quarta-feira, 9 de setembro de 2026

"BARRIL DO ALVA (Arganil): Casa-Museu passou a ser a memória histórica do Barril de Alva" --"A Comarca de Arganil"

 

Momento em que o presidente da União Progresso, António Figueiredo (Tonecas) entregava lembrança a Carlos Alberto Ramos como reconhecimento pelo seu trabalho desenvolvido na formação da Casa-Museu, tendo como testemunhas, os presidentes da União de Freguesias (João Tavares), da Câmara de Arganil (Luís Paulo Costa) e da Filarmónica Barrilense (Carlos Nobre) - 24 de julho de 2022

A antiga sede da Sociedade Filarmónica Barrilense, passou a ser, desde o passado dia 24 de Julho, a Casa-Museu dos Barrilenses, pois ali estão perpetuadas memórias de uma comunidade rica em figuras e acontecimentos por elas proporcionadas ao longo da sua existência, bastando recuar no tempo para dizer que o edifício foi oferecido por Joaquim Mendes Correia de Oliveira, construído em 1911 e reconstruído em 1964 e 2020, sendo de relevar o papel que o barrilense Carlos Alberto Ramos desenvolveu para embelezar o espaço com todos os acontecimentos ocorridos na freguesia ao longo dos anos, bem como as personalidades que fizeram do Barril de Alva uma grande comunidade, bastante conhecida para lá das suas fronteiras, sobretudo em Lisboa e Almada, sem esquecer o papel que teve nesta e noutras obras, que foi a União e Progresso do Barril de Alva.

Esta colectividade, representada pelo seu presidente António Figueiredo, mais conhecido por Tonecas e outros membros que de Almada se deslocaram propositadamente para o efeito, foi-nos informado que nestas obras a União investiu 18 mil euros, não falando de outros melhoramentos que estiverem sob a sua responsabilidade, durante os últimos três anos, como bancos colocados no Largo do Coreto, bem como candeeiros de iluminação pública, num investimento total de cerca de 30 mil euros, não falando do apoio dado às associações locais.

Recordando figuras ilustres

Carlos Nobre, presidente da direcção da Filarmónica, não deixou de recordar grandes figuras que muito amaram o seu Barril, como foi o caso de António Inácio A. Correia de Oliveira (AIACO), que através da sua frase, «Os Barrilenses são assim…», ficou vincada nas colunas de «A Comarca de Arganil», através dos seus escritos, e foi precisamente através dos arquivos deste jornal que «foi possível reunir a maior parte de toda a informação que se disponibiliza aos nossos visitantes», como referiu Carlos Nobre, que também não esqueceu outro grande vulto barrilense, que foi Alberto Martins de Carvalho, que citando uma passagem de um seu escrito seu, em 1943, relevando a fibra dos barrilenenses, afirmou que «Eu podia dizer bastante, com verdade e justiça, sobre as qualidades dos meus patrícios: o seu amor ao trabalho, o fiozinho sentimental que os une a todos, mesmo aos que andam perdidos por esses reinos de Cristo, a sua vontade de caminhar e progredir, vontade obscura mas tenaz, vontade de bons plebeus e camponeses, pessoas cujas mãos não servem apenas para justificar as algibeiras». E ao agradecer a todos que se envolveram nesta jornada histórica e de memória barrilense, Carlos Nobre destacou o papel que teve na sua organização e decoração que foi Carlos Alberto Pereira Ramos, e por isso lhe fez entrega de uma lembrança como reconhecimento do que desenvolveu, não esquecendo também Avelino Bernardo pela sua preciosa ajuda nos acabamentos do museu.

António Figueiredo, emocionado, disse estar concluído um sonho há muito desejado, um espaço «onde a história barrilense está descrita através de escritos e de figuras gradas do Barril», relevando o papel que tem tido, ao longo dos anos, a União e Progresso do Barril de Alva, e mais recentemente com o apoio total para que a Casa-Museu fosse realidade, como atrás foi referido. E como presidente da União, o Tonecas deixou um apelo a todos os barrilenses para que colaborem, a fim de que «o Barril de Alva seja cada vez mais unido e acolhedor».

