segunda-feira, 21 de novembro de 2022

O anúncio II - "perder a vez"






Quem aprecia sossego e algum isolamento social, sem ser eremita, procura sítios e lugares talhados à (sua) medida.
Em função dos pontos cardeais, valoriza-se a localização da casa de férias, ou residência permanente, de preferência a preços de pechincha na hora do negócio.
Nasci com a sorte do destino (?) por ter visto pela primeira vez a luz do dia num quarto grande e soalheiro da casa de família, feita de xisto. Mais tarde, o exterior da casa foi coberto com argamassa e o sol não alterou a visita diária. Sou, pois, um privilegiado: depois de “correr mundo” regressei às origens e a este sol…
A minha aldeia é graciosa e simpática para quem chega. E tem um rio aos pés - a grande atração dos veraneantes, como foi, em tempos idos, dos senhores das suas margens, agricultores latifundiários; ao povo ficavam reservados fracos quinhões, leiras minúsculas de onde se retiravam os ”mimos” consoante a época; semeando, ou plantando, a terra tudo dava, ensinava o Borda-d’água…
Agora, hoje, “nada é como dantes”, acrescentam os que mais somam primaveras da vida dura aos relatos desses tempos. Sei do que falam, o “ti” Alberto e a Rosária, a esposa, o “Zé” padeiro e a esposa Maria, meus vizinhos a duzentos metros para cada lado da minha casa. Quando eu era criança, tinham eles a idade dos namoricos. Hoje, a “vida é melhor”, sim senhor, mas as leiras estão de pousio, há pouca gente e desses poucos, poucos são os que semeiam ou plantam…
Havendo o rio, na minha aldeia, durante o verão e de passagem, há (quase) sempre gente oriunda de outras paragens.
- Era uma casinha assim, com muito sol, que eu gostava de ter numa aldeia sossegada, com pão todos os dias ao domicilio, peixe e carne uma vez por semana à porta, como está naqui no anúncio… - suspira a senhora da autocaravana no repouso com vista para o rio.
Faltou acrescentar, no anúncio, que por cá também se vende fruta variada (e outros produtos...) de forma itinerante.
Esta espécie de “mini mercado” sobre rodas faz-se anunciar com toques de buzina, mais ou menos estridentes. Se os eventuais clientes não estiverem atentos, perdem vez... e lá se vão as compras.
"Perder a vez" também acontecia, em tempos idos, quando não se chegava a horas e nos dias certos ao largo da escola - era aí que a carrinha da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian disponibilizava “produtos prontos a servir”, confecionados por mestres como Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro, Júlio Verne…
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* In "Sarabanda", março de 2018, pelo autor

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

"Uma terra que Deus ajardinou para estância de repouso"



PALACETE 
A inscrição na fachada  mostra as iniciais do nome de Abílio Nunes dos Santos
 e o ano de 1916


