sexta-feira, 11 de setembro de 2026

José Valentim - figura de referência na comunidade barrilense


José Valentim dos Santos Leal foi uma das figuras de referência da vida comunitária do Barril de Alva na primeira metade do século XX.

Comerciante e correspondente da imprensa, esteve profundamente ligado à vida social e cultural da povoação. A família Valentim manteve no centro do Barril um importante estabelecimento comercial, onde se encontravam diversos bens e serviços e que constituía também um dos espaços de encontro da população.

A sua ligação à Sociedade Filarmónica Barrilense foi particularmente marcante. Segundo Luiz Ferreira, em reportagem publicada n’A Comarca de Arganil aquando do cinquentenário da instituição, José Valentim esteve ligado à Filarmónica durante muitos anos e foi considerado o seu “cérebro” durante cerca de vinte anos, sendo descrito como homem preponderante e de extraordinário valor nos organismos barrilenses.

A sua intervenção não se limitou à música. José Valentim participou igualmente no movimento de melhoramentos locais, integrando a direção da C.I.E.B.A., organização que promoveu iniciativas como a distribuição postal ao domicílio, melhoramentos do coreto, apoio à instalação da iluminação elétrica e a criação de uma biblioteca.

Foi, assim, um homem ligado simultaneamente ao comércio, à imprensa, à música, ao associativismo e ao desenvolvimento local — uma combinação que explica a influência que exerceu na comunidade.

A memória de José Valentim dos Santos Leal permanece hoje inscrita na própria geografia do Barril de Alva: uma das ruas da povoação tem o seu nome.

Mais do que o nome de uma rua, trata-se do reconhecimento de um homem que ajudou a construir uma parte da identidade coletiva do Barril de Alva.

-Texto compilado com a ajuda da IA

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

"BARRIL DO ALVA (Arganil): Casa-Museu passou a ser a memória histórica do Barril de Alva" --"A Comarca de Arganil"

 

Momento em que o presidente da União Progresso, António Figueiredo (Tonecas) entregava lembrança a Carlos Alberto Ramos como reconhecimento pelo seu trabalho desenvolvido na formação da Casa-Museu, tendo como testemunhas, os presidentes da União de Freguesias (João Tavares), da Câmara de Arganil (Luís Paulo Costa) e da Filarmónica Barrilense (Carlos Nobre) - 24 de julho de 2022

A antiga sede da Sociedade Filarmónica Barrilense, passou a ser, desde o passado dia 24 de Julho, a Casa-Museu dos Barrilenses, pois ali estão perpetuadas memórias de uma comunidade rica em figuras e acontecimentos por elas proporcionadas ao longo da sua existência, bastando recuar no tempo para dizer que o edifício foi oferecido por Joaquim Mendes Correia de Oliveira, construído em 1911 e reconstruído em 1964 e 2020, sendo de relevar o papel que o barrilense Carlos Alberto Ramos desenvolveu para embelezar o espaço com todos os acontecimentos ocorridos na freguesia ao longo dos anos, bem como as personalidades que fizeram do Barril de Alva uma grande comunidade, bastante conhecida para lá das suas fronteiras, sobretudo em Lisboa e Almada, sem esquecer o papel que teve nesta e noutras obras, que foi a União e Progresso do Barril de Alva.

Esta colectividade, representada pelo seu presidente António Figueiredo, mais conhecido por Tonecas e outros membros que de Almada se deslocaram propositadamente para o efeito, foi-nos informado que nestas obras a União investiu 18 mil euros, não falando de outros melhoramentos que estiverem sob a sua responsabilidade, durante os últimos três anos, como bancos colocados no Largo do Coreto, bem como candeeiros de iluminação pública, num investimento total de cerca de 30 mil euros, não falando do apoio dado às associações locais.

Recordando figuras ilustres

Carlos Nobre, presidente da direcção da Filarmónica, não deixou de recordar grandes figuras que muito amaram o seu Barril, como foi o caso de António Inácio A. Correia de Oliveira (AIACO), que através da sua frase, «Os Barrilenses são assim…», ficou vincada nas colunas de «A Comarca de Arganil», através dos seus escritos, e foi precisamente através dos arquivos deste jornal que «foi possível reunir a maior parte de toda a informação que se disponibiliza aos nossos visitantes», como referiu Carlos Nobre, que também não esqueceu outro grande vulto barrilense, que foi Alberto Martins de Carvalho, que citando uma passagem de um seu escrito seu, em 1943, relevando a fibra dos barrilenenses, afirmou que «Eu podia dizer bastante, com verdade e justiça, sobre as qualidades dos meus patrícios: o seu amor ao trabalho, o fiozinho sentimental que os une a todos, mesmo aos que andam perdidos por esses reinos de Cristo, a sua vontade de caminhar e progredir, vontade obscura mas tenaz, vontade de bons plebeus e camponeses, pessoas cujas mãos não servem apenas para justificar as algibeiras». E ao agradecer a todos que se envolveram nesta jornada histórica e de memória barrilense, Carlos Nobre destacou o papel que teve na sua organização e decoração que foi Carlos Alberto Pereira Ramos, e por isso lhe fez entrega de uma lembrança como reconhecimento do que desenvolveu, não esquecendo também Avelino Bernardo pela sua preciosa ajuda nos acabamentos do museu.