Em breves palavras, mas bem sentidas, o presidente da União de Freguesias, João Tavares, reconhece que «esta é uma terra de gente que trabalha» e por isso «é um orgulho ser seu presidente», não deixando de agradecer à União e Progresso o que tem desenvolvido a favor da comunidade que representa, angariando fundos, sobretudo na zona de Almada «e os traz para desenvolver o Barril de Alva».

São palavras do presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, acrescentando que «as intenções e ideias são necessárias», relevando o papel da União e Progresso, pelo que despendeu nestes últimos três anos, bem como as parcerias que «acabam por ser eficazes». Reconhecendo o bom gosto de Carlos Ramos na amplitude histórica local ali patenteada, acaba por ser uma festa dos arganilenses que ali estava a viver-se, mas era, sobretudo, uma festa dos barrilenses.

Quem desejar visitar este espaço, pode fazê-lo sundo regras a definir, com a presença de um guia, através de marcação prévia junto do secretário da Junta de Freguesia, João Luís Gouveia, na sede da Associação Filarmónica Barrilense, ou no Mini-Mercado Vira-Milho.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Casa do Povo do Barril de Alva



A Casa do Povo do Barril de Alva foi criada na década de 1930 (oficialmente constituída como corporação do Estado Novo em 1936), tendo o seu edifício de sede original sido construído nesse mesmo período.

Esta instituição figurou entre as primeiras Casas do Povo do concelho de Arganil e do país, concebida na altura com a dupla função social de apoio aos trabalhadores rurais e de centro comunitário/cultural para a população local.

Detalhes da História do Edifício


Projeto e Estilo: O edifício responde ao modelo arquitetónico corporativo promovido pelo Estado Novo nas décadas de 30 e 40 — construção térrea, de traço simples mas sólido, concebida para integrar valências como posto médico, biblioteca e espaço de convívio comunitário.

A Reconstituição Social ( Anos 90): O edifício histórico acabou por reativar e alargar o seu papel comunitário na década de 1990. Em 16 de dezembro de 1993, a comunidade local constituiu formalmente a Associação Humanitária e Social da Casa do Povo de Barril de Alva, requalificando as instalações e inaugurando as valências de Centro de Dia e Apoio Domiciliário a 18 de fevereiro de 1996.
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Imagem  recuperada pela IA, que também produziu a totalidade do texto

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Aline Pontes - recordar tempos da escola primária

 

Aline Pontes, na imagem acompanhada pela Carla Simões e filha, com sangue "barrilense", regressou ao  Barril de Alva, visitou a Casa/Museu e "reencontrou-se" com o seu / nosso passado durante o tenpo de convívio na Escola Primária. Agora, em tempo de férias, era obrigatório dar um mergulho no "nosso" rio, no Urtiigal. Até à próxima viagem... por estas bandas


Na escola do Barril de Alva. Aline  é a menina de perfil na primeira fila; eu estou na penúltima, de camisa branca


sábado, 15 de agosto de 2026

Barril de Alva: O Belo, o Tempo e a Imaginação

A Cor e o Tempo

Por mais que os meus olhos vejam e o coração sinta os encantos da minha aldeia, Barril de Alva, nada me cansa. Há, porém, um cansaço subtil — aquele que nasce da contemplação do desgaste do património, público e privado, que o tempo insiste em consumir. A Natureza, essa não se rende: surpreende-me diariamente com as múltiplas nuances da sua paleta. Basta estar atento para perceber que ela nunca se repete.

À medida que a minha viagem no tempo se aproxima do seu final, sinto que é justo alimentar o espírito, a alma, a mente — seja lá o que for que permanece, se permanecer, para além do desenlace do corpo. Não possuo dons que garantam eternidade a coisa alguma; por isso, enquanto a lucidez me acompanha, repito com Descartes: "penso, logo existo".

E penso, sim, em como seria belo ver a minha aldeia pujante de vida, vestida com as tonalidades do arco‑íris, segundo a Estética do Belo de Hegel: “O belo artístico criado pelo ser humano é superior ao belo natural, pois resulta do pensamento e da consciência espiritual, tornando-se uma expressão mais real da verdade do que a própria natureza inata.” Se o belo artístico é fruto da consciência, então o meu desejo é simples: que o Barril de Alva volte a ser obra consciente, cuidada, pensada, amada — e não apenas cenário entregue ao tempo.