A croniqueta da semana passada, intitulada “Percebe-se que o Barril de Alva está na moda”, estimula o “sonho” do restauro da Freguesia e manifesta o regozijo de alguns dos meus conterrâneos sobre o negócio das casas devolutas do Barril de Alva - não de TODAS, mas das que têm os horizontes desimpedidos.
Diz quem tem conhecimentos do assunto que, no Barril de Alva, as melhores casas (depende do ponto de vista…) disponibilizadas para o negócio “estão todas vendidas”! As que sobram, afiançam, não têm interesse para o mercado dos ”colonizadores que falam estrangeiro” - não é o caso do palacete “cor-de-rosa, de quando em vez chegam notícias de interessados nas “vistas largas”, e isso é coisa que o edifício tem de “borla”, de cortar a respiração!
Lamento a degradação da propriedade, que pertence aos herdeiros dos fundadores dos Grandes Armazéns do Chiado; lamento como barrilense e vizinho residente, logo “informador à mão de semear” sobre determinados pormenores do passado do Barril de Alva, incluindo o palacete. Dos Grandes Armazéns do Chiado, a informação é tanta que dava para rechear o antigo “Centro Comercial do Barril” - e não sei se o espaço seria suficiente para acolher o acervo documental que, creio, ainda era possível catalogar…
Todos os dias são domingo”, por isso ocupo o tempo com alguns vícios, como imaginar o futuro da minha terra.
São poucos, os barrilenses residentes - posso exercitar o pensamento com uma conta de somar, bairro a bairro, sem errar o cálculo. Cometer o mesmo cansaço mental com os ”novos residentes barrilenses”, que “falam estrangeiro”, é difícil e complicado, por diversas razões…
A propósito da dificuldade no “acerto” da contabilidade dos residentes que “falam estrangeiro”, sem profecia de qualquer espécie nem adivinhação empírica, “penso de mim para mim”:
- O que esperar dos ”novos barrilenses”, que “falam estrangeiro”, alguns com apetência de viajantes, sem poiso certo, outros, na maioria reformados, a caminho de uma outra viagem para parte incerta, sem retorno? Os novos proprietários terão seguidores nesta aventura, longe do seu país de origem?
Pelo “andar da carruagem”, olhamos e damos conta que “o comboio”, com paragem no apeadeiro do Barril de Alva, transporta pouco sangue novo - sem a aragem da juventude irreverente e criativa não existe o futuro que se deseja!
… A não ser que o título da publicação brasileira de 1932 seja uma premonição.


Carlos Ramos


quarta-feira, 12 de outubro de 2022

"Cuca", como os barrilenses



No currículo de Maria Isabel Rebelo Couto Cruz Roseta nada consta sobre eventuais ligações à
Beira Serra, concretamente ao Barril de Alva, onde nasci. É por isso que tenho o “cognome” de  “Cuco”- eu e todos os que vieram ao mundo neste território bonito de ver.
Desconheço as origens  do epíteto “Cuco”, como os  naturais  de Coja questionam a razão de serem  conhecidos por “Bezerros", os de Arganil apelidados de “Pintassilgos”, “Corvachos” os de Vila Cova de  Alva...  etc, etc.
Maria Isabel Rebelo Couto Cruz Roseta também é “Cuca”, Cuca Roseta,  cantora.
A coincidência dos cognomes tem a sua graça.
Certa vez nasceu a ideia “brilhante” de nomear Cuca Roseta “embaixadora” dos “Cucos”  barrilenses. Por ser “Cuca”!
No devido tempo seguiu a "carta", via correio eletrónico, onde se argumentava a ousadia do convite, propondo-lhe uma visita “oficial” ao Barril de Alva  em dia de aniversário  da extinta freguesia. Nesse dia, com pompa e circunstância, Cuca Roseta seria “adotada” como “filha” do Barril de Alva.
Sendo de festa, o dia, a “nossa” Cuca Roseta por certo guardaria na memória recordação a condizer com a importância da sua honrosa participação na efeméride.
…Como se sabe, nem todas as cartas têm resposta.

Carlos Ramos
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Adaptação da croniqueta publicada no dia 18 de junho de 2020 no blogue "Sarabanda"

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Percebe-se que o Barril de Alva “está na moda”


