quarta-feira, 17 de julho de 2024

A entrevista


A propósito da elevação do Barril de Alva à categoria de freguesia no ano de 1924, agora, cem anos depois - uma eternidade!-, a Teresa Madeira, senhora com “alma até Almeida” e “mater” do espaço Trust, com a gentileza de quem está ao serviço da comunidade com o talento do jeito de quem o tem, sugeriu troca de conversa sobre o passado da “pátria” comum.
Sobre o Barril de Alva, assumida a paixão, “vou a todas”, isto é: partilho do que sei, com rigor, e atrevo-me ao exercício da “adivinhação”, embora não me reconheça com mediunidade sensitiva ou “bruxo talentoso” quando dou vida ao pensamento sobre quando e onde “nasceu” o lugar do Barril, por exemplo.
- Foi no Urtigal?
- No Casal de Baixo?
Pois… os livros dizem que no tempo de Vasco da Gama, no ano de 1527, o sítio tinha dez habitantes! Adiante…
Regresso à conversa que mantive com a minha conterrânea, que o Rádio Clube de Arganil, no serão de ontem, dia 16 de julho, transmitiu.
*
Caminho a “passos largos” para os oitenta e a idade não perdoa - aconteceu o que previa: aqui e acolá alguns lapsos da memória “armadilharam” as palavras – coisa pouca, sim, mas suficiente para ficar com uma “raivinha miúda” sobre o meu desempenho mediano no uso da palavra…
Quando andava na escola primária dizia que, quando fosse crescido, queria ser padre…
- Ainda bem que a minha família cerceou a pretensa vocação de ser “pastor das almas” de uma qualquer freguesia, a reboque da eloquência do Padre José Vicente, de Coja, por quem tinha alguma veneração!
Com a memória "neste estado", agora havia de ser  bonito…

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Teresa Madeira - "alma mater" do espaço Trust


"A Trust é um coletivo artístico, sediado em Barril de Alva (Arganil, Portugal) que encoraja a criação e a aprendizagem transdisciplinar, numa íntima relação com a natureza. No espaço da Trust recebemos pessoas e projetos nas mais diversas áreas, para períodos de residência artística, workshops, aulas regulares, ciclos e/ ou espetáculos".
OUVIR aqui; https://soundcloud.com/user-771340132/teresa-madeira-trust-collective

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Dia de S. João -José Marques 70 anos de "música"


José Marques em Bolonha

O barrilense José Marques participou na Grande Guerra de 1914/18 e faleceu na sua terra natal no dia 24 de abril de 1993, depois de um século de vivências extraordinárias. Já com a idade avançada, mas com a memória “fresca”, era capaz de relatar episódios rocambolescos com um sorriso a bailar no olhar – foi assim que o reencontrei, depois do meu regresso de Moçambique em 1975.
A razão do meu conterrâneo ser assunto nesta manhã de S. João, reside no facto de José Marques ter feito parte da (…) Filarmónica Barrilense durante 70 anos, tempo apenas interrompido pela sua participação na guerra. Foi sempre “caixa” e a sua vida é um exemplo de dedicação à causa da música e da Sociedade Filarmónica Barrilense (…) – “A Comarca de Arganil” de 4-5-1993
Ontem, domingo, a Filarmónica Barrilense deu uma “volta” pela aldeia, aprumada no parte e na sonoridade.
As saudades das grandes festas sanjoaninas do Barril de Alva pesam no espírito de quem nelas participou segundo os “hábitos e costumes”, principalmente no “Dia da Ponte”, tempo de partilha e convívio da comunidade residente e dos familiares vindos do concelho de Almada, com a exemplar participação da União e Progresso do Barril de Alva na liderança.
José Marques foi o pretexto para estes “dois dedos de conversa”, de “braço dado” com a sonoridade da “minha” Filarmónica.
"Dia da Ponte"
CPR

sábado, 27 de abril de 2024

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Barril de Alva vai ter novo cemitério

 




A notícia era esperada… desde o ano de 2008!
Por essa altura, o presidente da Junta de Freguesia do Barril de Alva anunciava ter poucos talhões disponíveis no cemitério, daí a necessidade de o aumentar para um dos lados, obra complicada, com custos elevados.
Em 2009, as eleições autárquicas mudaram o rumo da freguesia; o novo executivo, entre outras prioridades, ocupou-se a preceito da gestão daquele espaço e, até aos dias de hoje, os nossos mortos sempre tiveram espaço disponível na sua derradeira morada...
Chegados a 2024, a real falta de espaço no cemitério - agora sim! - poderia ocasionar uma ou outra situação constrangedora.
Perante os factos, andou bem a União das Freguesias de Coja e Barril de Alva quando decidiu construir um novo cemitério nas proximidades do atual, em terreno da autarquia, depois de ponderadas outras hipóteses, financeiramente mais dispendiosas…
Aqui chegados, recuemos no tempo - ao dia 11 de março de 1920:

- "Cópia de parte da ata da sessão da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Arganil, de 11 de março de 1920"
 
- DELIBERAÇÕES: “Tendo-se apresentado nesta sessão o cidadão Albano Nunes dos Santos, do Barril, declarou que fazia entrega à Câmara dum cemitério construído naquele povo por seu irmão Abílio Nunes dos Santos, em terreno de António Freire de Carvalho e Albuquerque, com a condição de que o espaço de terreno designado na planta que aqui fica arquivada, sob os números 3, 4 e 5 se considera pertença da família Nunes dos Santos, e o designado sob os números 6 e 7 da família Freire de Carvalho, e ainda também com a condição de que, se no referido povo do Barril se constituir algum dia uma freguesia, para a Junta respetiva se transfira a administração e a propriedade do mesmo cemitério (…)”.

O texto do documento termina com o reconhecimento público da Câmara Municipal:

“1.º Louvar o cidadão Abílio Nunes dos Santos pelo melhoramento que dotou a sua terra natal, o qual é e continuação de outros mais, que lhe dá direito à gratidão do povo;-----

2.º Aceitar a doação nos termos em que foi feita salvos outros direitos de preferência, caso a Câmara na próxima sessão plenária o entenda por bem;----

3.º Louvar o cidadão António Freire pela cedência gratuita do terreno do dito cemitério".----
Como se “vê”, naquele tempo, “foi assim” que nasceu o atual cemitério, mais tarde ampliado.
- Em 1920, o Barril (sem “de Alva”) fazia parte da freguesia de Vila Cova de Sub Avô - a “carta de alforria” chegou em 1924, data que o Barril de Alva recordará em julho próximo, e o cemitério passou para a gestão da nova freguesia.
- Em 2024, na falta de “investidores privados” (como aconteceu em 1919), é a União das Freguesias de Coja e Barril de Alva que assume a responsabilidade da construção de um novo espaço com a mesma finalidade.
CR