Nas horas paradas dos meus dias, leio e escrevo. Procuro identificar-me — ou afastar-me — daquilo que existe para além do espaço físico das minhas deambulações, onde pouco ou nada acontece de extraordinário. Leio por isso, e por mais nada: entretenimento mental, sem ambição de saber mais, salvo o mínimo necessário para dominar os aconchegos — sempre lúdicos — deste vasto mundo da Inteligência Artificial.

A IA fascina-me ao ponto de eu responder com um “obrigado” quando os algoritmos reconhecem padrões e melhoram o meu desempenho semi‑analfabeto nestes oceanos onde, admito, posso naufragar. Com algum tento, porém, posso sobreviver no meu pequeno paraíso — o Barril de Alva — rodeado de beleza infinita, ao estilo de Roque Gameiro, o maior aguarelista português.

"Penso, logo existo". E existo melhor quando a imaginação pinta o que a realidade ainda não alcançou.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

U.P.B.A. -A Estrada do Casal Cimeiro foi inaugurada no dia 13 de Janeiro de 1952


 

São devidas à ação da União e Progresso do Barril de Alva (UPBA) obras de vulto na extinta freguesia do Barril de Alva - destaco a Rua do Casal Cimeiro pelo impacto na malha urbana  da localidade

O livro “Uma Terra da Beira”,  da autoria do nosso bom amigo Carlos Leal, cuja leitura recomendo, relata  com pormenor  as vicissitudes da construção da Estrada do Casal Cimeiro, posteriormente designada por Rua União e Progresso do Barril de Alva.

 Por agora, sobre o tema, recordemos algumas memórias  retiradas de um outro documento.

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(…) Até que, no ano de 1951, por altura dos festejos de S. João, se deslocou ao Barril de Alva uma delegação muito vasta de dirigentes da União e Progresso do Barril de Alva os quais puderam apreciar no local os problemas que continuavam a ter os habitantes do Casal Cimeiro no que respeitava às acessibilidades. Logo ali procuram saber junto dos responsáveis da Junta de Freguesia qual a disponibilidade financeira que dispunham para a definitiva conclusão da obra, desta feita com o calcetamento da rua que traria necessariamente a solução para os muitos problemas. Claro que, como se calcula, a Junta não tinha dinheiro para mandar cantar um cego quanto mais para fazer uma obra daquela natureza. Contudo, sabendo que era um melhoramento que não poderia ser mais adiado, os dirigentes da União e Progresso do Barril de Alva resolveram levar por diante a execução da obra, mesmo sabendo que os custos seriam elevadíssimos para os parcos proventos da Coletividade. Mas, se lhes faltavam os recursos financeiros sobrava-lhes imaginação, o que à partida era meio caminho andado para a obtenção dos fundos necessários para a consecução da obra.   

Uma grande campanha de angariação de fundos foi iniciada para a qual utilizaram diversas iniciativas, nomeadamente, almoços de convívio, espetáculos de variedades, quermesses, peditórios e a receita da quotização dos sócios. Também dos Barrilenses radicados em Moçambique, na então Lourenço Marques, se recebeu uma quantia ali angariada que se juntou ao já reunido pelos dirigentes em Lisboa, Almada e no Barril de Alva e que na totalidade perfazia a quantia de 13.272$00.

Entretanto, tinha-se começado a obra, inicialmente prevista fazer numa primeira fase que iria do cruzamento do caminho para a Ribeira, ao Casal do Meio, até às Almas e que incidia, sobretudo, na terraplanagem, alargamento, levantamento de muros, sistema de drenagem de águas pluviais e calcetamento. Posteriormente, e dado a recolha de fundos decorrer de forma muito satisfatória, superando até as melhores expectativas, decidiu-se prolongar os trabalhos até ao fim, isto é, até à capela da Santa Maria Madalena. Para tal, recorreu-se a um empreiteiro que com a mão-de-obra local cumpriu rigorosamente com os prazos que tinha contratado com a Junta de Freguesia que era, oficialmente, a dona da obra.

