sábado, 12 de setembro de 2026

Tempo de reflexão



Praça Dr. Alberto Martins de Carvalho, natural do Barril de Alva.
 (1901–1993) foi um proeminente pedagogo, ensaísta e docente, com uma forte ligação a Coimbra e à região de Arganil. O seu percurso cruza momentos marcantes da cultura e da história da educação em Portugal no século XX.

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"A Comarca de Arganil" do dia 31 de outubro de 2013 publicou um extenso artigo sobre o trabalho desenvolvido nos últimos quatro anos pelo finado executivo da ex Freguesia do Barril de Alva. Mais do que alimento para o ego do trio que alindou, recuperou e inovou o Barril de Alva, esta peça do centenário e prestigiado semanário, escrita pelo José Moreira, é um documento para memória futura, a juntar a tantas outras que relatam o esforço, vontade e sacrifício dos barrilenses "... que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando..." - Luís de Camões - Os Lusíadas
(perdoe-se a analogia com os heróis de antanho...).
Os membros do último executivo da Junta de Freguesia do Barril de Alva limitaram-se a cumprir o seu dever num tempo que foi o último de 
oitenta e nove anos de História.
CR

= BARRIL DE ALVA =

À medida que desenhava as memórias dos últimos quatro anos ao serviço da comunidade mais a consciência se tornava segura do dever cumprido

J. M. CASTANHEIRA

Foram palavras Carlos Alberto Ramos, escritas numa pequena brochura, editada em final de mandato à frente dos destinos da Freguesia do Barril de Alva.

Com a nova divisão administrativa, o Barril de Alva vai fazer parte da União de Freguesias de Coja e Barril de Alva. E Carlos Ramos voltou a ser eleito, na lista liderada pelo eng. João Oliveira, mas sabemos que vai continuar, com o mesmo empenho, com o mesmo entusiasmo, trabalhar agora por um território maior no qual se inserem as terras barrilenses que deseja continuem a ser cada vez mais procuradas, divulgadas e conhecidas.

“Os barrilenses são assim...”, como dizia o saudoso AIACO e, por isso, ao longo dos tempos foram capazes de grandes feitos. De conquistas [a favor da sua terra]. De construir a sede para a sua Filarmónica. De aproveitar um espaço para acolher os seus idosos, mesmo de ampliar e construir um novo espaço para melhor servir aqueles que, no Outono da vida têm necessidade de um lar, uma mão amiga que os acolham. De aproveitar as condições, magníficas, que a Natureza generosamente lhes ofereceu. O Parque AIACO e todo o conjunto que o envolve é disso um exemplo. O Urtigal. E mais, e mais... e muito mais.

Autocaravanistas de todo o país e do estrangeiro maravilhados

E neste mais, nos últimos quatro anos do mandato que agora terminaram, o aproveitamento pela Junta de Freguesia do magnífico espaço onde nasceu aquela que foi designada por “Área de Serviço e Pernoita para Autocaravanas”, que se tem revelado um êxito, trazendo ao Barril de Alva autocaravanistas de todo o país e do estrangeiro. E dizem-se maravilhados, pelas condições, pela simpatia das gentes barrilenses. E voltam. E trazem outros que gostam de autocaravanas.

Ali têm tudo. Até já o nome de rua. Rua Autocaravanistas Amigos do Barril de Alva. Depois da construção das infraestruturas e saneamento, da implementação de vedação em madeira tratadas, da construção da ponte que dá acesso ao Parque de Merendas, da construção do caminho e escada de acesso à zona do restaurante, a Área de Serviço mais do que se constituir num espaço que não havia na região, acabou por ser um pólo de atracção que vem contribuir para o desenvolvimento turístico da freguesia, do concelho e da região. Com todos os benefícios que envolve.

Urtigal — um emblemático local

Mas Carlos Alberto Ramos, com a equipa que liderou à frente da Junta de Freguesia, de que faziam parte João Luís Gouveia e Constantino Moura, quis mais. Quis recuperar e devolver o Urtigal ao Barril e aos barrilenses. Dá-lo a conhecer aos visitantes. Local emblemático da freguesia, outrora procurado pelas mulheres do Barril de Alva para lavar as suas roupas ou para moer o grão nos moinhos à beira do Alva, para os miúdos tomarem banho e brincar, hoje está a transformar-se em mais um local idílico que já era e que, pelas suas magníficas condições, também pode marcar a diferença como um cartaz turístico por excelência da bonita terra do Barril de Alva.