Eu e o “Bello”, o cão, companheiro de caminhadas pelas ruas do meu sítio, de manhã e ao fim do dia, damos preferência aos percursos pouco sinuosos, ao contrário de quem escolhe o sobe e desce dos carreiros de pé posto e outros caminhos de terra batida.
Quase nunca nos cruzamos com outros seres humanos, mas pelas obras que se vislumbram aqui e ali, percebe-se que o Barril de Alva “está na moda” no que à aquisição de casas devolutas diz respeito. E ainda bem, ganhamos (quase) “todos”: quem vende e quem compra, o comércio local, as zonas de lazer e a aldeia, que aumenta o número de residentes. A troca de experiências culturais com os “novos barrilenses”, vindos de outros países, pode ser enriquecedora - “basta querer” esse tipo de partilha, tendo em conta o respeito por hábitos e costumes das diferentes comunidades.
A aldeia, em si, também merecia outros “ganhos”: se a comunidade estrangeira tivesse a maioria dos seus integrantes com a residência perfeitamente legalizada, assumiriam direitos e deveres, fariam parte dos cadernos eleitorais, contribuindo deste modo para “sonharmos” com a aplicação da Lei n.º 39/2021, de 24 de junho, que define o regime jurídico de criação, modificação e extinção de freguesias e revoga a Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro (de má fortuna para o Barril de Alva), que procede à reorganização administrativa do território das freguesias.
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Volto ao começo desta croniqueta sobre caminhadas – (…) pelas obras que se vislumbram aqui e ali, percebe-se que o Barril de Alva “está na moda” . 
Um exemplo de bom gosto:
- Acompanhei a construção de raiz do “ninho” do jovem casal barrilense José Garcia / Ana Rocha, o que permitiu “adivinhar” as suas noções estéticas. Moderna e funcional, a nova “casa cor-de-rosa”, vizinha de uma outra, agora decrépita mas ainda imponente, impõe-se na paisagem da meia encosta com uma vista soberba para a Serra do Açor.
Precisamos - o Barril de Alva precisa! - de gente nova capaz de criar condições que permitam a sua fixação na "ex/futura freguesia" do Barril de Alva…
- Sonho? Sonho – “… é uma constante da vida / tão concreta e definida / como outra coisa qualquer…” – António Gedeão, “Pedra Filosofal”.
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Carlos Ramos

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Barril de Alva -2009/2013

"A Comarca de Arganil" destaca obra feita

 "A Comarca de Arganil" do passado dia 31 de outubro de 2013 publicou um extenso artigo sobre  o trabalho desenvolvido nos últimos quatro anos pelo finado executivo da ex Freguesia do Barril de Alva. Mais do que alimento para o ego do trio que alindou, recuperou e inovou o Barril de Alva, esta peça  do centenário e prestigiado  semanário, escrita pelo José Moreira, é um documento para memória futura, a juntar a tantas outras que relatam o esforço, vontade e sacrifício dos barrilenses  "... que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando..." - Luís de Camões - Os Lusíadas. 
(Perdoe-se a analogia com os heróis de antanho de quem, alguns de nós, apenas herdaram a força da vontade...).
Os membros do último executivo da Junta de Freguesia do Barril de Alva cumpriram o seu dever num tempo que foi o último de oitenta e nove anos de História.




sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Os "Jograis da Fonte Lourenço"

"Jograis da Fonte Lourenço"
José Castanheira, Acácio Simões e Chico Gouveia

Houve um tempo, na minha juventude, em que a arte de poetizar em grupo - os “JOGRAIS”- estava na moda. Tinha especial apreço pelos "Jograis de S. Paulo" e, de memória, lembro O Dia da Criação, de Vinicius de Morais, “porque hoje é sábado …”.
Nesse tempo, alinhavei textos, satíricos ou não, inspirados em estórias do dia-a-dia, do domínio público, juntava três ou quatro amigos e acontecia o entretenimento…
Foi com esse espírito que, anos mais tarde, no Barril de Alva, nasceu o grupo  “Jograis da Fonte Lourenço”, composto pelo Acácio Simões, Chico Gouveia e José Castanheira. Depois de um sarau inolvidável, que teve lugar no  salão da Associação Filarmónica Barrilense, o grupo terminou...
Por mero acaso, nos meus arquivos, encontrei uma fotografia dos "atores" e os textos originais -“relatos poetizados”   de  situações reais, que se transcrevem.
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CR
*  

ESTÓRIAS DE ENCANTAR


T.- UMA ESTÓRIA DE ENCANTAR…(pausa rápida)
1.- NO DIA A DIA DO NOSSO BARRIL /ACONTECEM COISAS MIL…
2.- ALIÁS – ACONTECEM COISAS MIL
T.- NO NOSSO BARRIL
3.- UM DIA…
1.- …ERA VERÃO…
2.- …ESTAVA MUITO CALOR
T.- (bombo) PUM!
T.- EIS SENÃO QUANDO…TUDO ACONTECE NUM TURBILHÃO!
1.- UMA PEDRA?
2.- UM PENEDO?
3.- AI QUE MEDO!!!
T.- (bombo) PUM!
T.- FOI-SE A LIMPEZA DO COLAÇO…
... FICOU TUDO EM DESALINHO
…UM GRANDE ESTARDALHAÇO!

