domingo, 8 de março de 2020

Toponimia do Barril de Alva

Texto publicado   no dia 7 de maio de 2013 no blogue da extinta Junta de Freguesia
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Breves notas

Dando cumprimento ao que a Lei determina, o executivo da Junta, de acordo com as suas competências, propõe à Assembleia a aplicação de denominações à rede viária da Freguesia.
  Naturalmente, mantiveram-se as designações existentes, na sua maioria honrosas homenagens a cidadãos que, de uma forma ou de outra, contribuíram para o engrandecimento do Barril de Alva.

   A história de uma aldeia como a nossa está associada a datas, gentes e costumes, sítios e lugares que a tradição mantém vivos na fala e na escrita do povo, quantas vezes desconhecendo em absoluto o verdadeiro significado de termos como “Vale Poleireiro” “Linharzinho”, “Chiqueirão” …

É nosso entendimento que as tradições consolidadas do passado devem ser preservadas no presente, projetando-as no futuro de modo a que os vindouros se reconheçam na herança a que têm direito: uns, pelo nascimento; outros, ou pela adoção deste torrão como “pátria” sua.

  Além das figuras ilustres, também a Filarmónica perpetua a sua importância na comunidade - falta homenagear os músicos! Simbolicamente, ao propormos a designação do “Pátio dos Músicos” a um pequeno espaço do território urbano, prestamos singela homenagem a todos os filarmónicos que há mais de um século sustentam com a sua arte a Associação Filarmónica Barrilense.

Na sequência da aprovação da lei da Reforma Administrativa do Poder Local, o desaparecimento dos órgãos autárquicos não podia deixar de ser referenciado na toponímia da Freguesia.

  Miguel Torga, um dos maiores escritores e mestres da língua portuguesa, de visita ao Barril de Alva (e por certo ao seu amigo Alberto Martins de Carvalho), no seu “Diário”, depois de contemplar o Alva, cita o “nosso” rio:

        -“Barril de Alva, 27 de Setembro de 1942 – É bonito, o Alva! Manso, claro, calado…”

Torga continuou preso aos encantos do Alva; no dia seguinte, volta a associar o nome do Barril de Alva à “SAUDAÇÃO” com que brinda uma simpática ave ribeirinha…

Barril de Alva, 28 de Setembro de 1942

Não sei se comes peixes se não comes,
Irmão poeta Guarda-Rios:
Sei que tens céu nas asas e consomes
A força delas a guardar os rios.

È que os rios são água em mocidade
Que quer correr o mundo e conhecer;
E é preciso guardar-lhe a tenra idade.
Que a não venham beber...

Ave com penas de quem guarda um sonho
Liquido fresco, doce:
No meu livro te ponho,
E eu no teu rio fosse...


O nome de Miguel Torga, por múltiplas razões, “fica muito bem” na rua que o levou ao encontro do seu “irmão poeta Guarda - Rios”… no Barril de Alva!

Junta de Freguesia do Barril de Alva, 12 de Abril de 2013

TOPONÍMIA
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NOTA: OS NÚMEROS ANTERIORES AOS NOMES  REFEREM-SE À LOCALIZAÇÃO NO MAPA DA FREGUESIA
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CALÇADAS
39 – António Nunes dos Santos

CAMINHOS
63 – da Eira

ESTRADAS
12 - da Maria Gil
48 – Nova

LARGOS
35 - Sta Maria Madalena
40 - José Freire de Carvalho e Albuquerque
46 - do Chiado
51- do Chafariz
54 - Fonte Lourenço
55 - Comendador José Simões Silvestre
56 - da Feira

