A caminho da ponte ...
Em tempos idos, o dia de São João era a maior festa da freguesia do Barril de Alva. A comunidade barrilense residente na região de Almada regressava em força à terra natal, uns em excursões organizadas, outros nas suas próprias viaturas, e a aldeia transpirava alegria, entusiasmo e movimento.
Tinham fama os bailes realizados no coreto, mas o momento mais aguardado era, sem dúvida, o chamado "dia da ponte": o grandioso piquenique anual realizado no recinto do Parque de Merendas, espaço que viria mais tarde a receber o nome de AIACO, em homenagem a António Inácio Alves Correia de Oliveira.
Era também nesse dia que se vivia um dos episódios mais pitorescos das festividades: o tradicional despique de foguetes entre os mordomos de São João do Barril de Alva e os de Vila Cova de Alva. Os de cá, junto ao rio; os da outra banda, no alto do monte onde se ergue a capelinha em honra de São João do Alqueidão. Durante largos minutos, o céu ecoava com o estrondo dos foguetes, numa rivalidade saudável que animava as duas margens do Alva e fazia vibrar as populações.
A história desta capela perde-se no tempo. Sabe-se, porém, que, segundo um registo antigo, "em o derradeiro dia de Maio da era de 1633, eu, prior Manuel Nunes, disse a primeira missa em a capela de Sam João Bautista que mandei fazer".
Da antiga Igreja Matriz, conhecida ao longo dos séculos por “São João de Anseriz, São João do Coizarado e São João de Alqueidão”, não restam hoje vestígios materiais. Permanece, contudo, a memória de um lugar profundamente enraizado na identidade religiosa e cultural das gentes destas terras.