2.- UM DESATINO…
1.- PASSOU POR ALI UM BEZOURO
T.- ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ…
T.- E DA PEDRA SE FEZ PEDRINHAS
3.- AI SE AQUILO FOSSE UM TESOURO…
T.- IA TUDO P’RAS ALMINHAS!
(pausa ligeira)
1.- UMA VEZ…
2.- NO NOSSO BARRIL…
3.- PASSOU-SE UMA ESTÓRIA DE ÁGUA CORRENTE
1.- CONTA, CONTA À GENTE!
T.- UM PACATO CIDADÃO
T.- FEZ UM XIXI NO CHÃO,
T.- COM DECORO, É DE VER
T.- NÃO FOSSE ALGUÉM ENTENDER

T.- QUE MIJAR É PROVOCAÇÃO!
2.- …É APENAS UM CHORO…
3.- UM XIXI FAZ QUALQUER MORTAL
1.- …É NORMAL…
2.- (apito - PRRRRIIIIIIIIIII…)
3 .- É A POLÍCIA!
2.- OLHA À POLÍCIA!
T.- …QUE SINISTRO… QUE SINISTRO…
3.- SENHOR MINISTRO: QUANDO CHEGA A REGEDOR?
1.- O SENHOR É GENTE FINA
2.- E PESSOA DE MUITO VALOR!
T.- CALMA, MUITA CALMINHA, SE FAZ FAVOR
T.- QUE A GENTE SAIBA,
T.- FAZER XIXI NÃO É PECADO,
T.- NÃO SE PODE SER MULTADO!

1.- NEM PRESO!
2.- NEM PRESO!
3.- NEM PRESO!
T.- (bombo) PUM!
1.- (virado para 2 e 3) ISTO É POLÍTICA!
2.- ISTO É POLÍTICA!
3.- ISTO É POLÍTICA!
T.- ISTO É POLITICA!
T.- (bombo) PUM!


COISAS PRÓPRIAS DO ENTRUDO, BOAS EM QUALQUER OCASIÃO

T. -ALGUMAS SENHORAS DA NOSSA TERRA
      ESCAMDALIZAM-SE COM UM SIMPLES BEIJO!
     AI QUEM ME DERA… AI QUEM ME DERA
     VÊ-LAS NO MESMO CORTEJO…
     DO DESEJO!
1.- QUANDO ERAM NOVAS, MOÇAS E BELAS
2.- (gesto de pala na testa) ONDE ESTÃO ELAS, ONDE ESTÃO ELAS?
3.- NAMORAVAM PELOS PINHAIS
T.- AOS AIS…AOS AIS… AOS AIS
3.- UM FILHO FORA DE TEMPO / ERA O ECO DE UM LAMENTO:
T- POR NÃO TER TROCADO O GOSTO DO DESEJO
T.- PELA CARÍCIA DE UM BEIJO.

1.- CRITICAM OS MAIS NOVOS /QUE DA VIDA NADA SABEM
2.- GALINHAS CHOCAS SEM OVOS
T.- GALIFÕES, MARIALVAS… QUE CAVEM.. QUE CAVEM..
3.- TRABALHO DURO, TRABALHO DURO !
1.- E NÃO FAÇAM BARULHO
2.- NADA DE MOTOS E LAMBRETAS
T.- MAIS MARRETAS, MAIS MARRETAS
T.- QUE CAVEM… QUE CAVEM

(pausa curta)
T.- SE APRENDER NÃO É OFÍCIO
DEIXEM-ME FICAR COM O VÍCIO
DE SER BURRO A VIDA INTEIRA
(CADA UM É BURRO À SUA MANEIRA)
OU DOUTOR NO SEU SABER:
- VAMOS TODOS APRENDER
E DIZER POR FIM:
“OS BARRILENSES SÃO ASSIM”
!