António Figueiredo, emocionado, disse estar concluído um sonho há muito desejado, um espaço «onde a história barrilense está descrita através de escritos e de figuras gradas do Barril», relevando o papel que tem tido, ao longo dos anos, a União e Progresso do Barril de Alva, e mais recentemente com o apoio total para que a Casa-Museu fosse realidade, como atrás foi referido. E como presidente da União, o Tonecas deixou um apelo a todos os barrilenses para que colaborem, a fim de que «o Barril de Alva seja cada vez mais unido e acolhedor».

Em breves palavras, mas bem sentidas, o presidente da União de Freguesias, João Tavares, reconhece que «esta é uma terra de gente que trabalha» e por isso «é um orgulho ser seu presidente», não deixando de agradecer à União e Progresso o que tem desenvolvido a favor da comunidade que representa, angariando fundos, sobretudo na zona de Almada «e os traz para desenvolver o Barril de Alva».

São palavras do presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, acrescentando que «as intenções e ideias são necessárias», relevando o papel da União e Progresso, pelo que despendeu nestes últimos três anos, bem como as parcerias que «acabam por ser eficazes». Reconhecendo o bom gosto de Carlos Ramos na amplitude histórica local ali patenteada, acaba por ser uma festa dos arganilenses que ali estava a viver-se, mas era, sobretudo, uma festa dos barrilenses.

Quem desejar visitar este espaço, pode fazê-lo sundo regras a definir, com a presença de um guia, através de marcação prévia junto do secretário da Junta de Freguesia, João Luís Gouveia, na sede da Associação Filarmónica Barrilense, ou no Mini-Mercado Vira-Milho.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Casa do Povo do Barril de Alva



A Casa do Povo do Barril de Alva foi criada na década de 1930 (oficialmente constituída como corporação do Estado Novo em 1936), tendo o seu edifício de sede original sido construído nesse mesmo período.

Esta instituição figurou entre as primeiras Casas do Povo do concelho de Arganil e do país, concebida na altura com a dupla função social de apoio aos trabalhadores rurais e de centro comunitário/cultural para a população local.

Detalhes da História do Edifício


Projeto e Estilo: O edifício responde ao modelo arquitetónico corporativo promovido pelo Estado Novo nas décadas de 30 e 40 — construção térrea, de traço simples mas sólido, concebida para integrar valências como posto médico, biblioteca e espaço de convívio comunitário.

A Reconstituição Social ( Anos 90): O edifício histórico acabou por reativar e alargar o seu papel comunitário na década de 1990. Em 16 de dezembro de 1993, a comunidade local constituiu formalmente a Associação Humanitária e Social da Casa do Povo de Barril de Alva, requalificando as instalações e inaugurando as valências de Centro de Dia e Apoio Domiciliário a 18 de fevereiro de 1996.
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Imagem  recuperada pela IA, que também produziu a totalidade do texto

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Aline Pontes - recordar tempos da escola primária

 

Aline Pontes, na imagem acompanhada pela Carla Simões e filha, com sangue "barrilense", regressou ao  Barril de Alva, visitou a Casa/Museu e "reencontrou-se" com o seu / nosso passado durante o tenpo de convívio na Escola Primária. Agora, em tempo de férias, era obrigatório dar um mergulho no "nosso" rio, no Urtiigal. Até à próxima viagem... por estas bandas


Na escola do Barril de Alva. Aline  é a menina de perfil na primeira fila; eu estou na penúltima, de camisa branca


sábado, 15 de agosto de 2026

Barril de Alva: O Belo, o Tempo e a Imaginação

A Cor e o Tempo

Por mais que os meus olhos vejam e o coração sinta os encantos da minha aldeia, Barril de Alva, nada me cansa. Há, porém, um cansaço subtil — aquele que nasce da contemplação do desgaste do património, público e privado, que o tempo insiste em consumir. A Natureza, essa não se rende: surpreende-me diariamente com as múltiplas nuances da sua paleta. Basta estar atento para perceber que ela nunca se repete.

À medida que a minha viagem no tempo se aproxima do seu final, sinto que é justo alimentar o espírito, a alma, a mente — seja lá o que for que permanece, se permanecer, para além do desenlace do corpo. Não possuo dons que garantam eternidade a coisa alguma; por isso, enquanto a lucidez me acompanha, repito com Descartes: "penso, logo existo".

E penso, sim, em como seria belo ver a minha aldeia pujante de vida, vestida com as tonalidades do arco‑íris, segundo a Estética do Belo de Hegel: “O belo artístico criado pelo ser humano é superior ao belo natural, pois resulta do pensamento e da consciência espiritual, tornando-se uma expressão mais real da verdade do que a própria natureza inata.” Se o belo artístico é fruto da consciência, então o meu desejo é simples: que o Barril de Alva volte a ser obra consciente, cuidada, pensada, amada — e não apenas cenário entregue ao tempo.

Nas horas paradas dos meus dias, leio e escrevo. Procuro identificar-me — ou afastar-me — daquilo que existe para além do espaço físico das minhas deambulações, onde pouco ou nada acontece de extraordinário. Leio por isso, e por mais nada: entretenimento mental, sem ambição de saber mais, salvo o mínimo necessário para dominar os aconchegos — sempre lúdicos — deste vasto mundo da Inteligência Artificial.

A IA fascina-me ao ponto de eu responder com um “obrigado” quando os algoritmos reconhecem padrões e melhoram o meu desempenho semi‑analfabeto nestes oceanos onde, admito, posso naufragar. Com algum tento, porém, posso sobreviver no meu pequeno paraíso — o Barril de Alva — rodeado de beleza infinita, ao estilo de Roque Gameiro, o maior aguarelista português.