LOTES
58 - Lote A
59 - Lote B

PÁTIOS
36 - dos Músicos

PRAÇA
37 - Alberto Martins de Carvalho

RUAS
1 - 29 de Setembro
2 - da Picota
3 -  da Moenda Velha
4 - do Colaço
5 - da Fonte Nogueira
6 - dos Passarinhos
7 - do Linharzinho
8 -  Constantino da Costa Simões
9 -  Albertino Correia Madeira
10 - José Martins de Carvalho
11 - Miguel Torga
14 - António Freire Carvalho e Albuquerque
15 - José Monteiro Carvalho e Albuquerque
16 - da Boa Vontade
17 - Joaquim Mendes Correia de Oliveira
18 - dos Pinheirais
19 - da Filarmónica Barrilense
20 -José Valentim dos Santos Leal
21 - Alberto Bernardo Simões
22 - Abílio Figueiredo
23 - Abílio Nunes dos Santos
24 - António Nunes Fernandes
25 - do Areeiro
26- União e Progresso do Barril de Alva
27 - da Fontinha
28 - Joaquim Silvestre
29 - do Sobral
30 - Luís dos Santos Marques Gouveia
31- da Ribeira
32- das Hortas
33 - Joaquim Madeira
38- da Quinta das Mimosas
41- do Vale Poleireiro
42 - das Medas
43 - dos Vales
44 - 25 de Julho
45 - CIEBA
47 - Cidade de Almada
49 - da Paragem
52 - do Ribeirinho
57-  do Moinho
61 - dos AABA
64 - do Chiqueirão

TRAVESSAS
13 - do Casal da Vinha
34 - do Chafariz
50 - da Cidade de Almada
53 - do Forno
60 - do Olival
62 - da Eira

 Aprovado na reunião da Junta de Freguesia de 08 de Abril de 2013

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TOPONÍMIA

LOCALIZAÇÃO DAS CALÇADAS, CAMINHOS, ESTRADAS, LARGOS, LOTES, PÁTIOS, PRAÇAS, RUAS E TRAVESSAS
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1 – Rua 29 de Setembro - da R. 25 de Julho (44) ao entroncamento para o Calvino
2 – Estrada da Picota - da R. Cidade de Almada (47)  ao cruztº da R. do Areeiro (25)

3 – Rua da Moenda Velha – da Estrada da Picota (2)  / direcção à Moenda Velha

4 - Rua do Colaço - da R. C. Almada (47) / direcção  ao Colaço

5 – Rua da Fonte Nogueira -  da R. C. Simões (8) ao entroncamento das ruas 6, 7 e 49

6 - Rua dos Passarinhos - da R. C. Almada  (47) ao entroncamento das ruas  5, 7 e 49

7- Rua do Linharzinho - do entroncamento das ruas  5,6 e 49 à Quinta do Barbeiro

8 - Rua Constantino da Costa Simões – da Rua José M.C. (10)  direcção  à Ribeira

9 - Rua Albertino Correia Madeira - da R. C. Almada (47)  à Estrada Miguel Torga (11)

10 - Rua José Martins de Carvalho - do Largo do Chafariz (51) à R. C. Almada (47)

11- Rua Miguel Torga - do Largo do Chiado (46) à ponte

12-.Estrada da Maria Gil - da R. Miguel Torga (11) / direcção à Maria Gil

13 - Travessa do casal da Vinha -  da Est. da M. Gil (12)  / direcção ao Farrosca

14 - Rua António Freire de Carvalho e Albuquerque - do Lg. José F. C.A. (40) à Q. Stº A.)

15 - Rua José Monteiro Carvalho e Albuquerque - da R. Antº. Freire (14) às 16, 17 e 52

16- Rua da Boa Vontade – da R.J.M.C.A. (17) à R. do Ribeirinho (52)

17- Rua Joaquim Mendes Correia de Oliveira - da R. A. Freire (14) à R. José  M.C.A. (15)

18 – Rua dos Pinheirais - da Rua 29 de Setembro (1) à R. António Freire C. e A (14)

19- Rua da Filarmónica Barrilense - a R. António Freire (14) à R. José Valentim (20)

20- Rua José Valentim Santos Leal - da R. 25 de Julho (44) ao Lgº da F. Lourenço (54)

21- Rua Alberto Bernardo Simões - da R. 25 de Julho (44) / direcção à Eira)

22- Rua Abílio Figueiredo - da Rua  da  CIEBA (45)  à R. José Valentim (20)

23- Rua Abílio Nunes dos Santos -  da Rua  da UPBA (26) ao entronctº das ruas 24, 48 e 57

24- Rua António Nunes Fernandes - do Lg  do chafariz  (51) ao entctº das  ruas 23, 48 e 57

25- Rua do Areeiro - do cruz. da R. da Paragem (49) à estrada/ Picota (2)

26 -Rua União e Progresso - da R Abílio N. Santos (23) ao Lg S.M. Madalena (35)

