terça-feira, 8 de abril de 2008

Rio Alva



Barril de Alva

Na serra mais alta de Portugal continental nasce num murmúrio o Rio Alva, que corre devagar e manso a caminho da foz no Rio Mondego, em Porto da Raiva, perto de Penacova, às portas de Coimbra.
O fio de água transforma-se em ribeiro quase à nascente, mas à medida que recebe suores de outras fontes, depressa se assume como rio pujante de vida, sem quedas ou desvios - os que existem são obra do Homem, que desde sempre usou o caudal para seu benefício, dos moinhos de moagem às “rodas de alcatruzes” que, nos estios, durante semanas, noite e dia, despejavam cântaros de seiva nas levadas e estas, serpenteando, alimentavam os milheirais e outras culturas de ocasião.
O trabalho insano das “rodas” proporcionava imagens muito belas e sons característicos dos movimentos em tono dos eixos. Aqui e além, nos tempos de agora, ainda se vislumbram engenhos do estilo, com a funcionalidade de sempre nuns casos, noutros como mera peça decorativa que regala a vista.
O Rio Alva coloca os seus serviços ao dispor das mini – hídricas, a contento de uns e desagrado de outros…
No entanto, o aproveitamento das suas águas e das várias qualidades de peixes que aí encontram o seu habitat natural é, desde sempre, o maior contributo que presta ao Homem.
O concelho de Arganil espraia-se em ambas as margens – é dele e das gentes que o habitam que nos ocuparemos no futuro, trazendo ao espaço virtual estórias de saberes e costumes, anseios e desencantos de quem “…continua teimoso e cabeçudo...” (Miguel Torga”) olhando do alto das Serras da Estrela, Açor e S. Pedro Dias, ou das suas encostas, o Alva, que caminha delicado aos seus pés, sem pressas de ser mar.

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