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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Memória da nossa "Meninna Bonita"


 Há imagens que valem por mil palavras e esta, enviada pelo nosso amigo barrilense Will Silvestre, é um verdadeiro tesouro. Retrata a Associação Filarmónica Barrilense há cerca de 50 anos. 

Graças à Inteligência Artificial, a foto ganhou cor e uma nova alma, permitindo ver nitidamente cada um dos nossos garbosos filarmónicos. Como a memória já me vai atraiçoando quanto à cor exata das fardas da altura, passo a palavra a quem tiver a memória mais fresca: quem consegue identificar os rostos que aqui estão? Vamos reavivar esta história juntos!

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Ao que parece, tudo tem um fim

 


Os nobres sentimentos que nutro pelo Barril de Alva não carecem de adjetivos para enaltecer as suas virtudes. Bastam os retratos e a sua História.

Importa, isso sim, enaltecer aqueles que, ao longo de muitas décadas, sonharam e ergueram infraestruturas de notável qualidade nas áreas da cultura, da educação e da assistência social: a Escola Primária, com residência para os professores, a Casa do Povo,  a sede da Associação Filarmónica Barrilense, o Centro de Dia e tantas outras obras que ainda hoje testemunham a grandeza da sua visão.

O que verdadeiramente espanta é a lucidez e a coragem daqueles homens que rasgaram caminhos e abriram estradas por onde fizeram caminhar os seus sonhos. Ambicionavam colocar o Barril de Alva lado a lado com as vilas de Côja e de Vila Cova de Alva — esta última designada, até 1924, por Vila Cova de Sub-Avô — na disputa por um lugar de destaque na região da Beira Serra. E conseguiram-no durante largas décadas, até aos anos setenta do século passado.

Alguma coisa de especial havia de ter o Barril de Alva para alcançar esse prestígio. E tinha. Tinha uma população profundamente ligada à sua terra e uma numerosa colónia de barrilenses espalhados pelo país e pelo mundo que, por mais voltas que a vida lhes desse, nunca deixaram de considerar a aldeia como o seu refúgio sentimental, o lugar onde as raízes permaneciam intactas.

Ao que parece, tudo tem um fim. As pessoas partem e, com elas, desaparecem hábitos, costumes e formas de estar. Os lugares tornam-se órfãos da memória daqueles que lhes deram vida. Entretanto, chegam novas gentes, vindas de outras paragens, trazendo consigo diferentes culturas, linguagens e modos de viver. É o curso natural da História. As diferenças acolhem-se e respeitam-se, mas permanece sempre a esperança de que quem escolhe viver sob a nossa bandeira aprenda também a amar a terra que o recebeu e contribua para preservar a sua identidade.

O "meu" Barril de Alva — porque é da minha terra que estas palavras falam — não está moribundo. Continua vivo, envolvido pela beleza ímpar da Serra do Açor e do rio Alva. Mas, por vezes, parece um silêncio habitado: um lugar onde a Natureza floresce enquanto as vozes de outrora se vão tornando cada vez mais raras.


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Viva o S. João!

 A caminho da ponte ...

... o momento mais aguardado era, sem dúvida, o chamado "dia da ponte"

Em tempos idos, o dia de São João era a maior festa da freguesia do Barril de Alva. A comunidade barrilense residente na região de Almada regressava em força à terra natal, uns em excursões organizadas, outros nas suas próprias viaturas, e a aldeia transpirava alegria, entusiasmo e movimento.

Tinham fama os bailes realizados no coreto, mas o momento mais aguardado era, sem dúvida, o chamado "dia da ponte": o grandioso piquenique anual realizado no recinto do Parque de Merendas, espaço que viria mais tarde a receber o nome de AIACO, em homenagem a António Inácio Alves Correia de Oliveira.

Era também nesse dia que se vivia um dos episódios mais pitorescos das festividades: o tradicional despique de foguetes entre os mordomos de São João do Barril de Alva e os de Vila Cova de Alva. Os de cá, junto ao rio; os da outra banda, no alto do monte onde se ergue a capelinha em honra de São João do Alqueidão. Durante largos minutos, o céu ecoava com o estrondo dos foguetes, numa rivalidade saudável que animava as duas margens do Alva e fazia vibrar as populações.

