessoas que também estão de férias é que não estão chateadas nem nada, acendem as luzes todas das casas e das varandas e até parece que a aldeia das minhas férias, que é onde o meu pai nasceu, já não é uma aldeia, quer dizer, é uma aldeia mas com tantas luzes ligadas não parece uma aldeia pequenina, as pessoas que estão de férias e as outras vão tomar ca…

Sonhos do profeta com que me fiz

Guardo a recordação de largos minutos de conversa sem rumo certo, embora o motivo que nos levou à fala fosse de importância coletiva, de toda uma comunidade.

Sem soluções no imediato, limitei-me aos argumentos de ocasião e fui deixando a promessa do meu empenho em levar a bom porto as justas reivindicações das duas senhoras, uma de cabelos da cor da neve, a outra com eles meio grisalhos.


Com a atenção dividida pelas duas, nem dei conta do tempo passar. 

As conversas estavam servidas numa taça  Lalique, como as cerejas à sobremesa; foi por isso que a uma se seguiu outra, e outra, e outra! Desfrutei, pois, o momento que era único - será único, digo eu, porque faço de profeta quanto ao futuro…

Horas depois, agora, noite alta a entrar na madrugada, continuo com a agradável sensação de que, como a Samaritana, que Coimbra canta, ( “… que bem eu fiz, Senhor, em vir à fonte”) , também eu fiz bem em aceitar a conversa “…a las cinco de la tarde”, (apetece-me citar Garcia Lorca pela coincidência da…

"Ti" Henriques

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Lúcido e caminhante apressado no passo miúdo, o "ti" Henriques é uma das figuras do Barril de Alva com mais anos de estórias para contar, sobretudo do "nosso" rio Alva e do seu moinho, onde os grãos se transformavam em farinha. Se passa por mim, tem sempre uma palavra gentil e simpática para acrescentar ao cumprimento. Desta vez, antecipei-me no gesto da fala:
- "Ti" Henriques, como tem passado? Espere um bocadinho para  lhe tirar uma fotografia; a família, lá em Lisboa, vai gostar de o ver  sorridente, como sempre...
E ficámos à conversa mais uns minutos, ele a lamentar-se  que o chafariz do Casal do Meio quase não deita água, eu a garantir que "vamos resolver isso, "ti" . Henriques".
E lá foi ele, de cajado na mão, saco de serapilheira  ao ombro...

Bailarico de S. João

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Por razões que não são das minhas encomendas, o S. João, cá na terra, está a ser festejado este fim de semana e eu, que tenho na minha conta de arraiais uma porção deles, fui somar mais um, não pela saudade, antes pela curiosidade do registo das novidades – do grupo de baile aos foliões. Depois de um “medley” musical de quinze minutos (para mais, e não para menos!), que incluía os “sucessos” de verão (?) nas vozes de três meninas, (quase) certinhas na coreografia (dois passos para a direita, outros tantos para a esquerda…), entendi dar por findo o arraial, não sem antes ouvir o teclista anunciar que “…íamos ficar com o nosso amigo Fernando Correia Marques”; pausei a passada, porque conheço o Fernando desde o tempo do “Carlitos” e do “Burrito” – lembram-se? Afinal, do FCM nem sinal, rebate falso, do Fernando só a autoria da cantiga, que “não é do meu tempo”, nem de agora, a acreditar nas novidades que ouço de quando em vez na Rádio de Arganil. Apressei o passo e desci a rua… Sendo “noite…

Pintura

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Recanto

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O rio  Alva corre  a dois passos  do barril em granito, símbolo da Freguesia, que  "insiste" em alindar-se ...

