Os nobres sentimentos que nutro pelo Barril de Alva não carecem de adjetivos para enaltecer as suas virtudes. Bastam os retratos e a sua História.
Importa, isso sim, enaltecer aqueles que, ao longo de muitas décadas, sonharam e ergueram infraestruturas de notável qualidade nas áreas da cultura, da educação e da assistência social: a Escola Primária, com residência para os professores, a Casa do Povo, a sede da Associação Filarmónica Barrilense, o Centro de Dia e tantas outras obras que ainda hoje testemunham a grandeza da sua visão.
O que verdadeiramente espanta é a lucidez e a coragem daqueles homens que rasgaram caminhos e abriram estradas por onde fizeram caminhar os seus sonhos. Ambicionavam colocar o Barril de Alva lado a lado com as vilas de Côja e de Vila Cova de Alva — esta última designada, até 1924, por Vila Cova de Sub-Avô — na disputa por um lugar de destaque na região da Beira Serra. E conseguiram-no durante largas décadas, até aos anos setenta do século passado.
Alguma coisa de especial havia de ter o Barril de Alva para alcançar esse prestígio. E tinha. Tinha uma população profundamente ligada à sua terra e uma numerosa colónia de barrilenses espalhados pelo país e pelo mundo que, por mais voltas que a vida lhes desse, nunca deixaram de considerar a aldeia como o seu refúgio sentimental, o lugar onde as raízes permaneciam intactas.
Ao que parece, tudo tem um fim. As pessoas partem e, com elas, desaparecem hábitos, costumes e formas de estar. Os lugares tornam-se órfãos da memória daqueles que lhes deram vida. Entretanto, chegam novas gentes, vindas de outras paragens, trazendo consigo diferentes culturas, linguagens e modos de viver. É o curso natural da História. As diferenças acolhem-se e respeitam-se, mas permanece sempre a esperança de que quem escolhe viver sob a nossa bandeira aprenda também a amar a terra que o recebeu e contribua para preservar a sua identidade.
O "meu" Barril de Alva — porque é da minha terra que estas palavras falam — não está moribundo. Continua vivo, envolvido pela beleza ímpar da Serra do Açor e do rio Alva. Mas, por vezes, parece um silêncio habitado: um lugar onde a Natureza floresce enquanto as vozes de outrora se vão tornando cada vez mais raras.

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