Há terras que também se fazem dos sonhos de quem nelas viveu.
O Barril de Alva é, para mim, uma dessas terras.
Entre 2009 e 2013, o executivo da então freguesia ainda acreditava que era possível acrescentar alguma coisa ao futuro. Sonhámos alguns melhoramentos para a terra.
A antiga residência dos professores poderia transformar-se em dois apartamentos, segundo o projeto de um conceituado barrilense. O terreno junto ao “Bosque do Cuco”, na zona do cemitério, poderia finalmente ser loteado. E o caminho para o Urtigal poderia transformar-se numa pequena alameda, dando ao lugar uma nova beleza sem lhe retirar a simplicidade.
Com a colaboração de uma entidade privada, plantámos mais de uma dezena de pinheiros.
Eram pequenos, mas representavam um começo.
Uma árvore nunca é apenas aquilo que vemos quando a plantamos. É também a sombra que dará, o abrigo dos pássaros e a paisagem que um dia poderá criar.
Depois veio o incêndio de 2017.
O fogo levou os pinheiros e, com eles, a alameda que tínhamos imaginado.
Mas não levou tudo.
A memória ficou.
Hoje, uma inteligência artificial conseguiu recriar em imagem aquilo que poderia ter sido: uma alameda de pinheiros crescidos, acompanhando o caminho do Urtigal e dando-lhe a sombra e a beleza que um dia imaginámos.
É apenas uma imagem, talvez.
Mas há imagens que nos permitem voltar, por instantes, àquilo que não chegou a acontecer.
Há dias, voltei ao Urtigal. Fui sozinho.
O caminho estava lá, mas já não era exatamente aquele que tínhamos imaginado. Da antiga plantação restava apenas um pinheiro, grande e frondoso, sobrevivente do fogo e dos anos.
Fiquei algum tempo a olhá-lo.
Um só.
Como se tivesse ficado ali para guardar a memória dos outros.
alguém, um dia, teve a coragem de imaginar.

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