"De modos que... "

Diz a Rosa: - O Gonçalo foi jogar futebol e  levou com  uma raquete de pingue-pongue nos lábios!!! Diz a Rita Nunes: - Então... são vinte e uma broa! A Rosa, claro, queria dizer que  o meu "sobrinho", enquanto jogava pingue-pongue durante o intervalo do jogo da bola, levou   uma pancada com a raquete. A Rita, na pastelaria, somou aos vinte "papo-secos" da encomenda, uma broa... A Manelinha  Sinde Filipe, durante o tempo em que esteve na Farmácia, em Coja, cuidou em guardar "pérolas" do nosso falar, rico de cambiantes como se sabe, e  tornou-as públicas   em  "Estórias que fazem a historia" - vale a pena ler! Quem tem material de sobra para  apresentar, é a Rosa, que anota(va) as graciosas liberdades de expressão dos clientes.. Um dia destes publico  mais dizeres apressados  (se a Rosa não o  fizer primeiro...), que fazem  sorrir, outros gargalhar, depois  de "apanhados" ...

Moinhos de vento

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Na "minha serra" há   novos moinhos de vento, quem sabe à espera de outro  Dom Quixote para os guerrear... Da  janela deito o olhar sobre o progresso no cocuruto do "Monte do Colcurinho", onde  não descubro a capelinha, lugar de culto de muitas  orações, mas vejo, nitidamente, os gigantes que "ameaçam tocar as nuvens". A paisagem, vista lá do alto, é soberba - o Piódão, do outro lado,  deita-se na encosta,  a serra a subir... a subir... e o vento, ai o vento.... como canta! Estou a muitos quilómetros do horizonte que  contemplo da minha janela - parece que é "mesmo ali"  o começo do mundo!

O "prédio" meio encoberto

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O segredo, segundo Gabriel Garcia Márquez

A senhora é de poucas falas, na verdade mal a conheço,  mas sempre que nos cruzamos sorri e toma a iniciativa  do cumprimento de ocasião.Há dias, fomos mais longe nas palavras de circunstância, à mesa do café, e a senhora perguntou como ia o meu coração - calmo e sossegado, disse, e se se referia ao "aviso" com que me abanou, faz agora quatro anos,  não ficaram sequelas; cuido-me o melhor que sei e posso,  vou indo... andando! Disse a senhora: como sempre o vi sorrir, ninguém diria que esteve com um "pé no outro lado"... Naturalmente, sorri. Nem sempre o sorriso é  sinal  despreocupado da melhor disposição, respondi. Cito Gabriel Garcia Márquez: "Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiveres triste, porque nunca se sabe quem se pode  apaixonar pelo teu sorriso". Com esta memória  de um dos meus escritores favoritos, regressei a casa. Depois, procurei na estante  palavras  do mesmo autor e encontrei  uma mão cheia de frases anotadas - escolhi a que me par…

Fim de tarde...

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(En)cantos do Barril de Alva
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As minhas roseiras estão pintalgadas de vermelho - bom dia!

O dia das “verdades”

Escrevo hoje por ser dia das mentiras, o que, só por si, é uma enorme mentira. Se este um de Abril de todos os anos fosse apenas o ÚNICO dia das mentiras, então sim, hoje seria o dia certo para o lembrar; como não é, ficamos na dúvida se devemos, ou não, instituir o dia das VERDADES. Diz-se que a mentira tem perna curta, o que é um tremendo erro: a mentira tem passada de gigante, salto de gazela, pulo de canguru, voo de condor e … mais não digo porque não sou do tempo dos dinossauros. Afiançam que uns voavam, outros corriam como galgos… Tenho uma certa predilecção pela mentirinha que não faz mal a ninguém, não chateia, mas detesto a mentira grossa, escrita em maiúsculas. Quando “dou de caras” com uma, travestida de verdade, fico fulo, danado! Mania minha, claro, porque as primaveras do B.I. são mais de sessenta, o que, só por si, é suficiente para  “ter juízo”… Li por aí, há tempos, que a mentira é uma espécie de ”capa de estudante” com que cobrimos a nossa existência, toda ela repleta de…

Exercício sobre dois búzios (de Sophia de Mello Breyner)

Um acaso devolveu-me à leitura de “Contos Exemplares”, de Sophia de Mello Breyner. O livro, que descobri numa arca no sótão, editado em 1971, tem as folhas amarelecidas pelo tempo – nunca as palavras imortais da autora.~

Nesta edição (a quarta), o então Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, assina o prefácio e é pela leitura das páginas que escreveu – mais de cinquenta! – que D. António nos remete para a excelência da obra de Sophia, apontando a sua enorme espiritualidade como referência a ter em conta.

