A emoção de ter inveja - parte II

A Graça é  uma das  amigas de quem tenho saudades, sobretudo do tempo em que, ao final da tarde, depois de um dia de "engenharias" ao serviço do PDM do municipio de Oliveira do Hospital,  vinha ao meu  "Ritual" (bar)  tomar o seu chá.  Chegava quase sempre de sorriso bonito  a enfeitar o rosto  ( igualmente bonito...) e trazia, por norma, tema de conversa interessante; por altura das férias, comentavamos os  ( seus ) eventuais destinos, por isso  dediquei-lhe uma das minhas croniquetas, que fiz publicar no "Correio da Beira Serra" de boa memória.
Agora, há poucas horas,  "provocou o meu lado invejoso"  numa breve mensagem: estive de férias na China e no Tibete!!!
Imaginem ... por onde andou a Graça!
Vai daí, para fazer fé da minha (renovada) "inveja", decidi republicar  a croniqueta de outros tempos com ligeiras alterações e dedicatória personalizada  à Graça,  com " os olhos em bico", e ao casal João Luís / Rosa Maria, "feitos"  descobridores  do Etna  em viagem por mares "antes navegados"...
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Alguns dos meus amigos estão de férias e a minha inveja é proporcional à qualidade imaginária das ditas, isto é: se o destino foi a Figueira, vá que não vá; Algarve, eriçam-se os cabelos, se foram de abalada até Punta Cana e arredores, começo a ficar vermelho, mas quando me chegam notícias da velha Europa, do tipo: “olá, por aqui está tudo bem, estou a jantar em Varsóvia (…), a passear por Riga (capital da Letónia, imaginem!) …”etc e tal, chispo labaredas!
A inveja é um tipo de sentimento interessante, estou de acordo com Rui Zink, escritor de mérito - que aprecio por certa linguagem desabrida - porque quando existe, a inveja, é sinal de que ambicionamos o mesmo que o parceiro do lado: emprego “fixe” e bem remunerado, talvez um carrinho com motor, mais actual, mesmo uns dias de férias em paragens de puro exotismo panfletário, por exemplo….
Diz o escritor: “…Calar uma emoção tão salutar como a inveja, que é o desejo de estar melhor (e não necessariamente o desejo de o outro estar pior), leva a quê? Ao sufoco, à castração emocional…” – uff, nem mais!
A partir deste “elogio”, alguém se atreve a condenar uma das minhas invejas, por mais pequenina que seja?
Haverá outras “invejas” que não são próprias de gente de bem, mas enfim...
Ora, a minha inveja, perfeitamente assumida, não é incomodativa, apesar de tudo, e como não faço uso dela, fico-me pelas raivinhas, igualmente invejosas e assumidas, sobre as viagens, passeios e visitas turísticas dos meus amigos.
Bom, falava de férias e da inveja que me corrói as entranhas pelo gozo com que os meus amigos ostentam o tom moreno trazido da praia - praia para mim é uma chatice: areia em demasia, água salgada, ondas revoltas, sol, muito sol… calor! Praia de jeito é a que tem esplanadas, mesas e cadeiras confortáveis, cervejinhas bem frescas, e, já agora, uns camarões grelhados para desenjoar da bebida; se houver mar calmo e o reflexo da lua nas águas vier acompanhado do romantismo de companhia agradável e gentil, tanto melhor……
Recordo que o ano passado, por esta altura, sofri da mesma maleita; dados os factos passados e presentes, acho que sou portador de um “vírus crónico” que não se dá nada bem com este tempo… de férias.
-“Hoje estou em Tallinn ( capital da Estónia)” e estou a adorar… – escreve a Graça, para me “irritar”, só pode.
Quando voltar, há-de contar tudo, tintim por tintim…
(... Desta vez  quero  ouvir o que a Graça aprendeu a dizer em... chinês - convidei-a para um chá sem "segredos"...)

Comentários

Ailime disse…
Amigo,
Passei apenas para o cumprimentar e dizer que essa é uma inveja saudável.
Por outro lado não passo sem também lhe dizer que há duas semanas andei de novo por aí perto, mas como o destino desta vez era outro não fomos a essa maravilhosa terra.
Oportunidades não faltarão.
Um beijinho da
Ailime