terras do alva

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"Quatro euros mais Sócrates"

As obras  na estrada entre o Barril de Alva e Coja arrastam-se no tempo - tudo por causa do terreno pouco firme na zona de intervenção.
Oitenta metros de muro de suporte desementem as "sábias opiniões  dos engenheiros de café":  "aquilo é fácil ",  faz-se assim,  e assim, e prontus, "...o melhor é cravar umas estacas", "...cortavam a barreira do lado de cima e mai nada ". Cada cabeça sua sentença, fica-se a pensar por que razão o país "vai de mal a pior" quando todos sabemos de tudo..
- Sai mais uma rodada de minis. Viram o Di Maria? O Benfica nunca o devia ter vendido, porra!
-Ó Rosa, outra rodada!
A vida está  uma gaita com não sei quantos buracos: o "som" perde-se por eles, ninguém afina, ninguém marca o compasso...
Culpa-se o  IVA ( quem é este  cavalheiro, tão mal amado?)! 
Perguntei a um fornecedor qual o preço de cinquenta t.shirts:
 - Quatro euros cada, mais Sócrates!
Sorri, só podia sorrir, claro.
Fiquei de pensar,  se  encontrar dificuldades na "contabilidade", faço como o Guterres:
 - Quatro euros mais vinte e três por cento de IVA... é só fazer as contas!
Ah,  estava a escrever sobre as obras na estrada que está encerrada ao trânsito, não para todos: alguns desrespeitam  e a sinalética e arriscam um mergulho  de mais de cinquenta metros até ao rio...
... Entretanto, dezenas de "gaiolas" de rede estão alinhadas nas bermas; depois de cheias com rocha, farão parte do  muro que há-de suportar a estrada.
Fica uma perguntina no ar: a obra, depois de pronta, merece  inauguração a condizer?
E foguetes a ribombar? O "Manel" encarrega-se disso...

Eu, pessoa

Hoje é dia de domingo frio e chove devagar; eu, sem ocupação suficiente durante a tarde, fiquei preso ao computador e viajei por mundos desconhecidos.
Como sempre acontece nestes dias friorentos e chuvosos, fico indeciso entre a nostalgia e a saudade; todos os sentidos saem de mim e fixam-se num ponto do Índico, num outro tempo, numa outra vida, onde eu existia em função da esperança e da expectativa daquilo que não sou agora. Quando "regresso", sinto-me perdido,demoro a reencontrar-me - basta um sinal (domingos frios e chuvosos... ) e volto a ser homem de outro Oceano, mais perto da serra onde me revejo. Por aqui andou Torga, há memórias.
Lembrei-me de Pessoa, que era Fernando, do que sou, enquanto "pessoa"; e da Ofélia, que sonhei apaixonada!
Volto à biblioteca do disco rígido e descubro Villaret entre tangos, valsas, sambas, "reggae", rock...
Regressaram os sentidos!
Fernando Pessoa.... João Villaret... deleito-me com a " Tabacaria" durante dez minutos e voo cinquenta e sete segundos nas asas da "Liberdade"!
Ainda é domingo.Talvez ouça de seguida marimbeiros de Zavala num outro som, em perfeita harmonia.
Bayeeeeeeeeeeeete!!
...
In "Ritual"



domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Plim"

O sininho está fixo no muro, possivelmente desactivado, sem uso, mas adivinha-se o seu passado.É pequenino, tão pequenino que passa despercebido a quem passa.Bem  gostaria de lhe conhecer o timbre: "plim"! 

Finalmente, as obras!







Quem conhece o sítio, entre o Barril de Alva e Coja, sabe que os  trabalhadores  olham o rio, que corre mais abaixo e vai de "barriga cheia".A pausa no trabalho serviu - disseram eles! - para avaliar o perigo da derrocada da encosta.Dois dias depois, finalmente encontraram  terreno firme para avançar com as obras do paredão - em alguns sítios terá quatro metros de largura!
Tempos atrás, reclamava-se pela obra, agora reclama-se pela execução da dita ( pelos constrangimentos óbvios...)
...Pede-se paciência, por favor - paciência é uma "ervinha" que não está à venda nas ervanárias, mas existe nos corações das pessoas...
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PS - aceitam-se comentários, "bora lá" deixar aqui as opiniões de  quem as tem...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Os CENSOS na minha rua



Entre Março e Abril, largas centenas de voluntários vão percorrer o país de ponta a ponta, bater a todas as portas e contabilizar os residentes, fixos e eventuais, localizar as casas vazias, de que são feitas, se são barracas ou habitações convencionais… há inquéritos para (quase) tudo!

Depois dos resultados obtidos, o Governo fica a saber bastante sobre nós, cidadãos nacionais, ou não, onde vivemos e como vivemos. Não fora o caso “singular” de atravessarmos um período de penúria, esta seria uma excelente oportunidade para mudar alguma coisa na minha aldeia, melhor ainda, na minha rua - desculpem este lamento particular! – porque da minha janela tenho a “soberba imagem” de que faço fé através da Canon, como podem conferir.