"Penso, logo existo". E existo melhor quando a imaginação pinta o que a realidade ainda não alcançou.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

U.P.B.A. -A Estrada do Casal Cimeiro foi inaugurada no dia 13 de Janeiro de 1952


 

São devidas à ação da União e Progresso do Barril de Alva (UPBA) obras de vulto na extinta freguesia do Barril de Alva - destaco a Rua do Casal Cimeiro pelo impacto na malha urbana  da localidade

O livro “Uma Terra da Beira”,  da autoria do nosso bom amigo Carlos Leal, cuja leitura recomendo, relata  com pormenor  as vicissitudes da construção da Estrada do Casal Cimeiro, posteriormente designada por Rua União e Progresso do Barril de Alva.

 Por agora, sobre o tema, recordemos algumas memórias  retiradas de um outro documento.

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(…) Até que, no ano de 1951, por altura dos festejos de S. João, se deslocou ao Barril de Alva uma delegação muito vasta de dirigentes da União e Progresso do Barril de Alva os quais puderam apreciar no local os problemas que continuavam a ter os habitantes do Casal Cimeiro no que respeitava às acessibilidades. Logo ali procuram saber junto dos responsáveis da Junta de Freguesia qual a disponibilidade financeira que dispunham para a definitiva conclusão da obra, desta feita com o calcetamento da rua que traria necessariamente a solução para os muitos problemas. Claro que, como se calcula, a Junta não tinha dinheiro para mandar cantar um cego quanto mais para fazer uma obra daquela natureza. Contudo, sabendo que era um melhoramento que não poderia ser mais adiado, os dirigentes da União e Progresso do Barril de Alva resolveram levar por diante a execução da obra, mesmo sabendo que os custos seriam elevadíssimos para os parcos proventos da Coletividade. Mas, se lhes faltavam os recursos financeiros sobrava-lhes imaginação, o que à partida era meio caminho andado para a obtenção dos fundos necessários para a consecução da obra.   

Uma grande campanha de angariação de fundos foi iniciada para a qual utilizaram diversas iniciativas, nomeadamente, almoços de convívio, espetáculos de variedades, quermesses, peditórios e a receita da quotização dos sócios. Também dos Barrilenses radicados em Moçambique, na então Lourenço Marques, se recebeu uma quantia ali angariada que se juntou ao já reunido pelos dirigentes em Lisboa, Almada e no Barril de Alva e que na totalidade perfazia a quantia de 13.272$00.

Entretanto, tinha-se começado a obra, inicialmente prevista fazer numa primeira fase que iria do cruzamento do caminho para a Ribeira, ao Casal do Meio, até às Almas e que incidia, sobretudo, na terraplanagem, alargamento, levantamento de muros, sistema de drenagem de águas pluviais e calcetamento. Posteriormente, e dado a recolha de fundos decorrer de forma muito satisfatória, superando até as melhores expectativas, decidiu-se prolongar os trabalhos até ao fim, isto é, até à capela da Santa Maria Madalena. Para tal, recorreu-se a um empreiteiro que com a mão-de-obra local cumpriu rigorosamente com os prazos que tinha contratado com a Junta de Freguesia que era, oficialmente, a dona da obra.

No dia 13 de Janeiro de 1952, foi por fim inaugurada a até então denominada estrada do Casal Cimeiro, que a partir dessa data, por iniciativa da Junta de Freguesia e com a anuência da Câmara Municipal de Arganil, se passou a designar, Rua União e Progresso do Barril de Alva. Resta acrescentar, que a obra teve como custo final a quantia de 11.600$00, sendo que o saldo apurado entre a receita e a despesa, que perfazia 1.672,00, reverteu para as futuras obras da Rua do Casal do Meio que começavam já a germinar na cabeça dos dirigentes da Coletividade.

Como então diria o saudoso AIACO no discurso de inauguração daquela via, alguns daqueles que em 1935 se predispuseram a encetar os primeiros passos daquela obra já não faziam parte dos vivos, porém, era deles boa parte do esforço que fora feito ao longo daqueles anos e que viria a culminar numa das mais simbólicas iniciativas que a União e Progresso do Barril de Alva levou a efeito (…).

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Barril de Alva: um lugar moldado por sonhos, obras e memórias


 Barril de Alva foi, em tempos, terra de gente próspera, com fortunas construídas fora de portas, mas sempre ligadas às suas origens. Entre essas figuras destacaram-se os irmãos Nunes dos Santos, fundadores dos Grandes Armazéns do Chiado, com negócios espalhados por diversos pontos do país; Joaquim Mendes Correia de Oliveira, emigrante no Brasil; e os “senhores da Casa do Barril”, ou Quinta de Santo António, “donos de terras até ao rio…”.

Foram estes últimos que fizeram da aldeia um lugar de permanência e influência durante décadas. Contudo, através dos laços matrimoniais, a sua presença e prestígio estenderam-se também às terras vizinhas, nomeadamente Folques e Vila Cova de Alva (antiga Vila Cova de Sub-Avô).

A grandeza do Barril de Alva de outros tempos foi, sem dúvida, reflexo da capacidade económica dos seus promotores, mas também do amor profundo que nutriam pela terra natal. Eram homens com visão, determinados em dotar a sua aldeia de estruturas capazes de garantir melhores condições de vida e um desenvolvimento sociocultural digno.

