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terça-feira, 2 de agosto de 2022

"FÉRIAS CÁ DENTRO"

 

"In facebook 01/08/22"
O Barril de Alva esteve muito bem representado pela nossa "BrassBand" - excelente a sua participação (as imagens, com a devida vénia, foram recolhidas na página "3305-020 Barril de Alva", do facebook). 
Dois apontamentos fotográficos, a presença do João Luís Gouveia, com a sua empresa Kukuskids, e do presidente da Filarmónica, Carlos Nobre, foram o registo barrilense desta "maratona" televisiva da RTP 1 - "FÉRIAS CÁ DENTRO".
... Faltou um "clike" da "roda" instalada no Alva, junto à ponte - ex-líbris do "nosso" rio em tempos idos.


A importância de se chamar Dulcineia




Do  meu sítio vejo os novos moinhos de vento implantados na Serra do Açor. A bem do progresso e da economia, a paisagem está, em definitivo, alterada; o horizonte, se o céu não estiver escondido pelas nuvens, ficou estranho para quem entende pouco ou nada de energias renovadas.
Para sempre, desaparecem os moinhos que moíam os grãos. Os atuais aerogeradores são gigantes com uma “cabeça” a piscar de vermelho na noite; de dia descobrem-se as “velas” num movimento constante e pouco apressado, com a finalidade de converter a energia eólica em energia elétrica. Parte dela fará mover sofisticadas engrenagens com funções semelhantes às dos antigos moinhos dos moleiros, imagens ilustres da obra de Miguel de Cervantes, D. Quixote de la Mancha.
O autor narra, entre outras aventuras, a luta de D. Quixote contra os moinhos de vento que o próprio confunde com gigantes.
Se Miguel de Cervantes existisse neste tempo de modernidades, a ponto de viajarmos a outros planetas, certamente teria dado outro sentido à sua imortal obra e era bem capaz de inventar outro personagem, talvez com a “mesma triste figura” do seu cavaleiro andante, mas por outras causas…
Imagino a “minha serra” do Açor como mote para estória novelesca, desvendando segredos, como os que estão associados à aldeia histórica do Piódão.
É por aqui que me fecho num silêncio absurdo sobre a paisagem, quase “morta” de gentes e animais – nem um corvacho a sondar do alto a ração do dia, muito menos um “moleiro”, se é que os houve por lá noutros tempos.
Conduzo devagar, a seguir a uma curva, descubro a aldeia, faço uma pausa na viagem e contemplo a realidade de um sítio de total encantamento. Cá de cima não vislumbro qualquer tipo de vida, como se o Piódão estivesse adormecido.
Continuo sem mais paragens até ao largo da Igreja. Depois, a pé, ando por ali numa espécie de solidão de bem-querer – desejo-a assim, que me faz bem à alma. Subo por uma rua minúscula e, na volta, o olhar perde-se no topo da serra e nos gigantes que “protegem” a aldeia…
Este momento único foi suficiente para reviver a estória do D. Quixote de la Mancha e do seu escudeiro Sancho Pança – duas personagens do imaginário fantástico de Cervantes.
Junto-lhe uma terceira, que nunca se “vê” na obra, mas sente-se a sua importância na vida apaixonada do cavaleiro: Dulcineia.
Estou, na vida, como D. Quixote de la Mancha em relação à figura que nunca viu – só dei conta disso num dia de Outono, no Piódão, aqui tão perto…

-* Publicado em novembro de 2008:

https://ritualmente.blogspot.com/2008/11/importncia-de-se-chamar-dulcineia.html#comment-form

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Reflexão sobre um placebo (dia do Barril de Alva)


O “dia do Barril de Alva” é comemorado a 25 de julho, data da sua independência administrativa que, como é sabido, terminou em 2013.
Então, como se impunha no âmbito da reforma administrativa, Barril de Alva e Coja somaram direitos e deveres, e assumiram o “casamento por conveniência”…
Serve o introito para situar a reflexão, que entendo como “lógica” na busca de um placebo que “disfarce” a dor que a “pedra no sapato” provoca em muitos de nós, barrilenses, pela perda da sua emancipação autárquica,
Cá vai:

- O Barril de Alva deve manter a tradição do dia 25 de julho em memória da orgulhosa efeméride registada no ano de 1924, qual “grito do Ipiranga”, ou deverá escolher outra data de relevo para COMEMORAR O SEU DIA?

De 2013 até hoje, “fiz campanha” pública pela manutenção da nossa memória coletiva; sou, pois, “suspeito” por trazer esta reflexão peregrina à liça da opinião de quem a tem - ou não.