Para isso, a recuperação pela Junta de Freguesia das ruínas dos moinhos do Urtigal, a construção da churrasqueira e esplanada, construção de mesas para piqueniques, construção da escada de acesso à fonte, construção de acesso ao rio. Estivemos no local. E vimos, e vimos e vimos... E apenas podemos dizer que pelo seu sossego, pelas suas sombras, pelas águas do Alva a correr, o Urtigal é mais um local de sonho e a merecer uma visita.

Uma Aldeia para Escuteiros

E porque falamos em sonho, desde há muito que Carlos Ramos sonha para o seu Barril uma Aldeia para Escuteiros. A autarquia está disposta, sob a orientação das estruturas do Escutismo da Região de Coimbra, ou mesmo nacional, a criar um espaço para acolher, com as condições exigidas, acampamentos ou outras atividades que se inserem na mística ou no âmbito do escutismo.

Condições naturais existem, a ponte, a construção e implementação da roda de alcatruzes e a limpeza das margens e leito do rio, na ponte e no Urtigal. Um exemplo que deveria ser seguido por outras freguesias banhadas pelo Alva. A montante e a jusante. E assim o rio estaria mais limpo e as suas águas, como outrora, eram alvas.

E tudo isto, porque “alindar o Barril de Alva e assumir o turismo como indústria prioritária”, eram os principais objetivos da autarquia liderada por Carlos Alberto Ramos, que com orgulho escreve, “foram conseguidos”, sem deixar de considerar, contudo, que não “estão esgotados os projetos a aplicar no terreno. As ideias também não” porque, considera ainda, “o futuro é hoje”. E a prová-lo, “o Barril de Alva não perde a sua autonomia em função dos resultados dos Censos 2011 (como a malquerença por vezes propaga...)”, porque “existem freguesias no concelho de Arganil com menos residentes do que a nossa, com menos [razões para] concretizar o sonho também, agora falta a sua formalização para que a Aldeia dos Escuteiros possa vir a ser uma realidade numa terra que, desde há muito, também tem sido procurada pelos escuteiros vindos da região e um pouco por todo o país, para ali fazem as suas atividades, sobretudo em tempo de férias letivas e de Verão.

E é no Verão, sobretudo, que o Barril se enche de pessoas. O Parque de Merendas AIACO, com o emblemático barril, com as sombras frondosas das árvores, com a ponte e o rio, a sua zona de banhos, são motivos mais do que suficientes de atração e que não deixaram de merecer a atenção da autarquia na sua conservação, nos arranjos, na preservação, que acabam por tornar todo este espaço, na sua envolvência, outro dos ex-libris da freguesia.

No Parque de Merendas, a Junta mandou proceder à pintura total (interior e exterior) do restaurante, a recuperação do telhado do restaurante, a colocação de lambrim no bar, a pintura do “coreto” e churrasqueira. Também a recuperação da fonte do “pipo” e área circundante, sem esquecer a corrente elétrica trifásica para o local.

Um exemplo que deveria ser seguido por outras freguesias banhadas pelo Alva

Na zona de banhos, junto à ponte "[...] os espaços irão manter-se tal como estão no mapa autárquico”.

Por isso, mais do que a consciência do dever cumprido, “o balanço do trabalho do executivo da Junta de Freguesia terá de ser feito pelo povo, (...) que servimos desinteressadamente”. Também com a ajuda e com o apoio da Câmara Municipal, como sempre reconhece o autarca barrilense, que não deixa de destacar, durante o mandato que agora chegou ao fim, obras como a requalificação do edifício da antiga escola, a requalificação da Praça Alberto Martins de Carvalho, a recuperação do miradoiro, os espaços verdes, a requalificação do recinto da feira, a recuperação do coreto. E tantas, tantas outras pequenas-grandes obras, que acabam por marcar a diferença naquilo que é o bem-estar da população, como muros e vedações, cemitério, fontanários, águas pluviais, ruas e caminhos.