Estamos em crise, paciência, nada a fazer: a casa que foi do “ti” Zé Simão, a outra em frente, da falecida Ludovina da “Rola”, e o complexo habitacional do prédio cor-de-rosa, da família Nunes dos Santos, continuam entregues ao destino de morrer aos poucos.

Obviamente, a situação degradante destes edifícios não é da responsabilidade deste ou de outro qualquer Governo, mas já agora, a propósito dos CENSOS, apeteceu-me publicitar junto dos herdeiros a “bonita paisagem” que os meus olhos vêm sempre que vou à janela.




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A lenda do rio Alva

A localidade de Pombeiro da Beira tem na sua história uma disputa entre três rios, o Mondego, o Alva e o Zêzere, todos nascidos na Serra da Estrela. Estes três rios envolveram-se um dia numa grande discussão sobre quem seria o mais valente e acertaram numa corrida que esclareceria a questão: quem chegasse primeiro ao mar seria o vencedor.
O Mondego levantou-se cedo e começou a deslizar silenciosamente para não atrair as atenções. Passou pela Guarda e pelas regiões de Celorico, Gouveia, Manteigas, Canas de Senhorim e pela Raiva, onde se fortaleceu junto dos ribeiros seus primos, chegando por fim a Coimbra.
O Zêzere, que estava atento, saiu ao mesmo tempo que o seu irmão. Oculto, por entre os penhascos, foi direito a Manteigas, passou a Guarda e o Fundão, mas logo depois se desnorteou e, cansado, veio a perder-se nas águas do Tejo.
O Alva passou a noite a contar as estrelas, perdido em divagações de sonhador e poeta. Quando acordou, era já muito tarde mas ainda a tempo de avistar os seus irmãos ao longe.
Tempestuoso, rompeu montes e rochedos, atravessou penhascos e vales, mas quando pensava que tinha vencido deparou com o Mondego, no momento que este já adiantado chegava ao mar. O Alva ainda tentou expulsar o seu irmão do leito, debatendo-se com fúria e espumando de raiva, mas o Mondego engoliu-o com o seu ar altivo e irónico.
Este lugar onde os dois rios lutaram ficou para sempre conhecido como Raiva, em memória da contenda entre os dois irmãos.
...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

"Pinturas"

A aldeia  envelhece com as pessoas que guardam memórias das casas em ruinas; à minha volta são três,   paredes nuas, portas  e janelas sem guarnição, portões de ferro carcomidos pelo tempo. Com  paciência e o "segredo" da Canon, "pintei" as reliquias das casas da Ludovina, do "ti Zé" Simão e  da "dona" Aninhas.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A propósito do prédio cor de rosa...








O Carlitos

Andei a vasculhar o baú das memórias, encontrei “isto”, vê-se o prédio, no Barril de Alva, se bem me lembro pujante de vida durante os meses de verão.

O Carlitos teria uns sete, oito anitos, não mais…

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O prédio cor de rosa

 Ex- libris do Barril de Alva

Mil vezes retratado, o prédio da família Nunes dos Santos continua  a olhar a Serra do Açor, namora a Estrela e, em dias  de sol brilhante, sorri para o Caramulo, que não "vê"...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Croniqueta

Rir faz bem à saúde

Os tempos vão maus, demasiado maus, queixamo-nos em grupo, carpimos mágoas, unidos, juntinhos, como os pinguins no Árctico para suportar melhor as tempestades.
Os sorrisos são quase nenhuns, vive-se, sobrevive-se, não há humor de gargalhar, nem na TV; para além do  Herman José, sobram  graças do Fernando Mendes no “Preço Certo” –  é pouco.
Não somos um povo alegre, mesmo no Carnaval “abrasileirado”, que está por dias, mas temos queda para associar estórias ao anedotário nacional, mesmo agora, em tempos de crise. Valha-nos isso!
O meu amigo alentejano Davide (com "e" no fim…), com sotaque a preceito, é excelente contador de anedotas; algumas têm “barbas”, mas como faz a festa por inteiro, do princípio ao fim, sempre a rir e com gestos largos (é um homem sem “crises” - será?), as piadas cheiram a novo. O jeitinho para actor é inato; se eu “mandasse”, fazia do Davide um profissional à altura da melhor concorrência do Stand Up Comedy nacional!...
Não é por nada – minto, é por causa das crises! – mas estamos necessitados de sessões de humor que aliviem a penúria da tristeza, mas não há volta a dar ao estado dos sorrisos. Convenhamos, em suma, que rir faz bem à saúde e, li há pouco, pode ajudar a curar certas doenças e aumentar a esperança média de vida, o que é óptimo, a não ser que a pessoa com vontade de viver mais uns anitos esteja às portas da reforma; nesse caso, fique a saber que os pensionistas vão perder um quinto da dita (reforma) até 2050 – quanto maior for a esperança média de vida, menor será o valor da reforma!
Perante factos, quem tem vontade de sorrir, rir ou gargalhar?
Nada a fazer, é assim” e… pronto.
Resta o exercício de “estar vivo”, que, só por si, já é uma “dificuldade” que nem sempre temos capacidade para gerir a contento.
…Com urgência, tenho de localizar o meu amigo da Amareleja!
...
 Adaptação da crónica: " O amigo alentejano" - in "Correio da Beira Serra" - Janeiro/09