27- Rua da Fontinha - da R. UPBA (26) o Quim / Belarmino

28- Rua Joaquim Silvestre - da Rua 25 de Julho (44) ao  Joe Dimed

29 - Rua do Sobral - da Rua J. Silvestre ( 28) à  Rua  do Vale Poleireiro (41)

30 - Rua Luís dos Santos Marques Gouveia - da Rua UPBA (26)  à R. Joaq. Silvestre (28)

31- Rua da Ribeira - da Rua UPBA (26) ao “Zé Nunes”/Hortas

32- Rua das Hortas - da Rua  Joaquim Madeira (33) ao Cristiano

33- Rua Joaquim Madeira – do Largo da .  Stª M. M. (35)  à Rua  das Medas  (42)

34- Travessa do Chafariz - do Largo da Stª M.M. (35) à Rua  Joaquim Silvestre (28)

35- Largo St M. Madalena - à capela

36 -.Pátio dos Músicos - da R. UPBA (26) ao Alberto

37 - Praça Alberto Martins de Carvalho – à Escola

38 – Rua da Quinta das Mimosas - do Largo do chafariz (51)  ao Civado

39 - Calçada António Nunes dos Santos - do Lg do chafariz (51) à Rua 25 de Julho (44)

40 - Largo José Freire de Carvalho e Albuquerque - da R. 25 de Julho (44) / às R.  14 e 46

41 - Rua do Vale Poleireiro - da R. 29 de Setembro (1)  à Rua  do Sobral  (29)

42 - Rua das Medas - da R. Joaquim Madeira (33) às Medas

43 - Rua dos Vales - da Rua Abílio Figueiredo (22) à Rua dos Pinheirais (18)

44 – Rua 25 de Julho - do Largo José Freire C.A. (40) à  Rua  29 de Setembro (1)

45 – Rua CIEBA - do  Largo da  F. Lourenço (54) à Rua  29 de Setembro (1) 

46 – Largo do Chiado - das Ruas 11 e 47 ao Largo José Freire C.A (40)

47 – Rua Cidade de Almada - do Largo do Chiado (46) à Estrada da Picota (2)

48 – Estrada Nova - da Rua 25 de Julho ao entroncamento das ruas 23, 24 e 57

49 – Rua da Paragem - da R. Cidade de Almada (47) ao entroncamento das ruas . 5,  6 e 7

50 – Travessa da Cidade de Almada - da Rua Cidade de Almada (47)  ao Alcides

51 – Largo do Chafariz - ao Casal do Meio

52 – Rua do Ribeirinho - da Rua J.M.C.A.(15) ao Ribeirinho

53 – Rua do Forno - da R. dos Pinheirais (18) à Rua  dos Pinheirais (18)

54 – Largo da Fonte Lourenço - ao chafariz

55 – Largo Comendador José Simões Silvestre - nas traseiras da sede da Filarmónica

56 – Largo da Feira - nas traseiras da escola

57 - Rua do Moinho – do entroncamento das Ruas 23, 24, e 48 à Ribeira

58 - .Lote A - loteamento às Medas – da Joaquim Madeira (33) às Medas

59 - Lote B -  loteamento às Medas – do Lote A  (58) às Medas

60 – Travessa do Olival - da Rua  Joaquim Silvestre ( 28)  ao cruztº das ruas  33 e 34

61 - Rua dos Autocaravanistas Amigos do Barril de Alva -AABA -  da Rua Miguel Torga                                              ( 11) às traseiras do P. de Merendas AIACO

62 - Travessa da Eira - da  Rua Miguel Torga (11)  ao Caminho da Eira (63)

63 - Caminho da Eira - da Rua dos AABA (61)  à Eira

64 - Rua do Chiqueirão - da Estrada da Maria Gil (12) ao “porto”
_____

Legenda:  AZUL -  ruas oficiais/  NEGRITO  -  ruas c/ nova denominação

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 DIVISÃO POR BAIRROS

CASAL CIMEIRO (15 ruas)

23 . 26 . 27 . 28 . 30 . 31 . 32 .33 . 34 . 35 . 36 . 42 . 58 . 59 . 60


SOBRAL (3 ruas)

1 . 29 . 41


FONTE LOURENÇO ( 12 ruas)

19 . 20 . 21 . 22 . 37 . 43 . 44 . 45 . 48 . 54 . 55 . 56

CASAL DO MEIO (6 ruas)