Honrando, a autarquia barrilense não deixou de se honrar também...

E foi ainda trilhando estes caminhos que a Junta de Freguesia, dentro das possibilidades, não esqueceu também os apoios institucionais e subsídios pontuais, nomeadamente à Filarmónica, aos Bombeiros de Coja, às comissões de festas, à Associação “Caracol ao Sol”, como apoiou e acolheu sempre a comunidade estrangeira nas suas ideias e iniciativas. A cultura e o recreio, a ocupação dos tempos livres. E não esqueceu a gratidão e o reconhecimento, com as homenagens públicas a Alberto Martins de Carvalho, à Georgina, a Miguel Torga, aos Autocaravanistas, aos bombeiros de Coja, Patricia Abreu e Pedro Brito, falecidos durante o combate a um incêndio na freguesia. Porque  honrando, a autarquia barrilense não deixou de se honrar também...

Pela consciência do dever cumprido, mas continuando com o desejo e o propósito no empenho e no trabalho ao serviço das populações, Carlos Alberto Ramos escreve ainda que continua também a esperar “das pessoas de bem, barrilenses ou não, o labor de um tempo novo que começa agora...”. Porque Setembro de 2013 foi o “primeiro dia do resto da vida” do Barril de Alva.

 


sexta-feira, 11 de setembro de 2026

José Valentim - figura de referência na comunidade barrilense


José Valentim dos Santos Leal foi uma das figuras de referência da vida comunitária do Barril de Alva na primeira metade do século XX.

Comerciante e correspondente da imprensa, esteve profundamente ligado à vida social e cultural da povoação. A família Valentim manteve no centro do Barril um importante estabelecimento comercial, onde se encontravam diversos bens e serviços e que constituía também um dos espaços de encontro da população.

A sua ligação à Sociedade Filarmónica Barrilense foi particularmente marcante. Segundo Luiz Ferreira, em reportagem publicada n’A Comarca de Arganil aquando do cinquentenário da instituição, José Valentim esteve ligado à Filarmónica durante muitos anos e foi considerado o seu “cérebro” durante cerca de vinte anos, sendo descrito como homem preponderante e de extraordinário valor nos organismos barrilenses.

A sua intervenção não se limitou à música. José Valentim participou igualmente no movimento de melhoramentos locais, integrando a direção da C.I.E.B.A., organização que promoveu iniciativas como a distribuição postal ao domicílio, melhoramentos do coreto, apoio à instalação da iluminação elétrica e a criação de uma biblioteca.

Foi, assim, um homem ligado simultaneamente ao comércio, à imprensa, à música, ao associativismo e ao desenvolvimento local — uma combinação que explica a influência que exerceu na comunidade.

A memória de José Valentim dos Santos Leal permanece hoje inscrita na própria geografia do Barril de Alva: uma das ruas da povoação tem o seu nome.

Mais do que o nome de uma rua, trata-se do reconhecimento de um homem que ajudou a construir uma parte da identidade coletiva do Barril de Alva.

-Texto compilado com a ajuda da IA

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

"BARRIL DO ALVA (Arganil): Casa-Museu passou a ser a memória histórica do Barril de Alva" --"A Comarca de Arganil"

 

Momento em que o presidente da União Progresso, António Figueiredo (Tonecas) entregava lembrança a Carlos Alberto Ramos como reconhecimento pelo seu trabalho desenvolvido na formação da Casa-Museu, tendo como testemunhas, os presidentes da União de Freguesias (João Tavares), da Câmara de Arganil (Luís Paulo Costa) e da Filarmónica Barrilense (Carlos Nobre) - 24 de julho de 2022

A antiga sede da Sociedade Filarmónica Barrilense, passou a ser, desde o passado dia 24 de Julho, a Casa-Museu dos Barrilenses, pois ali estão perpetuadas memórias de uma comunidade rica em figuras e acontecimentos por elas proporcionadas ao longo da sua existência, bastando recuar no tempo para dizer que o edifício foi oferecido por Joaquim Mendes Correia de Oliveira, construído em 1911 e reconstruído em 1964 e 2020, sendo de relevar o papel que o barrilense Carlos Alberto Ramos desenvolveu para embelezar o espaço com todos os acontecimentos ocorridos na freguesia ao longo dos anos, bem como as personalidades que fizeram do Barril de Alva uma grande comunidade, bastante conhecida para lá das suas fronteiras, sobretudo em Lisboa e Almada, sem esquecer o papel que teve nesta e noutras obras, que foi a União e Progresso do Barril de Alva.

