sexta-feira, 10 de julho de 2020

Há 493 anos, no lugar do “Baril”, moradores eram 10


No dia 12 de julho de 1527, a mando do rei D. João III, foi organizado o Cadastro da População do Reino. Quando terminaram os censos, em 1532, os resultados davam conta de que no concelho de Coja residiam 531 pessoas.
No livro “Espariz - subsídios para a sua História”, escrito em 1991 pelo falecido padre Dinis, o autor divulga a população do extinto concelho.
Na vila de Coja, por exemplo, moradores eram  83; no lugar do Baril, 10; na  Esculca, 17;  no Pisão, 4;  no lugar Desparyz 28; em Vila Cova, 89: na Cerdeira, 33; na Bemfeyta, 18; no  Salgueirall, 22; em  Vinhoo,7... etc.etc.
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Cadastro da População do Reino (1527) - por João Maria Tello de Magalhães Collaço, Lisboa 1939

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Beneméritos oferecem o cemitério ao Barril




O cemitério do Barril de Alva foi construído por Abílio Nunes dos Santos, um dos proeminentes filhos do Barril de Alva, em terreno do “senhor da Casa do Barril (Quinta de Santo António)”, António Freire Carvalho e Albuquerque.
Para que a memória não se perca, publica-se parte de um documento sobre a doação do referido cemitério.


Cópia de parte da ata da sessão da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Arganil, de 11 de março de 1920.
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DELIBERAÇÕES: “Tendo-se apresentado nesta sessão o cidadão Albano Nunes dos Santos, do Barril, declarou que fazia entrega à Câmara dum cemitério construído naquele povo por seu irmão Abílio Nunes dos Santos, em terreno de António Freire de Carvalho e Albuquerque, com a condição de que o espaço de terreno designado na planta que aqui fica arquivada, sob os números 3, 4 e 5 se considera  pertença da família Nunes dos Santos, e o designado sob os números 6 e 7 da família  Freire de Carvalho,  e ainda também  com a condição de que, se no referido povo do Barril se constituir algum dia uma freguesia, para a Junta respetiva se transfira a administração e a propriedade do mesmo cemitério.-Considerando que o estabelecimento de cemitérios é atribuição da Câmara, como se vê no número 25 do artigo 94 da Lei de 7 de agosto de 1913, mas considerando, por outro lado, que aqui se trata de cemitério já construído, sem qualquer dispêndio da mesma Câmara e que ele é necessário; considerando ainda que a aceitação do mesmo cemitério não resulta encargo, visto que as despesas de conservação ficam  bem garantidas pelas vendas das sepulturas, delibera esta Comissão:-----------------
1.º Louvar o cidadão Abílio Nunes dos Santos pelo melhoramento que dotou a sua terra natal, o qual é e continuação de outros mais,  que lhe dá direito  à gratidão do povo;--------
2.º Aceitar a doação nos termos em que foi feita salvos outros direitos de preferência , caso a Câmara na próxima sessão plenária o entenda por bem;------------
3.º Louvar o cidadão António Freire pela cedência gratuita do terreno do dito cemitério".---
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Está conforme
Arganil, secretaria da Câmara Municipal, 15 de março de 1955
O Chefe da Secretaria
(ilegível)-
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Fonte: Câmara Municipal de Arganil