O que diz a História
A História refere que em 1925, “…o Barril, apesar de ser o povo de constituição mais recente, atingiu tal desenvolvimento que hoje, por si só, se sente capaz de formar organismo administrativo à parte, tendo-se dotado gradualmente de todos os elementos que o impõe à consideração do Estado e da opinião pública” - palavras do Dr. Alberto Moura Pinto, deputado pelo círculo de Arganil, que constam do projeto de lei apresentado ao Parlamento do País no sentido de ser criada a nossa freguesia.
Uma outra página da nossa História recente, relembra que a freguesia do “(…) Barril de Alva (…) foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Coja, para formar uma nova freguesia denominada União das freguesias de Coja e Barril de Alva, com sede em Coja”. Ponto.
Não importa discutir, aqui e agora, os critérios que estiveram na base da decisão de “encerrar” a nossa freguesia, e que mereceram de muita boa gente, de forma educada e responsável, veementes protestos.
Quem entender por bem pesquisar as realidades das diversas freguesias do concelho de Arganil em 2013 (número de habitantes, qualidade e quantidade de acessos, infraestruturas sociais, zonas turísticas, comércio, etc) concluirá que o Barril de Alva apenas num ponto (como outras freguesias, que se mantiveram ativas) não reunia a totalidade das condições exigidas para manter o estatuto autárquico, mas…
O Barril de Alva, para todos os efeitos, “foi vítima” da dinâmica da sua Junta de Freguesia, que mudou o paradigma da gestão autárquica em curso, entre 2009 e 2013.
Lamentavelmente, durante as várias discussões sobre o assunto, quem de direito não avaliou com rigor o “milagre da mudança” - desde a recuperação do edifício escolar à criação da zona lúdica do Urtigal, da Área de Serviço para Autocaravanas ao arranjo estético da Praça Alberto Martins de Carvalho (antigo Largo da Escola), da requalificação do cemitério, fontanários, ruas, caminhos e Miradouro da “Estrada dos Vales” (com vista privilegiada sobre o Barril de Alva) à animação sócio cultural, dinâmica do Turismo (Feira do Turismo, em Lisboa, Programa “IR é o melhor Remédio”, SIC) etc, etc -, como foi profundamente demonstrado na Assembleia Municipal de 29 de setembro de 2012, como testemunha o texto apresentado nessa reunião magna, disponível aqui:

O placebo
Na busca do tal placebo que “disfarce” a dor que a “pedra no sapato” continua a provocar em muitos de nós, barrilenses, pela perda da sua emancipação autárquica, surgiu esta ideia muito, pouco ou nada luminosa - pode ser um não assunto, mas daí não vem nenhum mal ao mundo…
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Carlos Ramos

quarta-feira, 20 de julho de 2022

State Issued Memories (Palavras/Vídeo: Rachel Helena Walsh)

O Barril de Alva foi o ponto de partida para um passeio pela serra. A poesia de mãos dadas com a paisagem. Obrigado à "nova barrilense", Ali, pela partilha

domingo, 26 de junho de 2022

"Lá vai o Barril, sempre fixe e alegre..."


Entender os sinais que a fotografia mostra, não é para quem quer - é para quem sabe! 
Se for o seu caso, parabéns; se pertencer ao grupo dos leigos na matéria, como eu, o conselho é:
- consulte um professor de música e pronto - fica apto a decifrar uma pauta, e talvez encontre o seu talento adormecido, que fará de si um (a) intérprete altamente credenciado (a) – basta querer e trabalhar, trabalhar muito e bem!
Use o seu instrumento original – a voz!-, ou descubra outro, com a sonoridade do seu agrado.
 
“Lá lá, lá lá…” 
Em tempo de santos populares, aqui no meu sítio, o S. João dos “ tempos idos” sempre “deu cartas” na alegria do povo.
Durante dois dias, fazia-se a festa, pretexto para os nossos patrícios da área metropolitana de Lisboa se organizarem como excursionistas  de abalada até Barril de Alva para “matar saudades” da terra, rever amigos, “beber uns copos” e, claro, ouvir a Filarmónica - a menina bonita de todos nós,
O “nosso” S. João, “pobrezinho, mas honrado”, não dispensava uma marchinha depois do piquenique no Parque da Ponte. Nesse dia, juntavam-se as famílias, merendava-se a preceito, tocava a banda e, ao fim da tarde, inventavam-se arquinhos a condizer, compunha-se a marcha, os foliões mais corajosos na dianteira, e a Banda, às ordens do mestre, tocava a “Marcha do Barril”. Alguns e algumas sabiam a “letra de cor e salteado”- o Silvestre e a esposa Leonor eram os “reis da festa”!
- Então, é capaz de “cantarolar” a pauta? Dou uma ajuda -  acerte no tom:

“Lá lá, lá lá…” - lá vai o Barril / lá vai o Barril / 
lá vai todo contente / sempre fixe e alegre / para toda a gente…” *
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* Créditos à Fernanda Castanheira, afinada cantadeira da nossa terra

Festas  de S. João - merendar no Parque da Ponte