quarta-feira, 18 de julho de 2012
Urtigal: à imagem da minha infância
sábado, 12 de maio de 2012
Coimbra "nunca vista"
Imagine-se um "puto", após dois exames semelhantes — o da quarta classe e o da admissão ao liceu —, ir de abalada até Coimbra sem nunca ter saído da aldeia. Isto é: os meus passeios, de tão curtos no tempo, não proporcionavam grandes conhecimentos das coisas e dos lugares — passeios desses contabilizei vários, um a Viana do Castelo, por ocasião das Festas de Nossa Senhora da Agonia.
E tinha ido a Lisboa, em tempo indeterminado na minha memória...
Coimbra era um sonho do meu tamanho: pequeno, sem dúvida, mas não deixava de ter a importância da ideia que alguns companheiros das brincadeiras do arco, do pião ou dos futebois, no largo da escola, fizeram florir enquanto eu crescia na idade. Coimbra, aqui tão perto, enfim, era o tudo do muito que sabia existir pela leitura das brochuras publicitárias.
Coimbra era a Universidade, o liceu, a escola técnica — destinos certos para quem, com posses económicas, procurava fontes do conhecimento. E havia o Seminário, que transformava meninos em homens vestidos de preto, bem-falantes, como o padre Januário que, ao domingo, dizia a missa numa linguagem impercetível, exceto o discurso sobre regras e boas maneiras, em nome de Deus e dos Santos. Eu, confesso, sentia alguma atração pelo sacerdócio, ao estilo dos padres Januário e José Vicente, mas preferia desenhar, pintar, retratar — como tentei certa vez ao reproduzir o rosto da avó Virgínia no papel; a boa vontade de quem olhava afiançava semelhanças...
Finalmente, Coimbra!
Primeiro, uma visita rápida à casa situada na rua João Jacinto, ao Quebra-Costas, para conhecer as pessoas com quem iria partilhar o meu novo tempo de estudante, após registo no liceu D. João III; depois, a viagem definitiva para o desconhecido. Entre idas e vindas periódicas à aldeia durante o ano letivo, armazenei aprendizagem quanto baste para me apaixonar pela cidade e pelo estilo de vida dos estudantes.
... E havia o campo de futebol bem junto ao Jardim da Sereia, o Santa Cruz, para onde corria sempre que a ausência de um ou outro professor o permitia; se havia jogo combinado, fazia gazeta às aulas!
Na casa ao lado daquela onde morava havia um lar de raparigas — das crescidas, adiantadas nos estudos. Certa noite, acordei com o som das guitarras; depois, uma voz timbrada de homem feito trouxe aos meus ouvidos uma estranha melodia.
Foi então que descobri uma Coimbra nunca vista pelos olhos da alma de um "puto" de onze anos, nascido e criado na aldeia...
sábado, 5 de maio de 2012
Diligência para Coimbra com retorno
domingo, 29 de abril de 2012
Vitorino Nemésio - "guardião" de memórias
Para os lados de Penacova, no alto da serra da Espinheira, um conjunto de moinhos traz à memória estórias de lutas imaginárias.
Mais real, quanto a beleza do lugar, a luta dos moleiros pela sobrevivência, serra acima, serra abaixo, permite recordações de quem as sabe de cor. Por especial razão, Vitorino Nemésio é "guardião" de memórias
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
“Quem conta um conto, acrescenta um ponto"

Reza a história que, existindo este lugar sem denominação conhecida,certo dia, o rio Alva teve grande cheia. Um moleiro, ao reparar que as águas arrastavam barris de vários tamanhos, pegou numa vara e, com ela, conseguiu tirá-los para a margem.