No dia 13 de Janeiro de 1952, foi por fim inaugurada a até então denominada estrada do Casal Cimeiro, que a partir dessa data, por iniciativa da Junta de Freguesia e com a anuência da Câmara Municipal de Arganil, se passou a designar, Rua União e Progresso do Barril de Alva. Resta acrescentar, que a obra teve como custo final a quantia de 11.600$00, sendo que o saldo apurado entre a receita e a despesa, que perfazia 1.672,00, reverteu para as futuras obras da Rua do Casal do Meio que começavam já a germinar na cabeça dos dirigentes da Coletividade.

Como então diria o saudoso AIACO no discurso de inauguração daquela via, alguns daqueles que em 1935 se predispuseram a encetar os primeiros passos daquela obra já não faziam parte dos vivos, porém, era deles boa parte do esforço que fora feito ao longo daqueles anos e que viria a culminar numa das mais simbólicas iniciativas que a União e Progresso do Barril de Alva levou a efeito (…).

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Barril de Alva: um lugar moldado por sonhos, obras e memórias


 Barril de Alva foi, em tempos, terra de gente próspera, com fortunas construídas fora de portas, mas sempre ligadas às suas origens. Entre essas figuras destacaram-se os irmãos Nunes dos Santos, fundadores dos Grandes Armazéns do Chiado, com negócios espalhados por diversos pontos do país; Joaquim Mendes Correia de Oliveira, emigrante no Brasil; e os “senhores da Casa do Barril”, ou Quinta de Santo António, “donos de terras até ao rio…”.

Foram estes últimos que fizeram da aldeia um lugar de permanência e influência durante décadas. Contudo, através dos laços matrimoniais, a sua presença e prestígio estenderam-se também às terras vizinhas, nomeadamente Folques e Vila Cova de Alva (antiga Vila Cova de Sub-Avô).

A grandeza do Barril de Alva de outros tempos foi, sem dúvida, reflexo da capacidade económica dos seus promotores, mas também do amor profundo que nutriam pela terra natal. Eram homens com visão, determinados em dotar a sua aldeia de estruturas capazes de garantir melhores condições de vida e um desenvolvimento sociocultural digno.

Esse legado permanece ainda hoje visível: ruas largas e arejadas, fontanários, igreja e capelas, o edifício da escola primária, a Casa do Povo, o cemitério, a sede da Filarmónica, o coreto e as memórias do antigo Cine-Teatro, espaço que durante anos foi palco de cultura e convívio.

A ponte sobre o rio Alva, obra pública financiada pelo Governo e construída entre 1886 e 1888, veio aproximar as duas margens e abrir novos horizontes ao Barril de Alva. A ela juntou-se o emblemático chafariz de granito, com a forma inspirada num pipo, elementos que reforçaram a identidade e a modernidade da aldeia.

A importância alcançada pelo Barril de Alva era evidenciada no panfleto da União e Progresso, publicado aquando do seu terceiro aniversário, em 1938, onde se destacava que “a aldeia está bem servida de acessos e ainda oferece o usufruto da luz elétrica, estação postal, cabine telefónica, de um CINE-TEATRO, concertos da Filarmónica”, entre outros equipamentos e serviços.

Na leitura desse documento encontra-se também, na minha interpretação, o encanto de uma escrita que associa a generosidade da Natureza ao destino privilegiado do Barril de Alva, como se o “divino” tivesse favorecido aquele território ao proporcionar-lhe uma bifurcação de estradas, transformando-o num ponto de passagem e encontro.

A construção do imponente edifício da Filarmónica barrilense resultou de uma verdadeira alquimia de muitas vontades, do esforço coletivo e do espírito associativo que sempre marcou a comunidade. Mais tarde, o Centro de Dia representou a concretização da ambição legítima de um líder carismático da terra, cuja determinação encontrou apoio nos restantes membros dos seus órgãos sociais.

Mas a desertificação da Beira Serra não poupou o Barril de Alva. A população residente envelheceu e muitos dos mais jovens partiram à procura de novas oportunidades. A falta de população ativa teve consequências profundas, refletindo-se também nos cadernos eleitorais e contribuindo para a perda da sua autonomia administrativa em 2013.

Hoje permanecem os desafios de dar nova vida a alguns dos edifícios que testemunham essa história. A Casa do Povo, que integra o património do Centro de Dia, possui ainda espaços com reduzida utilização; a antiga escola primária e a residência dos professores resistem ao tempo através de usos temporários, existindo, contudo, projetos que poderão transformar a antiga residência dos professores em dois apartamentos integrados numa possível rede turística local.