Esta colectividade, representada pelo seu presidente António Figueiredo, mais conhecido por Tonecas e outros membros que de Almada se deslocaram propositadamente para o efeito, foi-nos informado que nestas obras a União investiu 18 mil euros, não falando de outros melhoramentos que estiverem sob a sua responsabilidade, durante os últimos três anos, como bancos colocados no Largo do Coreto, bem como candeeiros de iluminação pública, num investimento total de cerca de 30 mil euros, não falando do apoio dado às associações locais.

Recordando figuras ilustres

Carlos Nobre, presidente da direcção da Filarmónica, não deixou de recordar grandes figuras que muito amaram o seu Barril, como foi o caso de António Inácio A. Correia de Oliveira (AIACO), que através da sua frase, «Os Barrilenses são assim…», ficou vincada nas colunas de «A Comarca de Arganil», através dos seus escritos, e foi precisamente através dos arquivos deste jornal que «foi possível reunir a maior parte de toda a informação que se disponibiliza aos nossos visitantes», como referiu Carlos Nobre, que também não esqueceu outro grande vulto barrilense, que foi Alberto Martins de Carvalho, que citando uma passagem de um seu escrito seu, em 1943, relevando a fibra dos barrilenenses, afirmou que «Eu podia dizer bastante, com verdade e justiça, sobre as qualidades dos meus patrícios: o seu amor ao trabalho, o fiozinho sentimental que os une a todos, mesmo aos que andam perdidos por esses reinos de Cristo, a sua vontade de caminhar e progredir, vontade obscura mas tenaz, vontade de bons plebeus e camponeses, pessoas cujas mãos não servem apenas para justificar as algibeiras». E ao agradecer a todos que se envolveram nesta jornada histórica e de memória barrilense, Carlos Nobre destacou o papel que teve na sua organização e decoração que foi Carlos Alberto Pereira Ramos, e por isso lhe fez entrega de uma lembrança como reconhecimento do que desenvolveu, não esquecendo também Avelino Bernardo pela sua preciosa ajuda nos acabamentos do museu.

António Figueiredo, emocionado, disse estar concluído um sonho há muito desejado, um espaço «onde a história barrilense está descrita através de escritos e de figuras gradas do Barril», relevando o papel que tem tido, ao longo dos anos, a União e Progresso do Barril de Alva, e mais recentemente com o apoio total para que a Casa-Museu fosse realidade, como atrás foi referido. E como presidente da União, o Tonecas deixou um apelo a todos os barrilenses para que colaborem, a fim de que «o Barril de Alva seja cada vez mais unido e acolhedor».

Em breves palavras, mas bem sentidas, o presidente da União de Freguesias, João Tavares, reconhece que «esta é uma terra de gente que trabalha» e por isso «é um orgulho ser seu presidente», não deixando de agradecer à União e Progresso o que tem desenvolvido a favor da comunidade que representa, angariando fundos, sobretudo na zona de Almada «e os traz para desenvolver o Barril de Alva».

São palavras do presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, acrescentando que «as intenções e ideias são necessárias», relevando o papel da União e Progresso, pelo que despendeu nestes últimos três anos, bem como as parcerias que «acabam por ser eficazes». Reconhecendo o bom gosto de Carlos Ramos na amplitude histórica local ali patenteada, acaba por ser uma festa dos arganilenses que ali estava a viver-se, mas era, sobretudo, uma festa dos barrilenses.

