domingo, 2 de julho de 2017

Da conheira se fez jardim

... os romanos andaram por aqui


Sabe-se que os povos antigos, designadamente os Romanos e os Árabes, exploraram o ouro no leito e nas margens do Rio Alva.
No Barril de Alva, na margem direita do rio, na Área de Serviço e Pernoita para Autocaravanas, ainda existem milhares de pedras redondas (calhaus) que formam uma CONHEIRA - (…) local onde foram amontoados seixos rolados resultantes do trabalho de exploração mineira do ouro pelos Romanos(…) - “e que muito úteis foram na construção da estrada do Barril para Coja “(António Inácio Alves Correia de Oliveira (AIACO) - “ A Comarca de Arganil”
Pela leitura de inúmeros estudos é possível localizar zonas onde surgem (…) testemunhos das lavarias de ouro em que as terras eram lavadas e as pedras redondas (calhaus) arrumados como escombros (…). 
O semanário “Campeão das Províncias”, na edição do dia 26 Agosto de 2016, com o título “Ouro - Maior área mineira de ouro do Portugal romano encontra-se ao longo do Rio Alva, no concelho de Arganil", divulgou (…) a investigação sobre mineração antiga, efetuada por investigadores do CEAACP da Universidade de Coimbra e do Consejo Superior de Investigaciones Cientificas – Madrid (…), e salientou: (…) Os restos que revelam os trabalhos mineiros de época romana concentram-se no concelho de Arganil, ao longo do Alva, sendo esta área mineira particularmente extensa junto a Coja. Entre os vestígios arqueológicos descobertos também se encontram os de um possível acampamento militar romano (Lomba do Canho).
Jorge de Alarcão refere a exploração mineira do Alva, colocando algumas questões relativamente à época da sua exploração, “Nas margens do rio Alva, entre Vila Cova e a confluência do Alva e do Mondego (…) – Direção Geral do Património Cultural.
Trabalho de excelência foi elaborado pela doutora Carla Maria Braz Martins, da Universidade do Minho, Braga, em 2008, sobre A EXPLORAÇÃO MINEIRA ROMANA E A METALURGIA DO OURO EM PORTUGAL (…) principalmente nas margens do rio Alva (vale de Arganil) - página 45.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Quinta do Urtigal


A primeira referência escrita conhecida sobre a “QUINTA DO ORTIGAL” surge no volume XI da obra “Portugal Antigo e Moderno”, editado em 1886: "o lugar do BARRIL e a QUINTA DO URTIGAL fazem parte da freguesia de Vila Cova de Sub-Avô".
Nesse ano de 1886 começou a ser construída a ponte sobre o rio Alva, inaugurada dois anos depois. A população do BARRIL, com a nova ponte, aumentou e progrediu, como demonstram os censos: no ano de 1900 tinha 500 habitantes, e em 1910, 520.
No dia 25 de Julho de 1924, o Artº 1º do Decreto n.º 1639 determina que (…) seja desanexada da freguesia de Vila Cova Sub-Avô, concelho de Arganil, a povoação do Barril, a qual passará a constituir uma freguesia, denominada
BARRIL DE ALVA
António Inácio Alves Correia de Oliveira (AIACO), conhecedor profundo da História do BARRIL DE ALVA, dizia que os fundadores dos Grandes Armazéns do Chiado, naturais do BARRIL, afiançavam que a QUINTA DO URTIGAL já existia em 1727. Segundo o padre Luís Cardoso, o BARRIL, nesse ano, tinha “… vinte e nove vizinhos“.
Em 1527, o Cadastro da População do Reino, realizado a mando do rei D. João III, refere que o BARRIL pertencia ao termo de Coja e contava 10 fogos.
Sobre o topónimo BARRIL, escreveu AIACO (…): também medieval, derivado de barro e, portanto, de sentido geológico (…). Temos que admitir, também, que o povoamento do Barril de Alva é anterior ao século XII”.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"Mestre Alberto"