GAZETILHA DE “PÉ QUEBRADO”

T.- LEVEI A MINHA GAROTA
      UM DIA AO URTIGAL…
… FUI PASSEAR AO URTIGAL.
     E AQUELA GRANDE MAROTA
     QUIS FAZER UM PIQUENIQUE
     DE FIGOS SECOS COM AMORAS
     E ÁGUA DO ALAMBIQUE…
1.- APANHOU TAL BORRACHEIRA..
T.- QUE PERDEU O TINO E AS HORAS
2.- TAL ERA A BEBEDEIRA...
T.- FOI UMA BELA BRINCADEIRA, FOI UMA BELA BRINCADEIRA
1.- (pausa - virado para 2) AGORAS CASAS COM ELA!
(saem os três a abraçados  a gargalhar)



terça-feira, 2 de agosto de 2022

A importância de se chamar Dulcineia




Do  meu sítio vejo os novos moinhos de vento implantados na Serra do Açor. A bem do progresso e da economia, a paisagem está, em definitivo, alterada; o horizonte, se o céu não estiver escondido pelas nuvens, ficou estranho para quem entende pouco ou nada de energias renovadas.
Para sempre, desaparecem os moinhos que moíam os grãos. Os atuais aerogeradores são gigantes com uma “cabeça” a piscar de vermelho na noite; de dia descobrem-se as “velas” num movimento constante e pouco apressado, com a finalidade de converter a energia eólica em energia elétrica. Parte dela fará mover sofisticadas engrenagens com funções semelhantes às dos antigos moinhos dos moleiros, imagens ilustres da obra de Miguel de Cervantes, D. Quixote de la Mancha.
O autor narra, entre outras aventuras, a luta de D. Quixote contra os moinhos de vento que o próprio confunde com gigantes.
Se Miguel de Cervantes existisse neste tempo de modernidades, a ponto de viajarmos a outros planetas, certamente teria dado outro sentido à sua imortal obra e era bem capaz de inventar outro personagem, talvez com a “mesma triste figura” do seu cavaleiro andante, mas por outras causas…
Imagino a “minha serra” do Açor como mote para estória novelesca, desvendando segredos, como os que estão associados à aldeia histórica do Piódão.
É por aqui que me fecho num silêncio absurdo sobre a paisagem, quase “morta” de gentes e animais – nem um corvacho a sondar do alto a ração do dia, muito menos um “moleiro”, se é que os houve por lá noutros tempos.
Conduzo devagar, a seguir a uma curva, descubro a aldeia, faço uma pausa na viagem e contemplo a realidade de um sítio de total encantamento. Cá de cima não vislumbro qualquer tipo de vida, como se o Piódão estivesse adormecido.
Continuo sem mais paragens até ao largo da Igreja. Depois, a pé, ando por ali numa espécie de solidão de bem-querer – desejo-a assim, que me faz bem à alma. Subo por uma rua minúscula e, na volta, o olhar perde-se no topo da serra e nos gigantes que “protegem” a aldeia…
Este momento único foi suficiente para reviver a estória do D. Quixote de la Mancha e do seu escudeiro Sancho Pança – duas personagens do imaginário fantástico de Cervantes.
Junto-lhe uma terceira, que nunca se “vê” na obra, mas sente-se a sua importância na vida apaixonada do cavaleiro: Dulcineia.
Estou, na vida, como D. Quixote de la Mancha em relação à figura que nunca viu – só dei conta disso num dia de Outono, no Piódão, aqui tão perto…

-* Publicado em novembro de 2008:

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