Quem desejar visitar este espaço, pode fazê-lo sundo regras a definir, com a presença de um guia, através de marcação prévia junto do secretário da Junta de Freguesia, João Luís Gouveia, na sede da Associação Filarmónica Barrilense, ou no Mini-Mercado Vira-Milho.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Casa do Povo do Barril de Alva



A Casa do Povo do Barril de Alva foi criada na década de 1930 (oficialmente constituída como corporação do Estado Novo em 1936), tendo o seu edifício de sede original sido construído nesse mesmo período.

Esta instituição figurou entre as primeiras Casas do Povo do concelho de Arganil e do país, concebida na altura com a dupla função social de apoio aos trabalhadores rurais e de centro comunitário/cultural para a população local.

Detalhes da História do Edifício


Projeto e Estilo: O edifício responde ao modelo arquitetónico corporativo promovido pelo Estado Novo nas décadas de 30 e 40 — construção térrea, de traço simples mas sólido, concebida para integrar valências como posto médico, biblioteca e espaço de convívio comunitário.

A Reconstituição Social ( Anos 90): O edifício histórico acabou por reativar e alargar o seu papel comunitário na década de 1990. Em 16 de dezembro de 1993, a comunidade local constituiu formalmente a Associação Humanitária e Social da Casa do Povo de Barril de Alva, requalificando as instalações e inaugurando as valências de Centro de Dia e Apoio Domiciliário a 18 de fevereiro de 1996.
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Imagem  recuperada pela IA, que também produziu a totalidade do texto

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Aline Pontes - recordar tempos da escola primária

 

Aline Pontes, na imagem acompanhada pela Carla Simões e filha, com sangue "barrilense", regressou ao  Barril de Alva, visitou a Casa/Museu e "reencontrou-se" com o seu / nosso passado durante o tenpo de convívio na Escola Primária. Agora, em tempo de férias, era obrigatório dar um mergulho no "nosso" rio, no Urtiigal. Até à próxima viagem... por estas bandas


Na escola do Barril de Alva. Aline  é a menina de perfil na primeira fila; eu estou na penúltima, de camisa branca


sábado, 15 de agosto de 2026

Barril de Alva: O Belo, o Tempo e a Imaginação

A Cor e o Tempo

Por mais que os meus olhos vejam e o coração sinta os encantos da minha aldeia, Barril de Alva, nada me cansa. Há, porém, um cansaço subtil — aquele que nasce da contemplação do desgaste do património, público e privado, que o tempo insiste em consumir. A Natureza, essa não se rende: surpreende-me diariamente com as múltiplas nuances da sua paleta. Basta estar atento para perceber que ela nunca se repete.

À medida que a minha viagem no tempo se aproxima do seu final, sinto que é justo alimentar o espírito, a alma, a mente — seja lá o que for que permanece, se permanecer, para além do desenlace do corpo. Não possuo dons que garantam eternidade a coisa alguma; por isso, enquanto a lucidez me acompanha, repito com Descartes: "penso, logo existo".

E penso, sim, em como seria belo ver a minha aldeia pujante de vida, vestida com as tonalidades do arco‑íris, segundo a Estética do Belo de Hegel: “O belo artístico criado pelo ser humano é superior ao belo natural, pois resulta do pensamento e da consciência espiritual, tornando-se uma expressão mais real da verdade do que a própria natureza inata.” Se o belo artístico é fruto da consciência, então o meu desejo é simples: que o Barril de Alva volte a ser obra consciente, cuidada, pensada, amada — e não apenas cenário entregue ao tempo.

Nas horas paradas dos meus dias, leio e escrevo. Procuro identificar-me — ou afastar-me — daquilo que existe para além do espaço físico das minhas deambulações, onde pouco ou nada acontece de extraordinário. Leio por isso, e por mais nada: entretenimento mental, sem ambição de saber mais, salvo o mínimo necessário para dominar os aconchegos — sempre lúdicos — deste vasto mundo da Inteligência Artificial.

A IA fascina-me ao ponto de eu responder com um “obrigado” quando os algoritmos reconhecem padrões e melhoram o meu desempenho semi‑analfabeto nestes oceanos onde, admito, posso naufragar. Com algum tento, porém, posso sobreviver no meu pequeno paraíso — o Barril de Alva — rodeado de beleza infinita, ao estilo de Roque Gameiro, o maior aguarelista português.