Esse legado permanece ainda hoje visível: ruas largas e arejadas, fontanários, igreja e capelas, o edifício da escola primária, a Casa do Povo, o cemitério, a sede da Filarmónica, o coreto e as memórias do antigo Cine-Teatro, espaço que durante anos foi palco de cultura e convívio.

A ponte sobre o rio Alva, obra pública financiada pelo Governo e construída entre 1886 e 1888, veio aproximar as duas margens e abrir novos horizontes ao Barril de Alva. A ela juntou-se o emblemático chafariz de granito, com a forma inspirada num pipo, elementos que reforçaram a identidade e a modernidade da aldeia.

A importância alcançada pelo Barril de Alva era evidenciada no panfleto da União e Progresso, publicado aquando do seu terceiro aniversário, em 1938, onde se destacava que “a aldeia está bem servida de acessos e ainda oferece o usufruto da luz elétrica, estação postal, cabine telefónica, de um CINE-TEATRO, concertos da Filarmónica”, entre outros equipamentos e serviços.

Na leitura desse documento encontra-se também, na minha interpretação, o encanto de uma escrita que associa a generosidade da Natureza ao destino privilegiado do Barril de Alva, como se o “divino” tivesse favorecido aquele território ao proporcionar-lhe uma bifurcação de estradas, transformando-o num ponto de passagem e encontro.

A construção do imponente edifício da Filarmónica barrilense resultou de uma verdadeira alquimia de muitas vontades, do esforço coletivo e do espírito associativo que sempre marcou a comunidade. Mais tarde, o Centro de Dia representou a concretização da ambição legítima de um líder carismático da terra, cuja determinação encontrou apoio nos restantes membros dos seus órgãos sociais.

Mas a desertificação da Beira Serra não poupou o Barril de Alva. A população residente envelheceu e muitos dos mais jovens partiram à procura de novas oportunidades. A falta de população ativa teve consequências profundas, refletindo-se também nos cadernos eleitorais e contribuindo para a perda da sua autonomia administrativa em 2013.

Hoje permanecem os desafios de dar nova vida a alguns dos edifícios que testemunham essa história. A Casa do Povo, que integra o património do Centro de Dia, possui ainda espaços com reduzida utilização; a antiga escola primária e a residência dos professores resistem ao tempo através de usos temporários, existindo, contudo, projetos que poderão transformar a antiga residência dos professores em dois apartamentos integrados numa possível rede turística local.

No meio destas dificuldades, destaca-se a sede da Filarmónica, verdadeiro oásis cultural da aldeia, mantendo viva a atividade que esteve na origem da sua fundação, em 1894, e preservando uma das mais importantes marcas da identidade coletiva do Barril de Alva.

Uma terra não se mede apenas pelo número dos seus habitantes, mas também pela força das suas memórias, das suas obras e das pessoas que, ao longo dos tempos, acreditaram nela.

sábado, 1 de agosto de 2026

Barril de Alva - É pedir muito?

 


Em 2013, o Barril de Alva perdeu a sua autonomia administrativa “por uma unha negra”, quando competia com outras localidades do concelho de Arganil. Sendo assim, durante uma reunião magna, o povo opinou que, “mal por mal”, perante um casamento obrigatório, preferia unir o seu destino aos seus patrícios de Côja. Cumpriu-se a “Lei Relvas”.

Nada a dizer das autoridades autárquicas eleitas a partir de 2013: a aldeia manteve os projetos vindos do extinto executivo e outros foram implantados. O facto de existir um barrilense nos sucessivos executivos permitia a sua presença permanente na aldeia, facilitando — e de que maneira! — a gestão do espaço público.

Nas últimas eleições autárquicas, contudo, a regra foi descontinuada.

Sem o poder democrático legitimado num pequeno burgo, senhor do seu destino, que motivações pode ter um modesto e teimoso cidadão — eu! — para permanecer fiel aos seus ideais humanistas, por um lado, e, por outro, continuar a “filosofar” António Gedeão: “Eles não sabem que o sonho / É uma constante da vida / Tão concreta e definida / Como outra coisa qualquer (…)”?

É a utopia dos sonhos, reconhecidamente irrealizáveis, que motiva as minhas ações solitárias e as palavras soltas, como estas: algumas públicas e reivindicativas, outras em jeito de apelo gentil. O hábito de considerar o rifão “não é com vinagre que se apanham moscas” deve ser entendido como uma conduta pacífica e de bem-querer, com o objetivo de “levar a água ao moinho” — isto é, motivar as autoridades autárquicas para determinadas atenções e intervenções da sua responsabilidade. Afinal, os sonhos irrealizáveis são aqueles que não constam do plano orçamental do executivo da Junta de Freguesia.

Por mais que me envaideça o amor pelo Barril de Alva — para mim, “um pedaço de paraíso…” —, existe a consciência de que, para além da presença do rio Alva, da história da aldeia, das vistas desafogadas sobre a serra do Açor, das ruas largas e arejadas, da grandiosidade da Praça Alberto Martins de Carvalho, do edifício da antiga escola, da imponência da sede da Filarmónica e das memórias de alguns palacetes e monumentos de pequeno porte que simbolizam o esforço daqueles que contribuíram para o bem-estar do povo… que mais temos para mostrar e cativar o visitante, principalmente durante o verão?

