terça-feira, 4 de julho de 2017

"Quinta do Urtigal" recupera mística

Em 2009, quando o  executivo da Junta de Freguesia do Barril de Alva, entretanto eleito, fez o levantamento dos pontos  mais sensiveis para o desenvolviemnto do turismo, facilmente se concluiu que o Urtigal e todo o espaço adjacente ao Parque de Merendas AIACO, junto à ponte sobre o rio Alva, careciam de projetos estéticos   com utilidade prática. "Agradar à vista", sim; cativar as sensibilidades de quem aprecia a Natureza, também, mas...
Com o rio Alva a  "musicar" em estereofonia as águas que serpenteiam por entre  as pedras no tempo do estio, era de toda a conveniência tirar partido desse "espetáculo" em que o corpo pode  conviver em harmonia com o espírito pelo "mergulho refrescante", ou simplesmente ficar em repouso mas atento aos sons que, graciosamente, chegam até nós - todos os sons, incluindo o belo canto dos rouxinois, que se "apresentam" no  concerto como solistas ...
Havendo "tudo isto", com a soberana finalidade de fazer da nossa terra um  local ainda mais aprazível, discutiram-se ideias!
A limpeza do Urtigal (mais tarde soube-se que, em tempos recuados, se chamara Quinta do Urtigal- volume XI da obra “Portugal Antigo e Moderno”, editado em 1886: o lugar do BARRIL e a QUINTA DO URTIGAL fazem parte da freguesia de Vila Cova de Sub-Avô....) junto ao caneiro fez aparecer  ruinas  do lagar e da moenda que ali existiram, por certo durante mais de um século.
Uns pelo conhecimento recente do "crime" cometido  contra  a estrutura de transformação dos alimentos e da habitação onde viveram duas ou três gerações de moleiros, pescadores e agricultores, outros com as memórias frescas, apesar do avanço da idade, todos relataram estórias que, no entender do executivo da Junta,  deveriam ser sinalizadas  de modo a que os vindouros  tivessem a curiosidade de questionar os barrilenses mais velhos:
- O que era "isto"?... 
Foi  com essa finalidade que se ergueu o Parque para Autocaravanas num local onde existem vestígios da pesquisa de ouro pelos romanos, e agora se divulga pelo nome: CONHEIRA...
Foi com essa finalidade que se  ergueu no Urtigal um espaço propício ao entretenimento e convivio familiar e, ao mesmo tempo, terminar definitivamente com as fogueiras dos piqueniques de ocasião...
Depois  da junção de Coja e Barril de Alva, o executivo  eleito para a União destas freguesias não descurou o embelezamento dos locais referidos,  dotando-os de infraestruturas que, embora modestas, são polos de atração para quem nos visita.
O rio insiste  no "diálogo" com quem tem  "conversa" capaz  de entender alguns dos seus segredos e perceber a sua "música". Basta estar atento!
O antigo lagar, agora, adivinha-se ....
A  água fresca e leve da fonte,  dia após dia,  todos os dias, só  espera por quem a possa sorver com  deleite
Diz "quem sabe" que ouviu um elfo cantar:


Junto da bica água cristalina 
à corrente a caminho do Mondego
e faço do olhar mirante da paisagem 
- como é belo o Urtigal !




domingo, 2 de julho de 2017

Da conheira se fez jardim

... os romanos andaram por aqui


Sabe-se que os povos antigos, designadamente os Romanos e os Árabes, exploraram o ouro no leito e nas margens do Rio Alva.
No Barril de Alva, na margem direita do rio, na Área de Serviço e Pernoita para Autocaravanas, ainda existem milhares de pedras redondas (calhaus) que formam uma CONHEIRA - (…) local onde foram amontoados seixos rolados resultantes do trabalho de exploração mineira do ouro pelos Romanos(…) - “e que muito úteis foram na construção da estrada do Barril para Coja “(António Inácio Alves Correia de Oliveira (AIACO) - “ A Comarca de Arganil”
Pela leitura de inúmeros estudos é possível localizar zonas onde surgem (…) testemunhos das lavarias de ouro em que as terras eram lavadas e as pedras redondas (calhaus) arrumados como escombros (…). 
O semanário “Campeão das Províncias”, na edição do dia 26 Agosto de 2016, com o título “Ouro - Maior área mineira de ouro do Portugal romano encontra-se ao longo do Rio Alva, no concelho de Arganil", divulgou (…) a investigação sobre mineração antiga, efetuada por investigadores do CEAACP da Universidade de Coimbra e do Consejo Superior de Investigaciones Cientificas – Madrid (…), e salientou: (…) Os restos que revelam os trabalhos mineiros de época romana concentram-se no concelho de Arganil, ao longo do Alva, sendo esta área mineira particularmente extensa junto a Coja. Entre os vestígios arqueológicos descobertos também se encontram os de um possível acampamento militar romano (Lomba do Canho).
Jorge de Alarcão refere a exploração mineira do Alva, colocando algumas questões relativamente à época da sua exploração, “Nas margens do rio Alva, entre Vila Cova e a confluência do Alva e do Mondego (…) – Direção Geral do Património Cultural.
Trabalho de excelência foi elaborado pela doutora Carla Maria Braz Martins, da Universidade do Minho, Braga, em 2008, sobre A EXPLORAÇÃO MINEIRA ROMANA E A METALURGIA DO OURO EM PORTUGAL (…) principalmente nas margens do rio Alva (vale de Arganil) - página 45.