"Penso, logo existo". E existo melhor quando a imaginação pinta o que a realidade ainda não alcançou.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

U.P.B.A. -A Estrada do Casal Cimeiro foi inaugurada no dia 13 de Janeiro de 1952


 

São devidas à ação da União e Progresso do Barril de Alva (UPBA) obras de vulto na extinta freguesia do Barril de Alva - destaco a Rua do Casal Cimeiro pelo impacto na malha urbana  da localidade

O livro “Uma Terra da Beira”,  da autoria do nosso bom amigo Carlos Leal, cuja leitura recomendo, relata  com pormenor  as vicissitudes da construção da Estrada do Casal Cimeiro, posteriormente designada por Rua União e Progresso do Barril de Alva.

 Por agora, sobre o tema, recordemos algumas memórias  retiradas de um outro documento.

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(…) Até que, no ano de 1951, por altura dos festejos de S. João, se deslocou ao Barril de Alva uma delegação muito vasta de dirigentes da União e Progresso do Barril de Alva os quais puderam apreciar no local os problemas que continuavam a ter os habitantes do Casal Cimeiro no que respeitava às acessibilidades. Logo ali procuram saber junto dos responsáveis da Junta de Freguesia qual a disponibilidade financeira que dispunham para a definitiva conclusão da obra, desta feita com o calcetamento da rua que traria necessariamente a solução para os muitos problemas. Claro que, como se calcula, a Junta não tinha dinheiro para mandar cantar um cego quanto mais para fazer uma obra daquela natureza. Contudo, sabendo que era um melhoramento que não poderia ser mais adiado, os dirigentes da União e Progresso do Barril de Alva resolveram levar por diante a execução da obra, mesmo sabendo que os custos seriam elevadíssimos para os parcos proventos da Coletividade. Mas, se lhes faltavam os recursos financeiros sobrava-lhes imaginação, o que à partida era meio caminho andado para a obtenção dos fundos necessários para a consecução da obra.   

Uma grande campanha de angariação de fundos foi iniciada para a qual utilizaram diversas iniciativas, nomeadamente, almoços de convívio, espetáculos de variedades, quermesses, peditórios e a receita da quotização dos sócios. Também dos Barrilenses radicados em Moçambique, na então Lourenço Marques, se recebeu uma quantia ali angariada que se juntou ao já reunido pelos dirigentes em Lisboa, Almada e no Barril de Alva e que na totalidade perfazia a quantia de 13.272$00.

Entretanto, tinha-se começado a obra, inicialmente prevista fazer numa primeira fase que iria do cruzamento do caminho para a Ribeira, ao Casal do Meio, até às Almas e que incidia, sobretudo, na terraplanagem, alargamento, levantamento de muros, sistema de drenagem de águas pluviais e calcetamento. Posteriormente, e dado a recolha de fundos decorrer de forma muito satisfatória, superando até as melhores expectativas, decidiu-se prolongar os trabalhos até ao fim, isto é, até à capela da Santa Maria Madalena. Para tal, recorreu-se a um empreiteiro que com a mão-de-obra local cumpriu rigorosamente com os prazos que tinha contratado com a Junta de Freguesia que era, oficialmente, a dona da obra.

No dia 13 de Janeiro de 1952, foi por fim inaugurada a até então denominada estrada do Casal Cimeiro, que a partir dessa data, por iniciativa da Junta de Freguesia e com a anuência da Câmara Municipal de Arganil, se passou a designar, Rua União e Progresso do Barril de Alva. Resta acrescentar, que a obra teve como custo final a quantia de 11.600$00, sendo que o saldo apurado entre a receita e a despesa, que perfazia 1.672,00, reverteu para as futuras obras da Rua do Casal do Meio que começavam já a germinar na cabeça dos dirigentes da Coletividade.

Como então diria o saudoso AIACO no discurso de inauguração daquela via, alguns daqueles que em 1935 se predispuseram a encetar os primeiros passos daquela obra já não faziam parte dos vivos, porém, era deles boa parte do esforço que fora feito ao longo daqueles anos e que viria a culminar numa das mais simbólicas iniciativas que a União e Progresso do Barril de Alva levou a efeito (…).