Alberto Moura Pinto


Alberto Moura Pinto 
nasce em Coimbra, no dia 4 de Abril de 1883, registado como o nome de Alberto Marques. Cursa Direito na Universidade de Coimbra. No período monárquico desempenha o cargo de Administrador Régio do Concelho de Arganil e de Procurador Régio, em Miranda do Douro e São João da Madeira. Mação, está inscrito na Loja Tenacidade, de Coimbra, com o nome de Passos Manuel. Em 1910, participa nas movimentações para a implantação da República, cooperando na Junta Revolucionária de Coimbra. Como deputado, integra as Constituintes de 1911, representando o Círculo de Arganil e cumpre mandatos sucessivos na Assembleia, pelo Partido Unionista, envolvendo-se numa célebre polémica com Veiga Simões, tendo, como pano de fundo, a ida do caminho-de-ferro para Arganil. Com a ascensão de Sidónio Pais, Moura Pinto exerce o cargo de Ministro da Justiça, entre 11 de Fevereiro de 1917 e 7 de Março de 1918. É responsável pela alteração da Lei da Separação entre a Igreja e o Estado.
Em desacordo com a ditadura militar, participa na rebelião de Junho de 1930, tendo sido preso e deportado para os Açores. No ano seguinte, aproveitando a possibilidade de fuga durante a Revolta de 1931, parte para Espanha onde, com Jaime  de Morais e Jaime Cortesão, formam o “Grupo de Madrid”, alcunhados de “Budas”.
Em 1934, uma mudança política em Espanha coloca a direita no poder; os socialistas projectam um golpe, com o auxílio dos exilados portugueses e das armas que, até então, lhes eram fornecidas com o beneplácito do regime deposto. Descoberta a trama, Moura Pinto é enviado para a Prisão Modelo, em Madrid, entre 1934 e 1935. Em 1936, com a vitória da Frente Popular, seguida do golpe de Franco e da Guerra Civil, os Budas declaram a sua fidelidade à República de Espanha, participando na luta contra Franco. O grupo acompanha a mudança do governo republicano para Barcelona, de onde Moura Pinto é transferido para a França; aí actua em prol dos republicanos, buscando auxílio  para o Plano Lusitânia, que pretendia organizar uma invasão de Portugal pelos resistentes portugueses para acabar com o regime de Salazar e sua colaboração com o franquismo. O avanço das tropas franquistas põe fim ao intento dos exilados lusos.
Em 1939, Moura Pinto é obrigado a buscar refúgio no Brasil, na iminência de ser deportado para Portugal, depois de ter sido preso em território francês por estar irregular no país. Com a chegada ao Brasil de Cortesão e Morais, prossegue a sua actividade como oposicionista, integrando o Comité Português Anti-Fascista, criado no Rio de Janeiro em 1945. Neste período,  retoma os contactos com os republicanos espanhóis exilados,  nomeadamente com       o sector galego, comandado por Castelão, a quem os Budas entregam uma credencial para que ele possa representar os exilados portugueses na Assembleia das Nações  Unidas.  Estabelece  contactos como o Movimento de Unidade Democrática, fazendo publicar, em jornais brasileiros, diversos textos contra o regime de Salazar. Durante a campanha de Norton de Matos é o encarregado da angariação de fundos junto dos anti-salazaristas a residir naquele país. Na década de cinquenta, Moura Pinto participa nos debates sobre o problema colonial e o posicionamento de Portugal na questão da Goa. Regressa  a Portugal em 1957. Com Jaime Cortesão, antigo companheiro de exílio, apoia com relutância a candidatura de Humberto Delgado.
Falece em 9 de Março de 1960.
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domingo, 5 de julho de 2020

Nova freguesia - Projeto de Lei



Em 24 de abil de 1924 foi tornado público o projeto da lei  que foi apresentado ao Parlamento pelo Dr. Alberto Moura Pinto, deputado pelo círculo de Arganil, para que fosse criada a  freguesia do Barril de Alva.


"Senhores deputados:
A freguesia de Vila Cova Sub-Avô, no concelho de Arganil, é uma das mais antigas do país e compõe-se de várias povoações, entre as quais figura a povoação do Barril. Tanto a povoação que faz a sede, como esta última se têm desenvolvido consideravelmente há uns anos a esta parte, mercê do esforço dos seus habitantes, que na sua maior parte procuram em Lisboa, onde constituem numerosa, ativa e honesta colónia, e no Brasil e América do Norte, angariar uma abastança com que regressem aos seus lares.
O Barril, apesar de ser o povo de constituição mais recente, atingiu tal desenvolvimento que hoje, por si só, se sente capaz de formar organismo administrativo à parte, tendo-se dotado gradualmente de todos os elementos que o impõe à consideração do Estado e da opinião pública.
Assim, e sem intervenção do Estado, construiu, a expensas da benevolência particular dos seus mais ilustres conterrâneos, casas de escola para os dois sexos, cemitério público, ampliação de uma capela transformada em igreja, conservação e melhoria dos seus caminhos, valioso comércio local, etc, elementos estes que, ao passo que foram sendo criados, lhes fizeram ganhar consciência da sua independência e um vivo desejo de a obter.
Separadas as duas povoações pelo rio Alva, às margens do qual estão fundadas, este desejo, afervorou-se a tal ponto que as duas povoações, que entre si têm laços estreitos de parentesco, começaram de não se entender e, por equívocos repetidos, se encontram hoje em aberta hostilidade, a que tudo serve de pretexto.
O natural amor pela independência, que não é contrariado sequer pela maioria dos habitantes da sede, degenerou em lamentável rixa, que inevitavelmente produzirá graves conflitos, se o Estado não acudir, separando o que a natureza das cousas não permite ter já reunido.
A índole das duas povoações é pacífica e generosa e só estes sentimentos, postos em jogo pelos dirigentes políticos de todas as matizes têm conseguido evitar desastrosas consequências, a que o orgulho e o brio de cada uma, levado a um grau de desatinada paixão, podem levar povoações desavindas.
O signatário garante ao Congresso da República que neste desejo não há nenhum intuito de pessoal ou mesquinhas política, dando-se até a circunstância de viver e ter os seus haveres na velha freguesia de Vila Cova, à qual continuará a pertencer.
O signatário está e quer estar alheio aos incidentes que as paixões mútuas fazem surgir, desejando apenas o bom nome, a prosperidade e o sossego a que os seus conterrâneos têm direito, pela vida honrada que sempre levaram.
A apresentação do presente projeto é, pois, somente inspirada no propósito de justiça, na verificação de um facto de ordem social que tem o seu determinismo e a que é absurdo opor obstáculos: a povoação do Barril atingiu a sua maioridade e a de Vila Cova não carece de ela para a sua vida, e só a independência administrativa garantirá a boa ordem, a calma nos espíritos e o regresso aos bons tempos de harmonia.
Pelos documentos juntos prova-se a razão do pedido. E porque as duas povoações, à beira do Alva, desejam tomar como apelido o nome do seu rio, o que as distinguirá de outras terras, com a sua denominação, submeto à apreciação de vv.exªs, o projecto que se segue, em que se faz a criação da freguesia do Barril e se satisfaz esta última aparição".
PROJECTO DE LEI
Artº 1º - É desanexada da freguesia de Vila Cova Sub-Avô, concelho de Arganil, a povoação do Barril, a qual passará a constituir uma freguesia, denominada Barril de Alva, ficando as duas freguesias delimitadas entre si pelo rio Alva, afluente do Mondego.
Artº 2º - A freguesia de Vila Cova Sub-Avô passará a denominar-se Vila Cova de Alva.
Artº 3º - Fica revogada a legislação em contrário”.