O instrumental dançou nas notas da partitura e foi como se um povo inteiro, a plenos pulmões, fizesse ouvir o uníssono das vozes a desenhar a frase: "Mes....tre...Alberto...", começo de um poema  a exigir mais vogais e consoantes para que exista um todo, com principio meio e fim -  eis o que falta à melodia para que possa ser partilhada pelas gentes do Barril de Alva "quando a banda passar"  perto das nossas  emoções.
Domingo passado, no final do almoço dos 119 anos da Associação Filarmónica Barrilense,   o maestro Francisco Ferreira fez da sua obra um presente à família de Alberto Bernardo Simões - alma grande da filarmónica do Barril de Alva.
A homenagem, bonita de ouvir,  levou às lágrimas alguns dos presentes, como se o "Mestre Alberto" (Bernardo Simões) fizesse parte das suas vidas - e faz!
"Mes....tre...Alberto..."!

domingo, 27 de outubro de 2013

O chauffeur que recomendava a alma a Nossa Senhora

Retornei ao Piódão com tempo de sobra para múltiplas paragens antes do almoço, que havia de ser servido no hotel, estrategicamente erguido no centro da paisagem repousante.
O dia tinha imenso sol, o que garantia  excelentes cliques do Lumia  – uma espécie híbrida que não consigo definir: máquina fotográfica digital, que também permite usar o telefone, ou o contrário? Para quem "correu" atrás deste aparelho desde o seu nascimento, as funções que tenho à disposição justificaram puxar os cordões à bolsa…
Antes de escolher o que me interessava guardar na memória do meu “híbrido”, confesso, ganhei minutos deliciosos, a mente a navegar pelo “mar” de (muitos) montes e (poucos) vales, imaginação fértil sobre os segredos do Universo, dos que guarda Moura da Serra às lendas do Piódão - a viagem, apesar de curta, foi a mais extensa de todas desde os tempos em que a estrada tinha mais buracos do que piso direito. Hoje existe uma “auto estrada”, que as viaturas agradecem…
Sendo deslumbrante, a paisagem (estou em tratá-la de forma plural para ficar de bem comigo…) assemelha-se a um decrépito jardim de pedra.
A obra do Supremo Arquiteto do Universo, quando me aproximo de um despenhadeiro, permite avaliar a imensidão dos meus medos: se as vertigens aconselham cuidados e prosseguir a viagem em velocidade reduzida, como se comportarão os passageiros (e o condutor!) de um autocarro?
Já no destino, conheci a estória de um profissional dos transportes públicos que, garantiram-me, permanecia em completa paranoia silenciosa sempre que percorria aquela estrada.
…É de crer que o chauffeur, à chegada e à partida, na igreja do Piódão, recomendava a alma a Nossa Senhora.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Viajar ao centro (1)



Sendo o Barril de Alva uma "porta escancarada" para as serras do Açor e Estrela, a partir da nossa Área de Serviço para Autocaravanas sugere-se um percurso simplesmente FANTÁSTICO!
Tome nota: 
Depois do pequeno-almoço, atravesse a ponte sobre o rio Alva, um quilómetro adiante vire à direita, para a Estrada dos Vales; outro quilómetro percorrido, paragem obrigatória no Miradouro do Barril de Alva (vista soberba!); siga viagem, mais um quilómetro, corte à esquerda para Casal de S.João, continue na direção da Benfeita; a seguir, faça uma pausa prolongada durante a visita (a pé) à Fraga da Pena, regresse à sua viatura e siga um pouco mais até Pardieiros (aqui, para recordar o passeio, compre uma colher de pau, peça artesanal...) e conheça a Mata da Margaraça. Obrigatório parar - percorra sem pressas os labirintos da mata sem receio de se perder. Depois, Monte Frio - mais uma paragem obrigatória para descansar o olhar. Continue a subir. A "páginas tantas", escolha: Fajão ou Piódão - ambos os destinos têm paisagens fantásticas, mas como queremos que regresse ao Barril de Alva, opte pelo Piódão. Visita demorada. Soberbo, não é? Na volta, à saída da aldeia, corte à esquerda para Chãs d'Égua e  descubra a arte dos nossos antepassados; em Foz d'Égua continue atento à paisagem e, a uma velocidade de "10 à hora", descubra o riacho que corre "lá em baixo" e por baixo de uma ponte suspensa! Stop: deslumbrante! Respire fundo, continue "nas calmas", atravesse Vide, continue para Avô (com a melhor praia fluvial da região e, "lá em cima", os restos de um castelo que, diz-se, D. Dinis fez seu...). Continue ao longo do rio Alva para Vila Cova de Alva (5 kms), continue um pouco mais e... vire à direita: Barril de Alva a 1 Km! A sua Área de Serviço fica " logo ali".
Que tal o dia?  

