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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

O obelisco

Estamos em junho de 1965.
A União e Progresso do Barril de Alva, UPBA, deseja erguer um obelisco no largo da escola e precisa da autorização do ministro da Educação para levar por diante as suas intenções, depois do projeto ter sido aprovado pela Câmara Municipal de Arganil.
No dia 13 daquele mês de junho segue a carta protocolar, onde muito respeitosamente “… vêm à presença de V-Exª. solicitar a autorização necessária para que esta coletividade possa homenagear os beneméritos locais, muito especialmente aqueles que construíram o edifício escolar a suas expensas e o entregaram ao Estado mediante escritura de doação em 8 de junho de 1913…”. Junta-se a planta do obelisco e a indicação de que a sua inauguração “se pretende inserir no programa do 30º aniversário da UPBA”.
O ofício da Direção do Distrito de Escolar de Coimbra, datado de 14 de setembro do mesmo ano, informa que “… por despacho de 8 do corrente foi autorizada a implantação do obelisco…”, e acrescenta, “preto no branco”:
- A Delegação para as Obras de Construção de Escolas Primárias emite o parecer "de que a parcela triangular que será subtraída ao logradouro para aquele efeito pode ser ajardinada, com o que beneficiará todo o conjunto”.
Entre outras, sobre a “Estética do Belo”, prefiro a definição (resumida) de São Tomás de Aquino: “a coisa completa”, bonita, perfeita
… como um jardim “arrumadinho”, com ou sem obelisco

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

José Custódio Gomes - político, sindicalista e autarca

 


Um Idealista convicto, pelo uso persistente da palavra e do gesto, pode transformar um modesto operário num líder, dos que “conquistam a sua autoridade por meio da compreensão e confiança” - (Klaus Balkenhol).
José Custódio Gomes, natural do Barril de Alva, foi um desses homens.
Tempos atrás, o meu amigo António Figueiredo (Tonecas) falou-me dele e de como levou à prática o ideal socialista, a ponto de ser reconhecido pelos seus pares como exemplo a seguir. Agora, o Tonecas, foi portador de um recorte da “Comarca de Arganil” onde AIACO, no seu “Cantinho barrilense”, de 31 de janeiro de 1970, resume a história de um dos nossos conterrâneos - político, sindicalista e autarca.
Tudo começou nos tempos da monarquia…
Dizem as palavras escritas no antigo “Século”, Diário de Notícias e “A Comarca de Arganil”, que José Custódio Gomes era irmão de António, Manuel, Albano e Adriano, todos barrilenses. Foi para Cacilhas, Almada, ainda jovem, abraçou a profissão de corticeiro, e aí constituiu família.
Como republicano, desde 1884, e depois como socialista, foi um dos fundadores do Centro Republicano de Cacilhas e fundou a Associação dos Corticeiros. Fez parte de diversas vereações, antes e depois da proclamação da República, tendo sido também, em determinado período, administrador de concelho.
Faleceu no dia 2 Abril de 1929. O funeral foi acompanhado por mais de 500 pessoas”.
A sua memória ocupa lugar de destaque na história do concelho de Almada e, porque não, na história da nossa terra…” - escreve AIACO.
Mais vale tarde do que nunca: num futuro, que se deseja breve, o nome de José Custódio Gomes fará parte da galeria “Figuras Ilustres” da casa/museu “OS BARRILENSES SÃO ASSIM”.

domingo, 1 de agosto de 2021

Romeu Correia, escritor e dramaturgo, tinha "sangue" barrilense



A aldeia do Barril de Alva, apesar de circunscrita aos 3,34 km² de área, é uma terra com pergaminhos de onde são oriundas figuras proeminentes em diversas áreas. Disso “falará" o próximo museu “Os Barriilenses são assim”…
A novidade de hoje está relacionada com a prestigiada figura de Romeu Correia, “…escritor, dramaturgo e desportista português. Em Almada, cidade onde nasceu e viveu, existe o Fórum Municipal Romeu Correia, espaço cultural inaugurado em 1997 onde se concentram a Biblioteca Municipal e o Auditório Fernando Lopes-Graça.
Nasceu a 17 de novembro de 1917, em Almada, e faleceu a 12 de junho de 1996, na mesma cidade.
Era filho de Rogério Henrique Correia e Arminda do Nascimento Pinto Correia
O seu avô paterno, António Pinto, natural de BARRIL DE ALVA, foi comerciante em Cacilhas, Almada…” .
Será que no Barril de Alva ainda existem familiares de tão ilustre personalidade?

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Rostos da Filarmónica

A Filarmónica Barrilense, no “dia do Barril de Alva”, “discursou” com brio e “disse ao que vinha": o caminho “faz-se caminhando”!