sábado, 4 de julho de 2020

Do Barril de Alva a Avô

O padre José Vicente, que usava o pseudónimo Gil Duarteem 24 de setembro de 1943 publicou na “Comarca de Arganil” uma das suas  “crónicas de viagem”, de onde  se retira a seguinte passagem:

“Do Barril de Alva a Avô, a vista espraia-se pelo maravilhoso cenário que vamos atravessando.
Os campos admiravelmente “atapetados” de verdejantes milheirais sorriem-nos prometedores. A penderem os muros sarmentosas variegadas - albergues dos passarinhos.
Ao lado, o Alva, serpenteando-se, escondendo-se por entre os arbustos que orlam as suas margens.
Aqui e ali, uma ou outra moradia, senhora de extensas várzeas, onde a simplicidade se casa com o silêncio.
Além, surge-nos agora, donairosa a povoação. O sr. Padre  Nunes Pereira, cheio de gentileza não espera que pergunte ,mos.
Diz-nos que se trata de Vila Cova de Alva, outrora Vila Cova de sub-Avô.
 Avançamos e, em breve, estávamos em Avô, a célebre rainha castelã que outrora foi sede de concelho, mas que será sempre gloriosa, mesmo depois de vencida (…)”.
(AIACO . "Ecos do Alva", setembro de 1969)
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 O padre José Vicente foi redator de “A Comarca de Arganil”, em Lisboa, pároco em Coja e outros lugares. e pertenceu aos quadros redatoriais do jornal Época, de Lisboa.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Casal Cimeiro


"Ontem"...

A aldeia do Barril de Alva está distribuida por três casais: Casal Cimeiro, Casal do Meio e Casal Fundeiro. Possivelmente,  esta vista do Casal Cimeiro é a única conhecida dos tempos em que os campos eram tratados com rigor. O palacete  da família Nunes dos Santos, junto à mancha de eucaliptos, e no lado oposto, na margem direita da fotografia,  a Quinta das Mimosas sobressaem  na paisagem

Hoje


terça-feira, 23 de junho de 2020

Barrilense ilustre


José Quaresma Nunes dos Santos nasceu a 29 de Novembro de 1923 na aldeia de Barril de Alva. Depois de acabar a escola primária nesta localidade, com nove anos ingressa no Liceu José Falcão, em Coimbra. 
Em 30 de Novembro de 1946 termina o curso de Matemáticas Puras, recusando o convite para se tornar assistente na mesma universidade; pede equivalências do seu primeiro curso e, no ano seguinte, completa Engenharia Geográfica.Começa a trabalhar para o IGC (Instituto de Geografia Cadastral) no Departamento de Geodesia, fazendo trabalhos de Triangulação, Nivelamento de Alta Precisão, efetuando várias viagens em trabalho por todo Portugal. Casa-se a 17 de Julho de 1948 com Maria Teresa das Neves de Jesus Santos Nunes dos Santos.
Sai do IGC para se juntar ao IITC (Instituto de Investigação Científica e Tropical), nomeadamente à MGM (Missão Geográfica de Moçambique) em 1953, fazendo viagens de seis em seis meses para Moçambique até 1964. Em 1964, com a saída de um Decreto-Lei acerca da permanência de alguns engenheiros (chamados residentes) nas províncias portuguesas, muda-se com a família (Mulher e filhos) para Lourenço Marques, onde permanece residente até 1974, realizando os trabalhos que já exercia no IGC, tal como Medições de Base, Gravimetria e Astronomia, agora para a MGM.
Após o regresso para Portugal mantém o seu cargo na Repartição da MGM na Praça João do Rio n.º 2, em Lisboa, sendo esporadicamente convidado para fazer trabalhos técnicos para o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), como por exemplo a manutenção de barragens, em particular a manutenção da barragem da Agueira, onde efetuava observações, até à sua morte no dia 24 de Abril de 1983.
(Recolhido por Carla Ramos, natural de Moçambique - arquiteta paisagista). 
. Foto cedida gentilmente pela família Nunes dos Santos - texto de Tiago Hirth