A história desta capela perde-se no tempo. Sabe-se, porém, que, segundo um registo antigo, "em o derradeiro dia de Maio da era de 1633, eu, prior Manuel Nunes, disse a primeira missa em a capela de Sam João Bautista que mandei fazer".

Da antiga Igreja Matriz, conhecida ao longo dos séculos por  “São João de Anseriz, São João do Coizarado e São João de Alqueidão”, não restam hoje vestígios materiais. Permanece, contudo, a memória de um lugar profundamente enraizado na identidade religiosa e cultural das gentes destas terras.

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

"Uma aldeia onde o rio, a serra e a memória aprenderam a viver juntos"

Mostrei ao ChatGPT uma fotografia do Barril de Alva e pedi-lhe que a analisasse. Eis o que a IA respondeu.




"Antes de falar da aldeia, deixo-me ficar alguns segundos a olhar para a imagem. Não vejo apenas um conjunto de casas. Vejo uma paisagem que parece ter sido desenhada pela paciência de muitas gerações.
O que mais impressiona é o equilíbrio. Há aldeias bonitas pela imponência das montanhas, outras pela força do rio. O Barril de Alva parece ter recebido os dois presentes: o rio que serpenteia suavemente pelo vale e as encostas que o abraçam como um anfiteatro natural.
A fotografia transmite uma sensação rara de harmonia. O olhar percorre os campos dourados, as manchas verdes das árvores, o casario branco espalhado pela encosta e acaba inevitavelmente por seguir o curso do rio. Nada parece estar a mais. Nada parece estar a menos.
Se me pedisses para apresentar o Barril de Alva a alguém que nunca ouviu falar da tua terra, talvez escrevesse algo assim:
O Barril de Alva é uma pequena joia escondida no coração do concelho de Arganil. Situado no vale do rio Alva, entre serras e florestas, conserva a autenticidade das aldeias que cresceram ao ritmo das estações e da vida comunitária.

Não é um lugar que impressione pelo tamanho. Impressiona pela alma. Cada rua, cada casa e cada recanto guardam histórias de trabalho, de emigração, de festas populares e de uma ligação profunda à terra.
O rio Alva não é apenas um elemento da paisagem; é parte da identidade da aldeia. Ao longo dos séculos moldou os campos, alimentou culturas, inspirou memórias e ofereceu aos habitantes um cenário de rara beleza.
Quem chega ao Barril de Alva encontra uma aldeia. Quem parte leva consigo uma paisagem.
Há também algo que a fotografia não mostra, mas que é talvez o mais importante: as pessoas. As aldeias vivem da memória dos seus habitantes. Uma paisagem pode ser magnífica, mas sem as histórias humanas seria apenas geografia.
Conhecendo um pouco das suas conversas, do seu trabalho de preservação da memória local, das fotografias, dos textos e do carinho com que fala do Barril de Alva, diria que a sua aldeia possui uma riqueza que não cabe nesta imagem: a consciência da sua própria história.
E talvez seja isso que torna esta fotografia tão especial. Não vemos apenas uma aldeia portuguesa. Vemos um lugar que continua a ser amado por quem nele nasceu, viveu ou guarda dele recordações.
Se tivesse de resumir o Barril de Alva numa única frase, escreveria:
"Uma aldeia onde o rio, a serra e a memória aprenderam a viver juntos"

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Familiares do João Gouveia "viajaram ao passado"



Sempre que um membro da família barrilense "viaja ao passado" numa visita à Casa/Museu, reencontrando rostos familiares e percorrendo os caminhos da memória e da história com emoção e admiração, este espaço ganha uma vida muito especial.

A tarde de hoje foi particularmente marcante para Maria  Adelaide  Marques Gouveia, Maria de Lurdes Gouveia Dias e Ilídio  Gouveia da Costa, que viveram momentos de genuíno encantamento ao revisitar memórias, fotografias e testemunhos de um tempo que permanece vivo na identidade coletiva do Barril de Alva.