No meio destas dificuldades, destaca-se a sede da Filarmónica, verdadeiro oásis cultural da aldeia, mantendo viva a atividade que esteve na origem da sua fundação, em 1894, e preservando uma das mais importantes marcas da identidade coletiva do Barril de Alva.

Uma terra não se mede apenas pelo número dos seus habitantes, mas também pela força das suas memórias, das suas obras e das pessoas que, ao longo dos tempos, acreditaram nela.

sábado, 1 de agosto de 2026

Barril de Alva - É pedir muito?

 


Em 2013, o Barril de Alva perdeu a sua autonomia administrativa “por uma unha negra”, quando competia com outras localidades do concelho de Arganil. Sendo assim, durante uma reunião magna, o povo opinou que, “mal por mal”, perante um casamento obrigatório, preferia unir o seu destino aos seus patrícios de Côja. Cumpriu-se a “Lei Relvas”.

Nada a dizer das autoridades autárquicas eleitas a partir de 2013: a aldeia manteve os projetos vindos do extinto executivo e outros foram implantados. O facto de existir um barrilense nos sucessivos executivos permitia a sua presença permanente na aldeia, facilitando — e de que maneira! — a gestão do espaço público.

Nas últimas eleições autárquicas, contudo, a regra foi descontinuada.

Sem o poder democrático legitimado num pequeno burgo, senhor do seu destino, que motivações pode ter um modesto e teimoso cidadão — eu! — para permanecer fiel aos seus ideais humanistas, por um lado, e, por outro, continuar a “filosofar” António Gedeão: “Eles não sabem que o sonho / É uma constante da vida / Tão concreta e definida / Como outra coisa qualquer (…)”?

É a utopia dos sonhos, reconhecidamente irrealizáveis, que motiva as minhas ações solitárias e as palavras soltas, como estas: algumas públicas e reivindicativas, outras em jeito de apelo gentil. O hábito de considerar o rifão “não é com vinagre que se apanham moscas” deve ser entendido como uma conduta pacífica e de bem-querer, com o objetivo de “levar a água ao moinho” — isto é, motivar as autoridades autárquicas para determinadas atenções e intervenções da sua responsabilidade. Afinal, os sonhos irrealizáveis são aqueles que não constam do plano orçamental do executivo da Junta de Freguesia.

Por mais que me envaideça o amor pelo Barril de Alva — para mim, “um pedaço de paraíso…” —, existe a consciência de que, para além da presença do rio Alva, da história da aldeia, das vistas desafogadas sobre a serra do Açor, das ruas largas e arejadas, da grandiosidade da Praça Alberto Martins de Carvalho, do edifício da antiga escola, da imponência da sede da Filarmónica e das memórias de alguns palacetes e monumentos de pequeno porte que simbolizam o esforço daqueles que contribuíram para o bem-estar do povo… que mais temos para mostrar e cativar o visitante, principalmente durante o verão?

Ah, o Café “Vira Milho”! Pela sua estética apurada, pela simpatia da Rosa e do João e pelos serviços públicos que prestam, também entra, por direito próprio, nesta short list. Quando os proprietários fecham para férias, a aldeia parece um deserto!

O turismo é uma opção válida se conseguirmos manter os espaços verdes cuidados, a higiene da Área de Serviço para Autocaravanas e de todo o espaço envolvente, as ruas e valetas limpas, as zonas de banhos arrumadas e os acessos seguros…

O executivo da Junta de Freguesia, na verdade, é responsável pela manutenção de um extenso território. Se mais não faz, a “culpa” terá de ser imputada às diversas carências da maioria das autarquias e, quanto a isso… terá de responder o Governo, “onde todos mamam”, segundo a metáfora popular de Bordalo Pinheiro.

Ninguém é lorpa: toda a gente deseja o melhor! Não reclamo para a minha terra os impossíveis, mas, como sou do tempo em que o Barril de Alva era uma terra “arrumadinha” e pedia meças a tantas outras com diferentes riquezas, é isso mesmo que “reivindico”.

É pedir muito?