quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Dia de "Todos os Santos"

A visita de hoje ao cemitério do Barril de Alva foi de mera rotina. Como dei conta que o local está limpo e arrumado, registo facto  e disso  dou conta na imagem anexa - como se fosse  o "Dia deTodos os Santos", que se recordará daqui a dias,  a  1 de Novembro.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Velhas Árvores


Olha essas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores mais novas, mais amigas.
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem.

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem.

Olavo Bilac







quarta-feira, 30 de maio de 2018

Barril de Alva - obras (2)



Recupero o texto publicado no passado dia 13 deste mês, altero o essencial da notícia e dou corpo  às palavras…
Seria hipocrisia da minha parte, pelo facto de não fazer parte do poder local, se não viesse a terreiro manifestar o meu agrado quanto à continuidade dos melhoramentos tão desejados para  a minha aldeia, o Barril de Alva.
Registo com satisfação o trabalho executado  no Caminho das Medas, depois de anos de peditório junto do executivo da Câmara Municipal de Arganil. Também o Páteo dos Músicos está prestes a vestir “roupa nova”. Mudam-se as pessoas, mudam-se as vontades …
Estas  duas obras trazem à memória  uma outra, conhecida como  “Casa do Gens”. Durante mais de  trinta anos, os  sucessivos executivos da  Junta de Freguesia do Barril de Alva tentaram  alinhar a rua União e Progresso, recuando os limites do edifício, de modo a permitir a passagem de viaturas pesadas sem constrangimentos. No derradeiro ano do mandato da extinta Junta de freguesia, foi possível  chegar a acordo  com a proprietária, e a obra foi executada em 2013  pelo executivo da União de Freguesias.
Quero acreditar que a “Estrada  Nova”, também ela intervencionada com a colocação de novas condutas para o saneamento, terá um novo piso,  como se deseja para  a estrada  principal que vai do Largo do Chiado até ao limite do concelho, depois do cemitério.
… E se não for pedir em demasia, talvez agora seja possível resolver o imbróglio  do que era para ser um polidesportivo, dando-lhe utilidade a condizer.
As decisões, no que ao futuro diz respeito, com dinheiros próprios ou em parceria com a Câmara Municipal de Arganil, estão nas mãos da Junta de Freguesia da U.F. de Coja e Barril de Alva.




domingo, 13 de maio de 2018

Barril de Alva - obras


Seria hipocrisia da minha parte, pelo facto de não fazer parte do poder local, se não viesse a terreiro manifestar o meu agrado quanto à continuidade dos melhoramentos tão desejados para  a minha aldeia, o Barril de Alva.
Registo com satisfação o trabalho executado  na zona do Parque de Merendas, junto à Ponte, que inclui  a manutenção da Área de Serviço e Pernoita para Autocaravanas, e, reparei ontem,   pelo material depositado na Praça Alberto Martins de Carvalho, acredito que o Contrato/Programa rubricado pelo anterior executivo da Junta, de que fiz parte, vai ser agora concretizado em pleno, fazendo do “Largo da Escola” um espaço ainda mais digno e agradável à vista.
Finalmente, depois de anos de “luta”, a obra da estação elevatória dos esgotos do “Largo da Ponte”, assumida pelo executivo Câmara Municipal no mandato anterior, está em vias de entrar em funcionamento, completando assim a reestruturação do saneamento sanitário da aldeia. Como consta do projeto, seguir-se-á a recuperação da estrada entre Coja, Barril de Alva e Vila Cova de Alva.
Quero acreditar que a “Estrada  Nova”, também ela intervencionada com a colocação de novas condutas para o saneamento, terá um novo piso,  como se deseja para  a estrada  principal que vai do Largo do Chiado até ao limite do concelho, depois do cemitério.
As decisões, no que ao futuro diz respeito, com dinheiros próprios ou em parceria com a Câmara Municipal de Arganil, estão nas mãos da Junta de Freguesia da U.F. de Coja e Barril de Alva.


 Como o verão está próximo, o Urtigal continuará a  constar dos roteiros dos veraneantes

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Cepos - Miguel Torga deliciado com a paisagem


Volto ao dossiê que tenho entre mãos  e  ao relato da  passagem de Miguel Torga pela  Beira Serra.
Depois do poema “Saudação”, escrito em 1942 junto  à ponte sobre o Alva,  que separa o Barril de Alva de Vila Cova de Alva,  “… Miguel Torga em 1943 dá início ao seu contacto  com  as serranias, inicialmente,  através  de expedições venatórias, tendo por companhia, para além do Dr. Fernando Vale,  de  diversos arganilenses como  Guilherme Marques Coelho, ou o sr. Mamede, de quem disse um dia que  trazia as “perdizes inventariadas”.
 Nos Cepos, “…deliciado com a largueza de vistas que se estende pelas terras vizinhas do concelho de Pampilhosa da Serra”,  escreve no 3º Diário:

 “Cepos, 21 de abril – Um pederasta perdido nestas serras  com versos eróticos fechados numa gaveta de castanho.  Os Penedos de Fajão em frente, os de Vidual mais além, ondas e ondas  de estamenha  encapeladas a té ao fim dos olhos, num exemplo viril de criação. Mas o gérmen  da inversão de tudo reside em tudo. Este pobre homem, sem o saber,  representa aqui o gigantesco papel de oposição de vida  à sua própria plenitude


Cepos - foto de  "Rouxinol de Pomares"

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Urtigal - apesar de tudo, o verde da esperança


Seis meses depois da catástrofe ambiental, voltei ao Urtigal.
A caminhada estava prometida, de mim para mim, ao jeito de quem vai em romagem de saudade a um pequeno paraíso, agora e ainda com a paisagem pintalgada de matizes castanhos, pretos e cinzentos. O verde, apesar de tudo, voltou em força - sinal de esperança no futuro, que se “reivindica” à mãe Natureza.
O rio, de corpinho bem feito, mas um pouco anafado, acomoda-se no leito e vai apressado - terá as suas razões, o Mondego espera-o em Porto da Raiva.
O som grave da água, quando salta o caneiro, sobressai no palco, que é o Urtigal, mas faltam as “vozes” dos intérpretes das maviosas melodias. Espera-se que a ausência dos passarinhos cantores (sobretudo o rouxinol) seja passageira, como a  nuvem   do Hermes Aquino, o artista/cantor.
Da comunidade residente no rio, o Alva nada diz, guarda segredo; mesmo de cócoras, à beirinha da água, não consegui ver um barbo, por mais pequenote que fosse – eles, como gostam de águas fundas e rápidas, estão camuflados e longe das vistas dos curiosos.
A descer, foi fácil; subir a encosta, nem um pouco. Do alto, durante mais uma curta paragem, fico de frente para o rio, que me parece bem mais apertadinho e pouco apressado na curva, junto à fonte de águas cristalinas, de bica cheia, como se fosse inverno …
Um dia volto, prometo, com a certeza de que, infelizmente,  não será tão breve como desejo o retorno  do Urtigal do passado recente…
Há feridas que o tempo, e alguns pensos rápidos, cicatrizam. Vai faltar-me esse tempo.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Torga - Barril de Alva, ponto de partida





Guardo um dossiê sobre a passagem de Miguel Torga por Arganil, de acordo com os seus “Diários”. 
De autor desconhecido, o texto, recorda o ano de 1942 como sendo o começo da vivência  de Torga por terras do Alva, o rio, com a  Serra do Açor à vista.

É bonito, o Alva! Manso, claro, calado, sem a tragédia do Douro nem a grandeza do Tejo, é bem o rio da Beira, que define a Beira (…) “ - escreveu o poeta e escritor.

O autor da brochura “acompanha” Miguel Torga nos pormenores:
“É esta, efetivamente, a primeira referência de Miguel Torga ao concelho de Arganil, e  representa, certamente, uma sua permanência no Vale do Alva, visto que no Volume II do Diário alude  a uma passagem por Avô, e no regresso a Barril de Alva escreve, no dia 28 de setembro de 1942 o poema com o título “Saudação” (…). A ligação de Miguel Torga ao concelho de Arganil, iniciada em Barril de Alva, vai manter-se, praticamente até ao fim (…).

Saudação
Não sei se comes peixes, ou não comes,
Irmão poeta Guarda-Rios:
Sei que tens o céu nas asas e consomes
A força delas a guardar rios.

É que os rios são água em mocidade
Que quer correr o mundo e conhecer;
E é preciso guardar-lhe a tenra idade,
Que a não venham beber ...

Ave com penas de quem guarda um sonho
Líquido, fresco, doce:
No meu livro te ponho,
E eu no teu rio fosse ...



 Miguel Torga na ponte do Barril de Alva
(gentileza de Paulo Santos)
  
Mais adiante,  o autor desta compilação  histórica refere ” … que a sede do concelho (Arganil) lhe mereceu maior atenção e, por isso, em junho de 1943, Miguel Torga anota no 3º Diário, uma das principais apreciações psicológicas  ao homem da Beira Serra”:                                                                                 
Esta Beira confunde-me. Vejo que há nela qualquer coisa de específico e de seu, que tem grandeza e verdade, quase que vislumbro a coisa nestes pequenos rios que correm sem fúria e nestas serras sem majestade, mas não apanho a verdade toda. Foge-me o fio da meada por entre os xistos das casas  e os xis da língua. Não é desconfiança que reina aqui. É talvez prudência, cautela, o sentimento natural que se tem num chão sem grandes horizontes (…)”.

 (continua)