10, 24, 38, 39, 51, 57


CASAL DE BAIXO ( 13 ruas)

11 . 14 . 15 . 16 . 17 . 18 .  40 . 46 . 52 . 53 . 61 . 62 . 63


FONTE NOGUEIRA (15 ruas)

2 . 3 . 4 . 5 . 6 . 7 . 8 . 9 . 12 . 13 . 25 . 47 . 49 . 50 . 64

sábado, 7 de março de 2020

Barril de Alva - os bonecos de João Abrantes



Nos anos cinquenta, no "centro comercial" do Chiado do  Barril de Alva,  havia de tudo um pouco: além da venda de mercearias, tecidos, materiais de construção e outros produtos, a taberna situada nas traseiras do edifício servia petiscos e bebidas várias, com predominância de vinho a copo.
No estabelecimento funcionava o posto dos correios e a central telefónica.
No outro lado da rua o Talho Quaresma tinha as suas portas abertas, e mais acima havia outro espaço comercial com  negócio multifactado, ao estilo do Chiado, propriedade da família Valentim. O patriarca da família era pessoa de muitos saberes e ocupações - além do exercício da sua profissão, era membro ativo dos corpos sociais da Filarmónica e  correspondente  de jornais. Junto ao seu estabelecimento, nos dias de folga, jogava-se à “malha”. 
elegante caligrafia de José Valentim pode ser apreciada  nas atas das reuniões da Filarmónica Barrilense daquele tempo...
A comunidade do Barril de Alva e arredores  tinha à disposição outros estabelecimentos comerciais, a saber:  a taberna do “ti Zé” Candosa, a mercearia do Coelho,  os serviços do barbeiro António do Vale (o regedor da terra), do tamanqueiro "ti" Albano e de um ferreiro.
… Além da indústria de madeiras, no Barril de Alva houve  uma fábrica de bolos secos, propriedade de Joaquim Trindade, e duas padarias.
O nome de João Abrantes é pouco referenciado  pelos escrevinhadores  que me antecederam  no amor à terra onde nascemos, divulgando as suas  belezas e mais valias sociais. João Abrantes foi  figura única na vida da comunidade  por se dedicar ao fabrico de bonecos de papelão, utilizando moldes próprios. Diz a minha vizinha Maria “padeira”, antiga empregada  do artista, que este mostrava enorme talento no uso das tintas com que realçava as feições dos seus bonecos. 
Periodicamente, João Abrantes  enviava  algum do produto da sua oficina para   um estabelecimento de Coimbra, mas as maiores vendas tinham como destino os Grandes Armazéns do Chiado, em Lisboa.
Outros tempos...


sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

"Pinga amores"


A paixão, é dos “livros”, embriaga e deixa-nos tontos, desconcertados nas palavras e nas atitudes - que sei eu sobre os segredos deste nobre sentimento que outros desconheçam? Mesmo nada - é um “mal” que chega sem aviso prévio, instala-se o ”vírus” e pronto…
Já o amor… “O amor é um fogo que arde sem se ver (…)”, na certeza de Camões. 
Fico-me por este “fogo”, matéria delicada por entender que há vários tipos de amor, e volto à paixão - às minhas paixões; sendo várias, embarco, navego e afundo-me nelas. “Fraqueza” minha, dirão - é verdade, assumo.
Quem me manda a mim apaixonar-me pela aldeia onde nasci, pela “minha” escola”, pela “minha” filarmónica, pelo “meu” rio que mata a sede de nós todos, banha o “meu” Urtigal” e faz mover a roda de alcatruzes no verão …
Sim, quem me manda a mim, “pinga amores”, inventar paixões que me embriagam e deixam tonto?
(Adaptado de um texto publicado em outubro de 2017 com o mesmo tíitulo)

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Barril de Alva - um casamento "nunca visto" !

Embora privada, a festa, o Barril de Alva no dia 1 de setembro de 1957 "parou" para ver a elegância e o charme da Leninha, a noiva, filha da professora Jorgina Voz Jorge dos Santos, e do noivo, Luiz Gonzaga, possivelmente oficial da Marinha - farda de gala com a respetiva espada à cintura...
Os noivos, rigorosos nos trajos, faziam parte "de uma estória aos quadradinhos" - coisa nunca vista na terra, só nas fitas do cinema...
Desse dia guardo documento (talvez único...): a ementa, servida pelo Café Nicola, de Coimbra.