quinta-feira, 20 de maio de 2021

Rio ALVA, ALBA ou ALBULA


 O Rio Alva como foi descrito por Pinho Leal*

“Nasce na serra da Estrella, de uma das lagôas que estão no alto da Serra. (Vide Estrella).
Principia o seu curso no sitio da Cabreira. Perde o nome no sitio de Porto de Boi, e d'ahia uns 80 metros, no sitio de Summo, se esconde por baixo da terra, tornando a sahir na ponte de Caniços.
É um tunel natural, onde a luz penetra por oculos, também naturaes.
Abaixo d'esta ponte se lhe junta o ribeiro de Sabugueiro, tendo próximo uma ponte de pedra.
Aqui se espaira e forma o grande Pégo de Pedro Gil, e por baixo tem outra ponte de pedra, próximo a Villa-Cóva da Coelheira. Até aqui as suas águas são inutéis por correrem muito fundas, por entre penhascos; mas d'aqui para baixo principiam a ser aproveitadas em moinhos e regas.
Passa a villa de Sandomil(a 18 kilometros da origem do rio), e vae até á villa da Feira(não á villa da Feira provincia do Douro, mas á da Beira), daqui á vila de Avô, onde têm uma ponte de pedra, e d'aqui passa a famosa ponte de Villa Cova de Sub-Avô, vae a Cója, onde têm outra ponte, e ahi recebe a ribeira de Cója. Passa a aldeia de Serzêdo, onde se junta o ribeiro d'este nome, e vai até aos Furados.
Chamam os Furados a um boqueirão, que abriram, por baixo de uma serra, para regarem campos. Aqui desce a agua por um cachão, de desmedida grandeza, fazendo tamanho estrondo, que se ouve a grande distância. Todo este aqueduto subterrâneo é obra dos arabes, e quasi todo aberto a picão, em rocha viva. A pesca que se faz n'estes Furados é immensa de verão.
Antigamente era todo o peixe dos condes de Pombeiro, que eram os senhores da terra.
D'ahi vae a Valle de espinho, onde têm uma ponte de um só arco, mas de maravilhosa architectura.
Morre na esquerda do Mondego, na Foz do Alva. Cria bastante peixe e até á Foz do Alvachegam lampreias e saveis; mas poucos, e só até onde o rio não têm açudes.
Têm 60 kilometros de curso.
As escarpadas margens d'este rio tem muitas minas de oiro, que os romanos e árabes exploraram, do que há muitos vestigios evidentes junto á ponte de Murcella e Moura Morta (foral de D. Afonso Henriques no ano de 1151).
Suas areias ainda ás vezes trazem palhetas de oiro”.

-

*Pinho Leal

Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal foi um militar português mais conhecido por historiador, pela sua monumental obra corográfica: «Portugal Antigo e Moderno», em 12 volumes, publicados em Lisboa pela Livraria Editora de Mattos Moreira entre 1873 e 1890. Wikipédia

Nascimento: 16 de outubro de 1816, Lisboa

Falecimento: 2 de janeiro de 1884, Lisboa

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

O "prédio dos bonecos" (2)

 

Barril de Alva - Joaquim Mendes Correia de Oliveira e o seu filho António Inácio Alves Correia de Oliveira - AIACO -junto à sua residência. Na imagem seguinte, o registo das traseiras do palacete da  família - o "prédio dos bonecos"...

sábado, 29 de agosto de 2020

O "prédio dos bonecos"


- O barrilense Joaquim Mendes Correia de Oliveira louvado pelo Governo da República

Diário do Governo n.º 57/1913, Série I de 1913-03-11 Ministério do Interior - Direção Geral da Instrução Primária.

Portaria de 8 de Março (…) louvando o professor da escola do lugar do Barril e o cidadão
Joaquim Mendes Correia de Oliveira 
por serviços relevantes prestados à instrução e educação cívica nacionais. 

Progresso da terra natal e o bem-estar da sua população foi o paradigma de ilustres barrilenses durante décadas de lideranças arrojadas (CIEBA, UPBA, Filarmónica) e investimentos pessoais (fontanários, igreja e capelas, escola pública, ruas e caminhos, etc, etc).Recordamos:
- José Monteiro de Carvalho e Albuquerque. “senhor da casa do Barril”, Quinta de Santo António, por ter erguido bem alto o estandarte da honrada Filarmónica Barrilense em 1894. 
- Irmãos Nunes dos Santos, proprietários dos Grandes Armazéns do Chiado, beneméritos de “mão cheia”, possivelmente líderes da lista de autores de múltiplas benesses. 
- Joaquim Mendes Correia de Oliveira , barrilense, pouco referenciado, é certo, mas pelo merecimento da sua generosidade justifica encómios e destaque de “primeira página”, como o Governo da República reconheceu em 1913. 
A Junta de Freguesia do Barril de Alva, em 1924, também não deixou de lhe prestar justa homenagem ao atribuir o seu nome a uma das primeiras ruas da aldeia… 
Joaquim Mendes Correia de Oliveira emigrou para Belém do Pará, no Brasil, onde fez fortuna. De regresso a Portugal, construiu de raiz um soberbo palacete na sua terra natal, ainda de pé e habitável. O edifício é conhecido pela “prédio dos bonecos” pelo facto da decoração do beirado ostentar peças de estatuária. 
A talhe de foice, refira-se o pormenor de ter sido em 1911 residência temporária (?) do ministro do Fomento da República, Brito Camacho. 
A benemerência do nosso conterrâneo estendeu-se à construção 
- do esplendoroso edifício da escola primária do Barril de Alva, em parceria com José Freire de Carvalho e Albuquerque, Abílio Nunes dos Santos e Joaquim Nunes dos Santos; 
- da antiga sede da Filarmónica Barrilense (agora, depois de recuperada acolhe um projeto cultural de inegável importância na comunidade: a Casa/Museu “OS BARRILENSES SÃO ASSIM”, frase emblemática dita vezes sem conta pelo seu filho A.I.A.C.O); 
- da igreja matriz do Barril de Alva, que tem como orago S. Simão. 
Infelizmente, Joaquim Mendes Correia de Oliveira faleceu relativamente novo. 
A lista de pessoas de bem fazer, não sendo extensa pela leitura das marcas de avultadas obras, é, no entanto, enorme pelo espírito solidário de quem nasceu barrilense ou sente como sua esta mesma “pátria”. 
Voltaremos ao assunto.