"... só no limite do Barril de Alva há mais de quinze rodas de tirar água, cinco moinhos de farinha e um lagar de azeite"

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

U.P.B.A. -A Estrada do Casal Cimeiro foi inaugurada no dia 13 de Janeiro de 1952


 

São devidas à ação da União e Progresso do Barril de Alva (UPBA) obras de vulto na extinta freguesia do Barril de Alva - destaco a Rua do Casal Cimeiro pelo impacto na malha urbana  da localidade

O livro “Uma Terra da Beira”,  da autoria do nosso bom amigo Carlos Leal, cuja leitura recomendo, relata  com pormenor  as vicissitudes da construção da Estrada do Casal Cimeiro, posteriormente designada por Rua União e Progresso do Barril de Alva.

 Por agora, sobre o tema, recordemos algumas memórias  retiradas de um outro documento.

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(…) Até que, no ano de 1951, por altura dos festejos de S. João, se deslocou ao Barril de Alva uma delegação muito vasta de dirigentes da União e Progresso do Barril de Alva os quais puderam apreciar no local os problemas que continuavam a ter os habitantes do Casal Cimeiro no que respeitava às acessibilidades. Logo ali procuram saber junto dos responsáveis da Junta de Freguesia qual a disponibilidade financeira que dispunham para a definitiva conclusão da obra, desta feita com o calcetamento da rua que traria necessariamente a solução para os muitos problemas. Claro que, como se calcula, a Junta não tinha dinheiro para mandar cantar um cego quanto mais para fazer uma obra daquela natureza. Contudo, sabendo que era um melhoramento que não poderia ser mais adiado, os dirigentes da União e Progresso do Barril de Alva resolveram levar por diante a execução da obra, mesmo sabendo que os custos seriam elevadíssimos para os parcos proventos da Coletividade. Mas, se lhes faltavam os recursos financeiros sobrava-lhes imaginação, o que à partida era meio caminho andado para a obtenção dos fundos necessários para a consecução da obra.   

Uma grande campanha de angariação de fundos foi iniciada para a qual utilizaram diversas iniciativas, nomeadamente, almoços de convívio, espetáculos de variedades, quermesses, peditórios e a receita da quotização dos sócios. Também dos Barrilenses radicados em Moçambique, na então Lourenço Marques, se recebeu uma quantia ali angariada que se juntou ao já reunido pelos dirigentes em Lisboa, Almada e no Barril de Alva e que na totalidade perfazia a quantia de 13.272$00.

Entretanto, tinha-se começado a obra, inicialmente prevista fazer numa primeira fase que iria do cruzamento do caminho para a Ribeira, ao Casal do Meio, até às Almas e que incidia, sobretudo, na terraplanagem, alargamento, levantamento de muros, sistema de drenagem de águas pluviais e calcetamento. Posteriormente, e dado a recolha de fundos decorrer de forma muito satisfatória, superando até as melhores expectativas, decidiu-se prolongar os trabalhos até ao fim, isto é, até à capela da Santa Maria Madalena. Para tal, recorreu-se a um empreiteiro que com a mão-de-obra local cumpriu rigorosamente com os prazos que tinha contratado com a Junta de Freguesia que era, oficialmente, a dona da obra.

No dia 13 de Janeiro de 1952, foi por fim inaugurada a até então denominada estrada do Casal Cimeiro, que a partir dessa data, por iniciativa da Junta de Freguesia e com a anuência da Câmara Municipal de Arganil, se passou a designar, Rua União e Progresso do Barril de Alva. Resta acrescentar, que a obra teve como custo final a quantia de 11.600$00, sendo que o saldo apurado entre a receita e a despesa, que perfazia 1.672,00, reverteu para as futuras obras da Rua do Casal do Meio que começavam já a germinar na cabeça dos dirigentes da Coletividade.

Como então diria o saudoso AIACO no discurso de inauguração daquela via, alguns daqueles que em 1935 se predispuseram a encetar os primeiros passos daquela obra já não faziam parte dos vivos, porém, era deles boa parte do esforço que fora feito ao longo daqueles anos e que viria a culminar numa das mais simbólicas iniciativas que a União e Progresso do Barril de Alva levou a efeito (…).

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