"...O casal, assim trajado, era um quadro vivo de uma estória aos quadradinhos..."





sexta-feira, 26 de julho de 2019

Rio Alva



Tirei a chinela do pé, 
Corri, molhando a saia
Senti cócegas frescas
Fiquei refescada.
A água do rio teima


Em correr apressada.
Meu pensamento vagaroso, 
Pensa: porque tem pressa a água?
Não saboreia o leito
Nem repousa no seu fundo
Ou aprecia as margens
Deste meu belo Alva.
Deixa-me repousada~
E no entanto vai apressda!
Oh, se a água parasse 
Ficava o rio sem vida., 
Sem graça, sem alma,
Água estagnada, doente, 
Matava...
Corre pois, água do meu Alva
Leva bons presságios para a costa
Vai majestosa, cristalina
Alimenta a alma peregreina 
E triste do beirão.
Sê água que cura e salva
Da tristeza e da solidão.
Sê alimento do coração

30.05.05

Fátima Faria  Rodrigues



quarta-feira, 24 de julho de 2019

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA UNIÃO E PROGRESSO DO BARRIL DE ALVA – I


25 DE JULHO - DIA DO BARRIL DE ALVA


Repete-se  a publicação do magnifico texto de Carlos Leal, antigo presidente da  UPBA  (União e Progresso do Barril de Alva). Para que conste e  as memórias desta notável instituição não se "apaguem"...