Ah, o Café “Vira Milho”! Pela sua estética apurada, pela simpatia da Rosa e do João e pelos serviços públicos que prestam, também entra, por direito próprio, nesta short list. Quando os proprietários fecham para férias, a aldeia parece um deserto!

O turismo é uma opção válida se conseguirmos manter os espaços verdes cuidados, a higiene da Área de Serviço para Autocaravanas e de todo o espaço envolvente, as ruas e valetas limpas, as zonas de banhos arrumadas e os acessos seguros…

O executivo da Junta de Freguesia, na verdade, é responsável pela manutenção de um extenso território. Se mais não faz, a “culpa” terá de ser imputada às diversas carências da maioria das autarquias e, quanto a isso… terá de responder o Governo, “onde todos mamam”, segundo a metáfora popular de Bordalo Pinheiro.

Ninguém é lorpa: toda a gente deseja o melhor! Não reclamo para a minha terra os impossíveis, mas, como sou do tempo em que o Barril de Alva era uma terra “arrumadinha” e pedia meças a tantas outras com diferentes riquezas, é isso mesmo que “reivindico”.

É pedir muito?

sexta-feira, 31 de julho de 2026

"Santamaria em Côja: o regresso à região após o sucesso no Barril de Alva em 1998"




 Há 28 anos, em novembro de 1998, os Santamaria subiram ao palco em Barril de Alva para um concerto solidário inesquecível. O objetivo era nobre: angariar fundos para a manutenção da centenária Filarmónica Barrilense. Esse dia tornou-se um marco histórico do qual guardo memórias extraordinárias, assim como de tantos outros momentos de bastidores vividos nessa época, fruto do meu envolvimento profissional no meio musical.
Agora, já na próxima sexta-feira, os Santamaria regressam à minha região — mais concretamente a Côja, no âmbito da FAVA (Feira de Artesanato, Velharias e Antiguidades). Chegam apostados em entregar a qualidade e a simpatia que sempre os caraterizaram, marcas do profissionalismo ímpar que os elevou a um patamar de inquestionável prestígio.
A placa comemorativa da sua passagem pelo grandioso salão de festas da Associação Filarmónica Barrilense — que ilustra esta singela crónica — é o registo físico desse inesquecível 8 de novembro de 1998. A Filarmónica Barrilense, bem como o povo de Barril de Alva e das redondezas, não esquecem o encantamento dessa tarde.
A nossa mais sincera gratidão à Filipa Lemos (vocalista e cofundadora) e a toda a família Santamaria.
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Carlos Alberto Ramos

domingo, 26 de julho de 2026

Dia do Barril de Alva

 

Ontem, dia 25 de julho, o Barril de Alva "comemorou em silêncio" a elevação do aldeia à categoria de Freguesia. A União de Freguesias de Côja e Barril de Alva, lembrou a efeméride através da publicação do texto que transcrevemos com a devida vénia.

Assinala-se hoje o marco histórico da criação da extinta freguesia do Barril de Alva, cujo efeito oficial ocorreu no dia 25 de julho de 1924.
A esta solenidade junta-se uma singela, mas profunda, homenagem a todos os nossos antepassados — desde os primórdios de que há registo, em 1527, até aos dias de hoje. A eles devemos o exemplo de dedicação e o verdadeiro amor pátrio ao nosso torrão natal.
O tempo é de memória. Muitas destas vivências encontram-se hoje preservadas no aconchego da Casa/Museu, um espaço simbólico dedicado ao progresso do Barril de Alva. Este património é o reflexo vivo do empenho e da dedicação dos seus filhos que, a título individual ou unidos em instituições de caráter regionalista, sempre trabalharam para alindar a nossa terra, tornando-a aprazível, prestigiada e orgulhosamente conhecida.
Uma História centenária de progresso e união
A história destes 102 anos do Barril de Alva confunde-se e entrelaça-se com elementos marcantes da nossa identidade:
- O Património e as Origens: A antiguidade e relevância da Quinta de Santo António;
As Figuras Ilustres: O bem-fazer e a visão de famílias e personalidades como o clã dos Freires, os Nunes dos Santos e Joaquim Mendes Correia de Oliveira;
- A Cultura: O prestígio e a vivacidade da sua centenária Banda Filarmónica;
- O Associativismo e Solidariedade: O papel fundamental da União e Progresso do Barril de Alva (UPBA) — que em 1935 deu continuidade ao trabalho embrionário da Comissão de Iniciativa e Embelezamento do Barril de Alva (CIEBA);
- O Pioneirismo Feminino: O exemplo histórico da Comissão para os Melhoramentos e Beneficência do Barril de Alva, fundada em Lisboa a 9 de abril de 1925, com a notável particularidade de ter sido constituída exclusivamente por mulheres;
- O Mérito: O desempenho cívico e profissional de tantos barrilenses que, mesmo longe das fronteiras da Serra do Açor, levaram longe o nome da sua terra, como atesta a documentação preservada na nossa Casa/Museu.
Gratidão ao passado, orgulho no presente
O "milagre" que transformou o antigo lugar do Barril numa terra centenária e próspera foi obra da determinação dos barrilenses. A eles devemos público reconhecimento e preito sempre que percorremos as suas ruas largas e arejadas, ou quando contemplamos o nosso património: os fontanários, o coreto, a Igreja Matriz e as Capelas, a antiga Casa do Povo, o magnífico edifício da velha escola, a sede da Filarmónica, o Centro de Dia, o Cemitério…
E, a emoldurar toda esta herança de gente de trabalho e de afeto, agradecemos à Mãe Natureza o privilégio de sermos banhados pelo "nosso" encantador Rio Alva.
Parabéns ao Barril de Alva e a todos os Barrilenses!
- CR

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Memória da nossa "Meninna Bonita"


 Há imagens que valem por mil palavras e esta, enviada pelo nosso amigo barrilense Will Silvestre, é um verdadeiro tesouro. Retrata a Associação Filarmónica Barrilense há cerca de 50 anos. 