À genialidade do conhecimento de D. António Ferreira Gomes junte-se o talento da maior poetisa portuguesa, e ficamos com uma “peça rara” do nosso património cultural.

Qualquer português minimamente culto conhece alguma coisa de Sophia de Mello Breyner. Particularmente, creio que “A Viagem” é uma espécie de catecismo pelo facto de dimensionar a esperança de qualquer humano, entre o “Alfa e o Ómega”, até aos limites do quase impossível! Na estória de ficção, além do mais, a autora …
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"... - Olá, bom dia! - disse ele.
Era um jardim cheio de rosas.
- Olá, bom dia! - disseram as rosas..."
( O Principezinho)


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Albertina e Dionídio

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Para sempre – 50 cartas de amor de todos os tempos”, é uma pequena enciclopédia com mensagens, frases, reflexões e imenso romantismo. O filósofo Jean Jacques Rousseau dizia que elas, as cartas, “começam sem saber o que se vai dizer, e terminam sem saber o que se disse". Álvaro de Campos, foi mais longe e deixou para a posteridade outra frase célebre: “todas as cartas de amor são ridículas…”!
O livro reúne textos de várias personalidades, de Beethoven a Chopin, de Franz Kafka a Fernando Pessoa. Os homens não diferem muito nas questões do coração quando o descobrem apaixonado e, por vezes, retratam o sentimento de forma tão sublime quanto pueril…
Para lá das cartas trocadas pelos amantes, há estórias (de amor) cujos relatos nem sempre têm um final feliz: “Tristão e Isolda”, de autor desconhecido do século XII (?), ou “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, são disso exemplo. Felizmente, tal não aconteceu, em 1945, ao casal Albertina e Dionídio, residentes em Meda de Mouros, aqui …

Manhã de Outono

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"Roubei" esta imagem à Rosa Gouveia e retoquei-a, com a  devida vénia. A arte pode transformar-se pela imaginação de quem a tem - procurei essa imaginação!... Reconheço na autora um "jeitinho" especial  de "dizer coisas", através das  palavras e das imagens. Sorte a da Rosa que madrugou para clicar no momento certo. Sensibilidade, imaginação - como  diz a Rita: "plimmm"!

Neve na Estrela

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Não faço ideia da distância que vai "daqui até ali", lá longe, no cocuruto da serra. Mesmo assim, fixei  o X3 e cliquei!  A meio da imagem  (sugiro que a ampliem...), em comunhão com as nuvens, nota-se o pormenor de um espaço  em tons de rosa suave.Que será? Respondo eu: é um manto de neve a cobrir por completo  a Estrela! Seis da tarde, o espectáculo, creiam, era fabuloso - de tal modo o apreciei que a viagem a Vila Cova de Alva demorou  o "dobro", para lá e para cá! Pena não ter a Canon à mão - fica a intenção de uma bela fotografia, embora esta não envergonhe os 5.0 MG da câmara do Nokia...

Memórias de um meio de transporte

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Perfeita simbologia de um tempo passado, incluindo o pipo...

O Barril de Alva em Fevereiro

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Choveu, depois o sol espreitou e acenou com a primavera, que não tarda...