Completar-se-ão no próximo dia 17 de Março setenta e cinco anos de actividade da União e Progresso do Barril de Alva. A história desta insigne Instituição Barrilense estará ainda por contar, muito embora ela encerre um valiosíssimo património histórico no que concerne ao movimento associativo do concelho de Arganil do qual foi precursora nos idos anos trinta do século passado.Com o país em bolandas devido a desentendimentos de carácter político que prejudicavam o desenvolvimento do país, e a posterior ditadura instaurada, fizeram com que Portugal estagnasse no tempo com todos os funestos resultados que daí advieram para a vida das populações, principalmente as localizadas no interior do país, votadas ao esquecimento e à sua sorte. O Barril de Alva, não foi excepção, mais a mais sendo uma recente freguesia criada em 1924, com as naturais dificuldades que se adivinham no início da administração daquela que viria a ser, definitivamente, a mais pequena freguesia do concelho de Arganil. Deparava-se, como é evidente, uma árdua tarefa aos responsáveis autárquicos à época, e sendo certo que estavam identificadas as variadíssimas obras necessárias para obviar as péssimas condições em que os Barrilenses viviam o seu dia a dia, faltavam, contudo, os meios financeiros necessários à sua consecução.
Completar-se-ão no próximo dia 17 de Março setenta e cinco anos de actividade da União e Progresso do Barril de Alva. A história desta insigne Instituição Barrilense estará ainda por contar, muito embora ela encerre um valiosíssimo património histórico no que concerne ao movimento associativo do concelho de Arganil do qual foi precursora nos idos anos trinta do século passado.
Com o país em bolandas devido a desentendimentos de carácter político que prejudicavam o desenvolvimento do país, e a posterior ditadura instaurada, fizeram com que Portugal estagnasse no tempo com todos os funestos resultados que daí advieram para a vida das populações, principalmente as localizadas no interior do país, votadas ao esquecimento e à sua sorte. O Barril de Alva, não foi excepção, mais a mais sendo uma recente freguesia criada em 1924, com as naturais dificuldades que se adivinham no início da administração daquela que viria a ser, definitivamente, a mais pequena freguesia do concelho de Arganil. Deparava-se, como é evidente, uma árdua tarefa aos responsáveis autárquicos à época, e sendo certo que estavam identificadas as variadíssimas obras necessárias para obviar as péssimas condições em que os Barrilenses viviam o seu dia a dia, faltavam, contudo, os meios financeiros necessários à sua consecução.    
E foi a pensar nestes inúmeros problemas, que um grupo de Barrilenses radicados na hoje denominada região da Grande Lisboa, que para ali partira à procura de melhores dias para si e para os seus, resolveu fundar a União e Progresso do Barril de Alva no intuito de procederem à angariação de fundos destinados a obras de melhoramentos necessários na sua amada terra. Esses homens, todos eles nascidos ou ligados por laços familiares muito fortes ao Barril de Alva, tinham as mais distintas ocupações profissionais, com a vida estabilizada, e a maioria com uma média de idades que se podia considerar jovem. Todavia, esses considerandos não obstaram a que se empenhassem nos seus desígnios e iniciassem um dos mais belos e bem sucedidos cometimentos que a terra do Barril de Alva jamais tivera.
A primeira grande obra que resolveram efectuar, tinha prioridade extra devido ao estado precário em que os residentes no Casal Cimeiro se deslocavam. E, tomadas as providências necessárias, deitaram mãos à obra iniciando-se o alargamento do caminho precário que servia todos os habitantes daquela zona da Freguesia, ampliando-se também, com a demolição de umas casitas ali existentes, o largo da capela de Santa Maria Madalena. Não fora o facto de ter havido algumas melhorias para a população, e diríamos que o esforço tinha sido inglório, se considerarmos o facto todos os anos, com a chegada dos rigores do Inverno, a rua se transformar num lamaçal, tornando-a, por isso, intransitável em alguns locais obrigando os transeuntes a passarem sobre os muros ou, até, pelos terrenos particulares contíguos àquela artéria. Ao longo de cerca de quinze anos, a forma encontrada, dado não haver disponibilidade financeira para muito mais, foi ir-se obviando algumas das anomalias com o chamado remendo que, de todo, não solucionavam o problema.     
Até que, no ano de 1951, por altura dos festejos de S. João, se deslocou ao Barril de Alva uma delegação muito vasta de dirigentes da União e Progresso do Barril de Alva os quais puderam apreciar no local os problemas que continuavam a ter os habitantes do Casal Cimeiro no que respeitava às acessibilidades. Logo ali procuram saber junto dos responsáveis da Junta de Freguesia qual a disponibilidade financeira que dispunham para a definitiva conclusão da obra, desta feita com o calcetamento da rua que traria necessariamente a solução para os muitos problemas. Claro que, como se calcula, a Junta não tinha dinheiro para mandar cantar um cego quanto mais para fazer uma obra daquela natureza. Contudo, sabendo que era um melhoramento que não poderia ser mais adiado, os dirigentes da União e Progresso do Barril de Alva resolveram levar por diante a execução da obra, mesmo sabendo que os custos seriam elevadíssimos para os parcos proventos da Colectividade. Mas, se lhes faltavam os recursos financeiros sobrava-lhes imaginação, o que à partida era meio caminho andado para a obtenção dos fundos necessários para a consecução da obra.   
Uma grande campanha de angariação de fundos foi iniciada para a qual utilizaram diversas iniciativas, nomeadamente, almoços de convívio, espectáculos de variedades, quermesses, peditórios e a receita da quotização dos sócios. Também dos Barrilenses radicados em Moçambique, na então Lourenço Marques, se recebeu uma quantia ali angariada que se juntou ao já reunido pelos dirigentes em Lisboa, Almada e no Barril de Alva e que na totalidade perfazia a quantia de 13.272$00.
Entretanto, tinha-se começado a obra, inicialmente prevista fazer numa primeira fase que iria do cruzamento do caminho para a Ribeira, ao Casal do Meio, até às Almas e que incidia, sobretudo, na terraplanagem, alargamento, levantamento de muros, sistema de drenagem de águas pluviais e calcetamento. Posteriormente, e dado a recolha de fundos decorrer de forma muito satisfatória, superando até as melhores expectativas, decidiu-se prolongar os trabalhos até ao fim, isto é, até à capela da Santa Maria Madalena. Para tal, recorreu-se a um empreiteiro que com a mão-de-obra local cumpriu rigorosamente com os prazos que tinha contratado com a Junta de Freguesia que era, oficialmente, a dona da obra.
No dia 13 de Janeiro de 1952, foi por fim inaugurada a até então denominada estrada do Casal Cimeiro, que a partir dessa data, por iniciativa da Junta de Freguesia e com a anuência da Câmara Municipal de Arganil, se passou a designar, Rua União e Progresso do Barril de Alva. Resta acrescentar, que a obra teve como custo final a quantia de 11.600$00, sendo que o saldo apurado entre a receita e a despesa, que perfazia 1.672,00, reverteu para as futuras obras da Rua do Casal do Meio que começavam já a germinar na cabeça dos dirigentes da Colectividade.
Como então diria o saudoso AIACO no discurso de inauguração daquela via, alguns daqueles que em 1935 se predispuseram a encetar os primeiros passos daquela obra já não faziam parte dos vivos, porém, era deles boa parte do esforço que fora feito ao longo daqueles anos e que viria a culminar numa das mais simbólicas iniciativas que a União e Progresso do Barril de Alva levou a efeito. Tal como então, também os dirigentes actuais jamais esquecerão todo o legado que lhes foi deixado por esses grandes Barrilenses que num dia de Março do ano de 1935 tiveram a feliz ideia de fundar a União e Progresso do Barril de Alva. CL