Graças à Inteligência Artificial, a foto ganhou cor e uma nova alma, permitindo ver nitidamente cada um dos nossos garbosos filarmónicos. Como a memória já me vai atraiçoando quanto à cor exata das fardas da altura, passo a palavra a quem tiver a memória mais fresca: quem consegue identificar os rostos que aqui estão? Vamos reavivar esta história juntos!

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Ao que parece, tudo tem um fim

 


Os nobres sentimentos que nutro pelo Barril de Alva não carecem de adjetivos para enaltecer as suas virtudes. Bastam os retratos e a sua História.

Importa, isso sim, enaltecer aqueles que, ao longo de muitas décadas, sonharam e ergueram infraestruturas de notável qualidade nas áreas da cultura, da educação e da assistência social: a Escola Primária, com residência para os professores, a Casa do Povo,  a sede da Associação Filarmónica Barrilense, o Centro de Dia e tantas outras obras que ainda hoje testemunham a grandeza da sua visão.

O que verdadeiramente espanta é a lucidez e a coragem daqueles homens que rasgaram caminhos e abriram estradas por onde fizeram caminhar os seus sonhos. Ambicionavam colocar o Barril de Alva lado a lado com as vilas de Côja e de Vila Cova de Alva — esta última designada, até 1924, por Vila Cova de Sub-Avô — na disputa por um lugar de destaque na região da Beira Serra. E conseguiram-no durante largas décadas, até aos anos setenta do século passado.

Alguma coisa de especial havia de ter o Barril de Alva para alcançar esse prestígio. E tinha. Tinha uma população profundamente ligada à sua terra e uma numerosa colónia de barrilenses espalhados pelo país e pelo mundo que, por mais voltas que a vida lhes desse, nunca deixaram de considerar a aldeia como o seu refúgio sentimental, o lugar onde as raízes permaneciam intactas.

Ao que parece, tudo tem um fim. As pessoas partem e, com elas, desaparecem hábitos, costumes e formas de estar. Os lugares tornam-se órfãos da memória daqueles que lhes deram vida. Entretanto, chegam novas gentes, vindas de outras paragens, trazendo consigo diferentes culturas, linguagens e modos de viver. É o curso natural da História. As diferenças acolhem-se e respeitam-se, mas permanece sempre a esperança de que quem escolhe viver sob a nossa bandeira aprenda também a amar a terra que o recebeu e contribua para preservar a sua identidade.

O "meu" Barril de Alva — porque é da minha terra que estas palavras falam — não está moribundo. Continua vivo, envolvido pela beleza ímpar da Serra do Açor e do rio Alva. Mas, por vezes, parece um silêncio habitado: um lugar onde a Natureza floresce enquanto as vozes de outrora se vão tornando cada vez mais raras.


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Viva o S. João!

 A caminho da ponte ...

... o momento mais aguardado era, sem dúvida, o chamado "dia da ponte"

Em tempos idos, o dia de São João era a maior festa da freguesia do Barril de Alva. A comunidade barrilense residente na região de Almada regressava em força à terra natal, uns em excursões organizadas, outros nas suas próprias viaturas, e a aldeia transpirava alegria, entusiasmo e movimento.

Tinham fama os bailes realizados no coreto, mas o momento mais aguardado era, sem dúvida, o chamado "dia da ponte": o grandioso piquenique anual realizado no recinto do Parque de Merendas, espaço que viria mais tarde a receber o nome de AIACO, em homenagem a António Inácio Alves Correia de Oliveira.

Era também nesse dia que se vivia um dos episódios mais pitorescos das festividades: o tradicional despique de foguetes entre os mordomos de São João do Barril de Alva e os de Vila Cova de Alva. Os de cá, junto ao rio; os da outra banda, no alto do monte onde se ergue a capelinha em honra de São João do Alqueidão. Durante largos minutos, o céu ecoava com o estrondo dos foguetes, numa rivalidade saudável que animava as duas margens do Alva e fazia vibrar as populações.

A história desta capela perde-se no tempo. Sabe-se, porém, que, segundo um registo antigo, "em o derradeiro dia de Maio da era de 1633, eu, prior Manuel Nunes, disse a primeira missa em a capela de Sam João Bautista que mandei fazer".

Da antiga Igreja Matriz, conhecida ao longo dos séculos por  “São João de Anseriz, São João do Coizarado e São João de Alqueidão”, não restam hoje vestígios materiais. Permanece, contudo, a memória de um lugar profundamente enraizado na identidade religiosa e cultural das gentes destas terras.

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

"Uma aldeia onde o rio, a serra e a memória aprenderam a viver juntos"

Mostrei ao ChatGPT uma fotografia do Barril de Alva e pedi-lhe que a analisasse. Eis o que a IA respondeu.