Quem é amigo, quem é?...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"De comer e chorar por mais"


Cabrito Recheado à Moda de Barril de Alva

Ingredientes para 8 a 10 pessoas
  • 1 cabrito com cerca de 3 kg (depois de bem arranjado) ;
  • 1,5 dl de azeite ;
  • 1 cabeça de alho grande ;
  • 2 ou 3 cebolas ;
  • 1 colher de chá de colorau ;
  • 250 g de banha ;
  • sal ;
  • pimenta ;
  • noz-moscada ;
  • 1 dl de vinho branco ;
Confecção:
Corta-se a fressura (miudezas) do cabrito em bocadinhos. Pica-se uma cebola e aloura-se com o azeite. Junta-se a fressura e dois dentes de alho picados e deixa-se também refogar. Tempera-se este guisado com sal, pimenta e noz-moscada e borrifa-se com um pouco de vinho branco. Deixa-se cozer.
À parte, num almofariz, pisam-se uns oito dentes de alho com sal grosso, pimenta e colorau. Junta-se um pouco de banha a esta papa e barra-se com ela todo o cabrito, por dentro e por fora.
Em seguida, recheia-se a cavidade abdominal do cabrito com o picado feito com a fressura e coloca-se o cabrito, ajeitando-o, numa assadeira de barro preto de Molelos. Rega-se com um pouco de vinho branco e introduzem-se ainda no tabuleiro alguns quartos de cebola. Espalha-se por cima a restante banha e leva-se o cabrito a assar no forno até ficar bem louro.
Acompanha-se com salada de alface ou de agriões.

fonte: 
Editorial Verbo  

domingo, 6 de janeiro de 2013

O rio Alva

Na serra mais alta de Portugal continental nasce num murmúrio o Rio Alva, que corre devagar e manso a caminho da foz no Rio Mondego, em Porto da Raiva, perto de Penacova, às portas de Coimbra.
O fio de água transforma-se em ribeiro quase à nascente, mas à medida que recebe suores de outras fontes, depressa se assume como rio pujante de vida, sem quedas ou desvios - os que existem são obra do Homem, que desde sempre usou o caudal para seu benefício, dos moinhos de moagem às “rodas de alcatruzes” que, nos estios,durante semanas, noite e dia, despejavam cântaros de seiva nas levadas e estas, serpenteando, alimentavam os milheirais e outras culturas de ocasião.
O trabalho insano das “rodas” proporcionava imagens muito belas e sons característicos dos movimentos em tono dos eixos. Aqui e além, nos tempos de agora, ainda se vislumbram engenhos do estilo, com a funcionalidade de sempre nuns casos, noutros como mera peça decorativa que regala a vista.
O Rio Alva coloca os seus serviços ao dispor das mini – hídricas, a contento de uns e desagrado de outros…
No entanto, o aproveitamento das suas águas e das várias qualidades de peixes que aí encontram o seu habitat natural é, desde sempre, o maior contributo que presta ao Homem.