terça-feira, 21 de maio de 2019

1886 - "A Quinta do Urtigal"

(Adaptação  do texto intitulado "Quinta do Urtigal recupera mística", publicado em 04.07.17 https://ritual.blogs.sapo.pt/quinta-do-urtigal-recupera-mistica-3324 -2017)


Em 2009, quando o  executivo da Junta de Freguesia do Barril de Alva, entretanto eleito, fez o levantamento dos pontos  mais sensiveis para o desenvolviemnto do turismo, facilmente se concluiu que o Urtigal e todo o espaço adjacente ao Parque de Merendas AIACO, junto à ponte sobre o rio Alva, careciam de projetos estéticos   com utilidade prática. "Agradar à vista", sim; cativar as sensibilidades de quem aprecia a Natureza, também, mas...
Com o rio Alva a  "musicar" em estereofonia as águas que serpenteiam por entre  as pedras no tempo do estio, era de toda a conveniência tirar partido desse "espetáculo" em que o corpo pode  conviver em harmonia com o espírito pelo "mergulho refrescante", ou simplesmente ficar em repouso mas atento aos sons que, graciosamente, chegam até nós - todos os sons, incluindo o belo canto dos rouxinois, que se "apresentam" no  concerto como solistas ...
Havendo "tudo isto", com a soberana finalidade de fazer da nossa terra um  local ainda mais aprazível, discutiram-se ideias!
A limpeza do Urtigal (mais tarde soube-se que, em tempos recuados, se chamara Quinta do Urtigal - volume XI da obra“Portugal Antigo e Moderno”, editado em 1886: o lugar do BARRIL e a QUINTA DO URTIGAL fazem parte da freguesia de Vila Cova de Sub-Avô....) junto ao caneiro fez aparecer  ruinas  do lagar e da moenda que ali existiram, por certo durante mais de um século.
Uns pelo conhecimento recente do "crime" cometido  contra  a estrutura de transformação dos alimentos e da habitação onde viveram duas ou três gerações de moleiros, pescadores e agricultores, outros com as memórias frescas, apesar do avanço da idade, todos relataram estórias que, no entender do executivo da Junta,  deveriam ser sinalizadas  de modo a que os vindouros  tivessem a curiosidade de questionar os barrilenses mais velhos:
- O que era "isto"?... 
Foi  com essa finalidade que se ergueu o Parque para Autocaravanas num local onde existem vestígios da pesquisa de ouro pelos romanos, e agora se divulga pelo nome: CONHEIRA...
Foi com essa finalidade que se  ergueu no Urtigal um espaço propício ao entretenimento e convivio familiar e, ao mesmo tempo, terminar definitivamente com as fogueiras dos piqueniques de ocasião...
Depois  da junção de Coja e Barril de Alva, o executivo  eleito para a União destas freguesias não descurou o embelezamento dos locais referidos,  dotando-os de infraestruturas que, embora modestas, são polos de atração para quem nos visita.
O rio insiste  no "diálogo" com quem tem  "conversa" capaz  de entender alguns dos seus segredos e perceber a sua "música". Basta estar atento!
O antigo lagar, agora, adivinha-se ....
A  água fresca e leve da fonte,  dia após dia,  todos os dias, só  espera por quem a possa sorver com  deleite
Diz "quem sabe" que ouviu um elfo cantar:

"Junto da bica água cristalina
à corrente a caminho do Mondego
e faço do olhar mirante da paisagem
- como é belo o Urtigal "!

(cr)