"Antes de falar da aldeia, deixo-me ficar alguns segundos a olhar para a imagem. Não vejo apenas um conjunto de casas. Vejo uma paisagem que parece ter sido desenhada pela paciência de muitas gerações.
O que mais impressiona é o equilíbrio. Há aldeias bonitas pela imponência das montanhas, outras pela força do rio. O Barril de Alva parece ter recebido os dois presentes: o rio que serpenteia suavemente pelo vale e as encostas que o abraçam como um anfiteatro natural.
A fotografia transmite uma sensação rara de harmonia. O olhar percorre os campos dourados, as manchas verdes das árvores, o casario branco espalhado pela encosta e acaba inevitavelmente por seguir o curso do rio. Nada parece estar a mais. Nada parece estar a menos.
Se me pedisses para apresentar o Barril de Alva a alguém que nunca ouviu falar da tua terra, talvez escrevesse algo assim:
O Barril de Alva é uma pequena joia escondida no coração do concelho de Arganil. Situado no vale do rio Alva, entre serras e florestas, conserva a autenticidade das aldeias que cresceram ao ritmo das estações e da vida comunitária.

Não é um lugar que impressione pelo tamanho. Impressiona pela alma. Cada rua, cada casa e cada recanto guardam histórias de trabalho, de emigração, de festas populares e de uma ligação profunda à terra.
O rio Alva não é apenas um elemento da paisagem; é parte da identidade da aldeia. Ao longo dos séculos moldou os campos, alimentou culturas, inspirou memórias e ofereceu aos habitantes um cenário de rara beleza.
Quem chega ao Barril de Alva encontra uma aldeia. Quem parte leva consigo uma paisagem.
Há também algo que a fotografia não mostra, mas que é talvez o mais importante: as pessoas. As aldeias vivem da memória dos seus habitantes. Uma paisagem pode ser magnífica, mas sem as histórias humanas seria apenas geografia.
Conhecendo um pouco das suas conversas, do seu trabalho de preservação da memória local, das fotografias, dos textos e do carinho com que fala do Barril de Alva, diria que a sua aldeia possui uma riqueza que não cabe nesta imagem: a consciência da sua própria história.
E talvez seja isso que torna esta fotografia tão especial. Não vemos apenas uma aldeia portuguesa. Vemos um lugar que continua a ser amado por quem nele nasceu, viveu ou guarda dele recordações.
Se tivesse de resumir o Barril de Alva numa única frase, escreveria:
"Uma aldeia onde o rio, a serra e a memória aprenderam a viver juntos"

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Familiares do João Gouveia "viajaram ao passado"



Sempre que um membro da família barrilense "viaja ao passado" numa visita à Casa/Museu, reencontrando rostos familiares e percorrendo os caminhos da memória e da história com emoção e admiração, este espaço ganha uma vida muito especial.

A tarde de hoje foi particularmente marcante para Maria  Adelaide  Marques Gouveia, Maria de Lurdes Gouveia Dias e Ilídio  Gouveia da Costa, que viveram momentos de genuíno encantamento ao revisitar memórias, fotografias e testemunhos de um tempo que permanece vivo na identidade coletiva do Barril de Alva.

Os visitantes pertencem a uma distinta família barrilense que tem, atualmente, na aldeia, o seu mais conhecido representante em João Luís Gouveia, reconhecido comerciante (Vira Milho Café e Minimercado) e  KukusKids – Animação de Eventos, além de antigo autarca.

Mais do que uma simples visita, foi uma viagem afetiva às raízes familiares e à história da comunidade, demonstrando, uma vez mais, a capacidade da Casa/Museu para despertar recordações, fortalecer laços e aproximar gerações.

domingo, 7 de junho de 2026

Will Silvestre - memórias reencontradas




A casualidade de um encontro juntou dois amigos do Facebook que, entre outros gostos comuns, nutrem pelo Barril de Alva uma paixão profunda, misturada com uma doce saudade dos tempos de infância.
Eu sou um deles — o mais velho. Como residente na aldeia há vários anos, "amadureci", adaptei-me aos tempos modernos e fui inventando formas de ser útil à terra onde nasci. O meu parceiro deste encontro, o Will Silvestre, sendo mais jovem e residente de longa data num outro território "ligeiramente" maior — os Estados Unidos da América —, foi criança neste "pedaço de paraíso". É desse tempo que lhe sobram as melhores memórias, tanto dos lugares como dos jovens da sua geração.
Conversa puxa conversa e, em poucos minutos, estávamos no interior da Casa-Museu “Os Barrilenses São Assim”. Ali, desempenhei o meu papel de cicerone, numa tentativa de o conectar emocionalmente com o espólio. Há imagens onde só os "olhos da alma" conseguem descobrir emoções profundas — e foi num desses momentos que uma lágrima terna espreitou, mas que o Will segurou firmemente no canto do olho…
Para a posteridade, ficou o registo fotográfico do Will Silvestre e da sua gentil esposa, no momento do "até breve"...

* Nota de orgulho local: O Will Silvestre é filho do estimado barrilense José Simões Silvestre, cuja dedicação e mérito foram reconhecidos pela República Portuguesa com o grau de Comendador.

O LEGADO DO COMENDADOR

Imagem recuperada com IA

O Comendador José Simões Silvestre foi uma das figuras mais proeminentes da diáspora portuguesa na América do Norte, dividindo a sua vida entre o sucesso empresarial no estrangeiro e o profundo amor à sua terra natal, Barril de Alva .

