"... só no limite do Barril de Alva há mais de quinze rodas de tirar água, cinco moinhos de farinha e um lagar de azeite"

sábado, 1 de agosto de 2026

Barril de Alva - É pedir muito?

 


... a grandiosidade da Praça Alberto Martins de Carvalho, do edifício da antiga escola,
da imponência da sede da Filarmónica...

Em 2013, o Barril de Alva perdeu a sua autonomia administrativa “por uma unha negra”, quando competia com outras localidades do concelho de Arganil. Sendo assim, durante uma reunião magna, o povo opinou que, “mal por mal”, perante um casamento obrigatório, preferia unir o seu destino aos seus patrícios de Côja. Cumpriu-se a “Lei Relvas”.

Nada a dizer das autoridades autárquicas eleitas a partir de 2013: a aldeia manteve os projetos vindos do extinto executivo e outros foram implantados. O facto de existir um barrilense nos sucessivos executivos permitia a sua presença permanente na aldeia, facilitando — e de que maneira! — a gestão do espaço público.

Nas últimas eleições autárquicas, contudo, a regra foi descontinuada.

Sem o poder democrático legitimado num pequeno burgo, senhor do seu destino, que motivações pode ter um modesto e teimoso cidadão — eu! — para permanecer fiel aos seus ideais humanistas, por um lado, e, por outro, continuar a “filosofar” António Gedeão: “Eles não sabem que o sonho / É uma constante da vida / Tão concreta e definida / Como outra coisa qualquer (…)”?

É a utopia dos sonhos, reconhecidamente irrealizáveis, que motiva as minhas ações solitárias e as palavras soltas, como estas: algumas públicas e reivindicativas, outras em jeito de apelo gentil. O hábito de considerar o rifão “não é com vinagre que se apanham moscas” deve ser entendido como uma conduta pacífica e de bem-querer, com o objetivo de “levar a água ao moinho” — isto é, motivar as autoridades autárquicas para determinadas atenções e intervenções da sua responsabilidade. Afinal, os sonhos irrealizáveis são aqueles que não constam do plano orçamental do executivo da Junta de Freguesia.

Por mais que me envaideça o amor pelo Barril de Alva — para mim, “um pedaço de paraíso…” —, existe a consciência de que, para além da presença do rio Alva, da história da aldeia, das vistas desafogadas sobre a serra do Açor, das ruas largas e arejadas, da grandiosidade da Praça Alberto Martins de Carvalho, do edifício da antiga escola, da imponência da sede da Filarmónica e das memórias de alguns palacetes e monumentos de pequeno porte que simbolizam o esforço daqueles que contribuíram para o bem-estar do povo… que mais temos para mostrar e cativar o visitante, principalmente durante o verão?

Ah, o Café “Vira Milho”! Pela sua estética apurada, pela simpatia da Rosa e do João e pelos serviços públicos que prestam, também entra, por direito próprio, nesta short list. Quando os proprietários fecham para férias, a aldeia parece um deserto!

O turismo é uma opção válida se conseguirmos manter os espaços verdes cuidados, a higiene da Área de Serviço para Autocaravanas e de todo o espaço envolvente, as ruas e valetas limpas, as zonas de banhos arrumadas e os acessos seguros…

O executivo da Junta de Freguesia, na verdade, é responsável pela manutenção de um extenso território. Se mais não faz, a “culpa” terá de ser imputada às diversas carências da maioria das autarquias e, quanto a isso… terá de responder o Governo, “onde todos mamam”, segundo a metáfora popular de Bordalo Pinheiro.

Ninguém é lorpa: toda a gente deseja o melhor! Não reclamo para a minha terra os impossíveis, mas, como sou do tempo em que o Barril de Alva era uma terra “arrumadinha” e pedia meças a tantas outras com diferentes riquezas, é isso mesmo que “reivindico”.

É pedir muito?