A lenda do rio Alva

A localidade de Pombeiro da Beira tem na sua história uma disputa entre três rios, o Mondego, o Alva e o Zêzere, todos nascidos na Serra da Estrela. Estes três rios envolveram-se um dia numa grande discussão sobre quem seria o mais valente e acertaram numa corrida que esclareceria a questão: quem chegasse primeiro ao mar seria o vencedor. O Mondego levantou-se cedo e começou a deslizar silenciosamente para não atrair as atenções. Passou pela Guarda e pelas regiões de Celorico, Gouveia, Manteigas, Canas de Senhorim e pela Raiva, onde se fortaleceu junto dos ribeiros seus primos, chegando por fim a Coimbra. O Zêzere, que estava atento, saiu ao mesmo tempo que o seu irmão. Oculto, por entre os penhascos, foi direito a Manteigas, passou a Guarda e o Fundão, mas logo depois se desnorteou e, cansado, veio a perder-se nas águas do Tejo. O Alva passou a noite a contar as estrelas, perdido em divagações de sonhador e poeta. Quando acordou, era já muito tarde mas ainda a tempo de avistar os seus i…

"Pinturas"

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A aldeia  envelhece com as pessoas que guardam memórias das casas em ruinas; à minha volta são três,   paredes nuas, portas  e janelas sem guarnição, portões de ferro carcomidos pelo tempo. Com  paciência e o "segredo" da Canon, "pintei" as reliquias das casas da Ludovina, do "ti Zé" Simão e  da "dona" Aninhas.

A propósito do prédio cor de rosa...

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O Carlitos
Andei a vasculhar o baú das memórias, encontrei “isto”, vê-se o prédio, no Barril de Alva, se bem me lembro pujante de vida durante os meses de verão.
O Carlitos teria uns sete, oito anitos, não mais…

O prédio cor de rosa

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 Ex- libris do Barril de Alva
Mil vezes retratado, o prédio da família Nunes dos Santos continua  a olhar a Serra do Açor, namora a Estrela e, em dias  de sol brilhante, sorri para o Caramulo, que não "vê"...

Croniqueta

Rir faz bem à saúde
Os tempos vão maus, demasiado maus, queixamo-nos em grupo, carpimos mágoas, unidos, juntinhos, como os pinguins no Árctico para suportar melhor as tempestades. Os sorrisos são quase nenhuns, vive-se, sobrevive-se, não há humor de gargalhar, nem na TV; para além do  Herman José, sobram  graças do Fernando Mendes no “Preço Certo” –  é pouco.
Não somos um povo alegre, mesmo no Carnaval “abrasileirado”, que está por dias, mas temos queda para associar estórias ao anedotário nacional, mesmo agora, em tempos de crise. Valha-nos isso! O meu amigo alentejano Davide (com"e" no fim…), com sotaque a preceito, é excelente contador de anedotas; algumas têm “barbas”, mas como faz a festa por inteiro, do princípio ao fim, sempre a rir e com gestos largos (é um homem sem “crises” - será?), as piadas cheiram a novo. O jeitinho para actor é inato; se eu “mandasse”, fazia do Davide um profissional à altura da melhor concorrência do Stand Up Comedy nacional!... Não é por nada –…

Estórias antigas

Os filósofos da bica e alguns “entendidos da matéria”, entre duas “imperiais”, especulam de forma brejeira (sem necessidade, digo eu…) sobre a idade de cada conviva, e não é de admirar um “puto de quarenta” dizer a outro, na mesma faixa etária, que está a ficar “velho”, ou já lá mora, quando ela, a velhice, se faz anunciar com uma simples e fugaz enxaqueca, por exemplo, ou se determinado “jovem” assume cansaço físico depois de uma noite de pândega. (Há indícios bem mais aborrecidos, e desses quero distância, nem os “enuncio”!).
Depois, há sempre um ou outro, de conversa mais séria na aparência (rosto fechado, voz timbrada, palavras eruditas…), que afirma ser a velhice coisa natural! Um deles chegou a encadear uma ladainha, que começou na concepção da vida e terminou…na “terceira idade”.
Na verdade, a contagem decrescente pode ser contabilizada a partir do momento da fecundação, mas imaginar uma criança daí a uns bons e largos anos, no tempo do ocaso da sua existência, não é ideia que se…