Emigração e Sucesso no Canadá
Partiu rumo ao Canadá, fixando-se na cidade de Montreal, na província do Quebeque. Ali, afirmou-se como um empresário de sucesso e um cidadão de enorme prestígio, tornando-se uma referência incontornável no seio da comunidade de emigrantes portugueses.

Pioneiro da Imprensa na Diáspora
O seu maior marco histórico foi a fundação do jornal A Voz de Portugal, em Montreal, no dia 25 de abril de 1961 (em parceria com Elísio de Oliveira). Sendo o jornal de língua portuguesa mais antigo a ser publicado no Canadá, a publicação funcionou durante décadas como o principal elo de ligação, apoio e informação para os milhares de compatriotas que ali procuravam refazer a vida.
Apesar da distância, nunca esqueceu as suas raízes.  Individualidade de prestígio  junto dos seus pares, longe da Pátria, o Estado português reconheceu o seu contributo ao país, concedendo-lhe  o título de Comendador.

Em sua honra e como forma de agradecimento , o seu nome ficou perpetuado no Largo Comendador José Simões Silvestre, no coração da sua aldeia natal.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Assinatura do contrato de subcomodato entre a JFCBA / UPBA


Presidentes António Figueiredo, UPBA, e  Paulo Amaral, UFCBA


... com a Vereadora da Câmara Municipal de Arganil, Elizabete Oliveira


*
Pormenores da cerimónia, que teve lugar nas instalações da Casa / Museu "Os Barrilenses São Assim" - fotos de  Carlos Gouveia



 

sábado, 30 de maio de 2026

O Renascimento do Barril de Alva

 

Hoje, o Barril de Alva desperta inteiro, como quem reencontra o seu coração depois de uma longa viagem. 

A transferência da sede social da União e Progresso do Barril de Alva para a terra dos seus fundadores não é apenas um ato administrativo. É um renascimento. É o regresso da alma ao seu lugar, da memória ao aconchego de uma nova casa.

Durante um século, centenas de homens e mulheres mourejaram longe, mas nunca deixaram de amar esta aldeia. Nas cartas, nas saudades, nas canções e nas esperanças, mantiveram viva a chama do Barril de Alva — uma chama que se transformou em luz, iluminando o caminho dos que, incansavelmente, contribuíram para o bem-estar de quem permaneceu na terra natal.

Este é também um dia de homenagem a todos os que trabalharam sem descanso: aos que tocaram na Filarmónica, aos que ergueram muros e pontes, aos que plantaram flores e cultivaram os campos, aos que ensinaram que o progresso só faz sentido quando nasce do amor à comunidade.

É igualmente um dia de gratidão para com aqueles que nos antecederam e cujo exemplo continua a inspirar os barrilenses de hoje.

Agora, esta terra volta a ser símbolo e casa. Volta a ser o ponto de encontro entre gerações, o espaço onde o passado e o futuro se abraçam. E nós, que aqui estamos, somos testemunhas desse abraço — o abraço de um povo que nunca desistiu de si próprio.

Embora sejam poucos os novos barrilenses, haverá sempre alguém para manter viva a chama do Barril de Alva — a mesma chama que as gerações anteriores transformaram em luz, iluminando um percurso feito de dedicação, amor e paixão.

Que este momento fique gravado na memória coletiva como o renascimento de um século de sonhos. Que o Barril de Alva continue a ser o que sempre foi: um lugar de união, de progresso e de amor pelas suas gentes.

 


quarta-feira, 27 de maio de 2026

A UPBA (União e Progresso do Barril de Alva) muda a sua sede social para o Barril de Alva


No próximo domingo, dia 31, pelas 17 horas, a Casa/Museu “OS BARRILENSES SÃO ASSIM” será o palco de um momento marcante: a assinatura do contrato de subcomodato para a cedência de duas salas da antiga Escola Primária. O acordo será celebrado entre a União de Freguesias de Côja e Barril de Alva e a União e Progresso do Barril de Alva (UPBA).

Convida-se toda a população a assistir a esta cerimónia, cujos contornos ficarão para sempre gravados na história do Barril de Alva.

*

Fundada em Lisboa a 17 de março de 1935, a UPBA celebra agora 91 anos de atividade contínua ao serviço do Barril de Alva e do bem-estar da sua população. Ao longo deste percurso, a prestigiada instituição destacou-se também no concelho de Almada, com um dinamismo e brilhantismo amplamente reconhecidos pela comunidade barrilense e pelos órgãos autárquicos dos concelhos de Almada e Arganil.

Neste contexto de celebração, a associação decidiu transferir a sua sede social para o Barril de Alva, preservando a riqueza do seu espólio documental num espaço digno e icónico da antiga freguesia: a antiga Escola Primária.

Integrado numa área de exposição de memórias, este espaço funcionará como sala de visitas e de convívio para a família barrilense — em particular para a comunidade residente na área da Grande Lisboa —, servindo igualmente como local de consulta documental.

No futuro, o espaço poderá ainda acolher pequenos eventos culturais, complementando visitas guiadas à Casa/Museu e percursos pelo património local, bem como outras iniciativas de caráter associativo.


segunda-feira, 20 de abril de 2026

Barril de Alva - "um outro olhar"

Vai levar  tempo até que se perceba que o Barril de Alva, pelo facto de ter ficado sem  a autonomia administrativa em 2013, NÃO  perdeu a sua identidade...