sábado, 30 de março de 2019

O sonho que ousei



Sou  avesso à exposição de alfaias agrícolas  e outros objetos enquanto regra, como se o passado estivesse  reduzido ao trabalho rural, de sol a sol.

Todas as aldeias, como a minha, têm uma História que não pode ser contada apenas e só pela visão de um arado, de um ferro de engomar, de um prato recuperado com  agrafos (chamavam-lhe "gatos"!), de um alcatruz, etc, etc - podia continuar a citar objetos usados pelos nossos antepassados, trazendo à memória um pouco da minha infância, repartida pela aldeia e umas quantas visitas a Almada, onde  tinha familiares.
O sonho ocupa-me a mente quando  recortes da "Comarca de Arganil" - com a bonita idade de mais de um século! - ou imagens como a que escolhi para ilustrar esta croniqueta chegam às minhas mãos.  "Lavadeiras" - chamo-lhe assim porque a  fotografia retrata a ocupação de algumas mulheres durante determinado período do verão quando os "senhores do Chiado"  vinham passar férias ao palacete da família Nunes dos Santos, agora em ruinas ( ou  quase…). Acrescento: os fundadores dos Grandes  Armazéns do Chiado, de boa memória, eram naturais daqui, do Barril de Alva, uma aldeia maneirinha nos seus 3,3 kms, bem servida de acessos e de outros pequenos "luxos", que se orgulha do "seu" rio Alva  e de algumas das pessoas  que por cá ergueram obra de relevo, a vários níveis, tendo em vista o bem-estar do povo.
Dos sonhos que, publicamente, ousei publicitar destaco um: fazer da sala Multiusos AIACO, no edifício da antiga escola primária, uma sala de memórias, expondo documentos que permitissem (re) descobrir as nossas origens e "conviver" com os antepassados que, com “engenho e arte” ajudaram  a crescer  a aldeia onde nasci.
Ousar o sonho é “fantasiar” o futuro incerto. Como perdi a “fantasia” de sonhar, passo adiante…
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Croniqueta adaptada do texto publicada em novembro de 2011, com o título “Sala de Memórias” -http://ritualmente.blogspot.com/2011/11/sonho-uma-sala-de-memorias-o-nome-tem.html




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

A Rádio "...mora onde eu moro..." (Antena 1)


Comemora-se hoje "O Dia da Rádio", que teve em Abílio Nunes dos Santos Júnior, filho e sobrinho dos proprietários dos Grandes Armazéns do Chiado, naturais do Barril de Alva,  um dos pioneiros em Portugal.

”P1AA-Rádio Lisboa”


As primeiras emissões de radiodifusão, ainda que experimentais e de uma forma irregular, mas que tinham como meta a regularização, começaram a 30 de setembro de 1924. A estação ”P1AA-Rádio Lisboa”, de Abílio Nunes dos Santos Júnior, começou a transmitir programas que incluíam concertos de música clássica.
Este posto deu início às emissões regulares a 1 de março de 1925, como “P1AA-Rádio 
Portugal”. Pouco depois, Abílio Nunes dos Santos Júnior iria aos Estados Unidos observar o que por lá se fazia na rádio, e para adquirir o melhor e mais recente material existente para estações de radiodifusão.


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Capela





Mouronho - Levantada em 1778,  a capela da "Casa do Desembargador Taborda" conserva uma linguagem barroca / rococó.(...)



sábado, 27 de outubro de 2018

"Deixem passar o Rio Alva"


Deixem passar o Rio Alva. Deixem-no
deixem-no passar.
Com suas aflições, securas, gritos afiados
na garganta.
Deixem passar o Rio Alva. Deixem-no
deixem-no passar.
Com suas pedras cantadas
de queda em queda.
Deixem passar o Rio Alva. Deixem-no
deixem-no passar.
Com suas hortas, batatais e quilovátios
e estrelas correntes.
Deixem passar o Rio Alva. Deixem-no
deixem-no passar.
Com suas trutas bailarinas
no véu de águas finas.
Deixem passar o Rio Alva. Deixem-no
deixem-no passar
entre dedos abertos.

Mário Castrim

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Dia de "Todos os Santos"

A visita de hoje ao cemitério do Barril de Alva foi de mera rotina. Como dei conta que o local está limpo e arrumado, registo o facto  e disso  dou conta na imagem anexa - como se fosse  o "Dia deTodos os Santos", que se recordará daqui a dias,  a  1 de Novembro.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Velhas Árvores


Olha essas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores mais novas, mais amigas.
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem.

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem.

Olavo Bilac







quarta-feira, 30 de maio de 2018

Barril de Alva - obras (2)



Recupero o texto publicado no passado dia 13 deste mês, altero o essencial da notícia e dou corpo  às palavras…
Seria hipocrisia da minha parte, pelo facto de não fazer parte do poder local, se não viesse a terreiro manifestar o meu agrado quanto à continuidade dos melhoramentos tão desejados para  a minha aldeia, o Barril de Alva.
Registo com satisfação o trabalho executado  no Caminho das Medas, depois de anos de peditório junto do executivo da Câmara Municipal de Arganil. Também o Páteo dos Músicos está prestes a vestir “roupa nova”. Mudam-se as pessoas, mudam-se as vontades …
Estas  duas obras trazem à memória  uma outra, conhecida como  “Casa do Gens”. Durante mais de  trinta anos, os  sucessivos executivos da  Junta de Freguesia do Barril de Alva tentaram  alinhar a rua União e Progresso, recuando os limites do edifício, de modo a permitir a passagem de viaturas pesadas sem constrangimentos. No derradeiro ano do mandato da extinta Junta de freguesia, foi possível  chegar a acordo  com a proprietária, e a obra foi executada em 2013  pelo executivo da União de Freguesias.
Quero acreditar que a “Estrada  Nova”, também ela intervencionada com a colocação de novas condutas para o saneamento, terá um novo piso,  como se deseja para  a estrada  principal que vai do Largo do Chiado até ao limite do concelho, depois do cemitério.
… E se não for pedir em demasia, talvez agora seja possível resolver o imbróglio  do que era para ser um polidesportivo, dando-lhe utilidade a condizer.
As decisões, no que ao futuro diz respeito, com dinheiros próprios ou em parceria com a Câmara Municipal de Arganil, estão nas mãos da Junta de Freguesia da U.F. de Coja e Barril de Alva.