Os visitantes pertencem a uma distinta família barrilense que tem, atualmente, na aldeia, o seu mais conhecido representante em João Luís Gouveia, reconhecido comerciante (Vira Milho Café e Minimercado) e  KukusKids – Animação de Eventos, além de antigo autarca.

Mais do que uma simples visita, foi uma viagem afetiva às raízes familiares e à história da comunidade, demonstrando, uma vez mais, a capacidade da Casa/Museu para despertar recordações, fortalecer laços e aproximar gerações.

domingo, 7 de junho de 2026

Will Silvestre - memórias reencontradas




A casualidade de um encontro juntou dois amigos do Facebook que, entre outros gostos comuns, nutrem pelo Barril de Alva uma paixão profunda, misturada com uma doce saudade dos tempos de infância.
Eu sou um deles — o mais velho. Como residente na aldeia há vários anos, "amadureci", adaptei-me aos tempos modernos e fui inventando formas de ser útil à terra onde nasci. O meu parceiro deste encontro, o Will Silvestre, sendo mais jovem e residente de longa data num outro território "ligeiramente" maior — os Estados Unidos da América —, foi criança neste "pedaço de paraíso". É desse tempo que lhe sobram as melhores memórias, tanto dos lugares como dos jovens da sua geração.
Conversa puxa conversa e, em poucos minutos, estávamos no interior da Casa-Museu “Os Barrilenses São Assim”. Ali, desempenhei o meu papel de cicerone, numa tentativa de o conectar emocionalmente com o espólio. Há imagens onde só os "olhos da alma" conseguem descobrir emoções profundas — e foi num desses momentos que uma lágrima terna espreitou, mas que o Will segurou firmemente no canto do olho…
Para a posteridade, ficou o registo fotográfico do Will Silvestre e da sua gentil esposa, no momento do "até breve"...

* Nota de orgulho local: O Will Silvestre é filho do estimado barrilense José Simões Silvestre, cuja dedicação e mérito foram reconhecidos pela República Portuguesa com o grau de Comendador.

O LEGADO DO COMENDADOR

Imagem recuperada com IA

O Comendador José Simões Silvestre foi uma das figuras mais proeminentes da diáspora portuguesa na América do Norte, dividindo a sua vida entre o sucesso empresarial no estrangeiro e o profundo amor à sua terra natal, Barril de Alva .

Emigração e Sucesso no Canadá
Partiu rumo ao Canadá, fixando-se na cidade de Montreal, na província do Quebeque. Ali, afirmou-se como um empresário de sucesso e um cidadão de enorme prestígio, tornando-se uma referência incontornável no seio da comunidade de emigrantes portugueses.

Pioneiro da Imprensa na Diáspora
O seu maior marco histórico foi a fundação do jornal A Voz de Portugal, em Montreal, no dia 25 de abril de 1961 (em parceria com Elísio de Oliveira). Sendo o jornal de língua portuguesa mais antigo a ser publicado no Canadá, a publicação funcionou durante décadas como o principal elo de ligação, apoio e informação para os milhares de compatriotas que ali procuravam refazer a vida.
Apesar da distância, nunca esqueceu as suas raízes.  Individualidade de prestígio  junto dos seus pares, longe da Pátria, o Estado português reconheceu o seu contributo ao país, concedendo-lhe  o título de Comendador.

Em sua honra e como forma de agradecimento , o seu nome ficou perpetuado no Largo Comendador José Simões Silvestre, no coração da sua aldeia natal.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Assinatura do contrato de subcomodato entre a JFCBA / UPBA


Presidentes António Figueiredo, UPBA, e  Paulo Amaral, UFCBA


... com a Vereadora da Câmara Municipal de Arganil, Elizabete Oliveira


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Pormenores da cerimónia, que teve lugar nas instalações da Casa / Museu "Os Barrilenses São Assim" - fotos de  Carlos Gouveia