sábado, 5 de maio de 2012

Diligência para Coimbra com retorno

Subsídio para a história dos transportes públicos de Arganil

        O meu amigo Abel Ventura Fernandes, através do  Facebook, comentou a imagem que captei algures em Arganil e agora reproduzo. Pela importância do relato, destaco-o com a devida vénia.


Embora sumido, um pequeno dístico fixo no veículo atesta a sua anterior propriedade

"Esta charrete faz parte da história dos transportes públicos, de que Arganil foi pioneira, através da empresa (salvo erro) Eduardo Jorge, mais tarde Empresa Automobilística Arganilense, empresa desaparecida, por ter sido comprada por uma outra empresa dos lados de Pedrógão Grande.  
Esta charrete foi utilizada para transporte de passageiros em viagens entre Arganil/Coimbra e volta, era puxada por 2 cavalos, bestas que eram revezadas em Ponte Mucela, onde a empresa de então tinha uma cocheira para descanso e alimentação dos animais. Tudo isto são coisas que  foram transmitidas boca a boca, quando pertenci a  uma equipa que nos finais dos anos 70 e durante os anos 80, no Grupo Folclórico da Região de Arganil, fez pesquisa e recolhas para o património de danças, cantares e outras tradições desta região. Naturalmente, foram surgindo várias estórias  a que  dedicámos pouca importancia (foi o caso), e não ficou registo, daí  a informação que reproduzo não ser perfeita e completa, terá algumas imprecisões.
Esta pequena diligência foi doada ao G.F.R.A. através da minha falecida mãe (MARILÚ), Mª de Lourdes Mendes Ventura, que era a Presidente do Grupo, pela família,  já falecida,  de Eduardo Jorge e José Jorge. O veículo encontrava-se num barracão de uma quinta, ali para os lados da Alagoa. Na altura,  pensou-se recuperar totalmente  a peça,  não aconteceu...  e assim se mantém  até aos dias de hoje".
Abel Fernandes

domingo, 29 de abril de 2012

Vitorino Nemésio - "guardião" de memórias








Para os lados de Penacova, no alto da serra da Espinheira, um conjunto de moinhos  traz à memória estórias de lutas imaginárias. 
 - E veio Dom Quixote, nas asas  da pena de Miguel de Cervantes, sonhar uma qualquer Dulcineia, que deve ter andado por aqui, disse eu para o João...


Mais real, quanto a beleza do lugar, a luta dos moleiros pela sobrevivência, serra acima, serra abaixo, permite recordações de quem as sabe de cor. Por especial razão, Vitorino Nemésio é "guardião" de memórias





terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

“Quem conta um conto, acrescenta um ponto"


O Moleiro do Barril

Das lendas sobre o Barril (de Alva) que foram passando de boca em boca, escolhemos esta por sugerir alguma coerência.
Reza a história que, existindo este lugar sem denominação conhecida,certo dia, o rio Alva teve grande cheia. Um moleiro, ao reparar que as águas arrastavam barris de vários tamanhos, pegou numa vara e, com ela, conseguiu tirá-los para a margem.
Nesse ano, a produção de vinho foi de tal modo elevada que as pessoas esgotaram o vasilhame e recorreram ao moleiro, com quem fizeram negócio. Por essa razão, passou a ser conhecido pelo "Moleiro do Barril".
Diz-se ainda que o dito moleiro tinha três filhas; depois de casarem, ficaram a viver em três locais diferentes: uma no Casal Cimeiro, outra no Casal do Meio e a terceira no Casal Fundeiro, dando origem às povoações da freguesia
De concreto, não existe certeza sobre a fundação do lugar. Sabe-se que em 1527 o Cadastro da População do Reino, realizado a mando do rei D. João III, referia que o Barril pertencia ao termo de Coja e contava 10 fogos. Em 1727, segundo o padre Luís Cardoso, o Barril tinha "... vinte e nove vizinhos".
Por volta de 1721 já existiam na povoação (ou seriam três pequenos povoados?) as ermidas de S. Simão, S. Aleixo e Santa Maria Madalena.
Das verdades conhecidas, importa destacar a data de 25 de Julho de 1924: a então povoação do Barril assumiu a sua independência política, na sequência do seguinte projecto-lei redigido pelo democrata e antigo ministro da 1ª República, Alberto de Moura Pinto:

            Artº. 1º - É desanexada da freguesia de Vila Cova Sub-Avô, concelho de Arganil, a        povoação do Barril, a qual passará a constituir uma freguesia, denominada Barril de   Alva, ficando as duas freguesias delimitadas entre si pelo rio Alva, afluente do   Mondego.
            Artº. 2º - A freguesia de Vila Cova Sub-Avô passará a denominar-se Vila Cova de          Alva.
            Artº. 3º - Fica revogada a legislação em contrário.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Posso ajudar?

A Mariana trabalhava na Livraria Académica e usava os cabelos compridos.
Perdi o conto às visitas que fiz à livraria, na esperança de ser ela a ouvir os meus pedidos de coisas simples: lápis, borrachas, papel cavalinho, aguarelas...
Quando não estava necessitado de nada, teimava em continuar cliente de leituras, embora curtas. Foi assim que conheci Mário Sá Carneiro, António Botto, Alves Redol e tantos outros autores portugueses
A estratégia era simples: para que a Mariana viesse ter comigo, entrava na loja e ia direitinho à estante das obras menos procuradas. E ela vinha, mesmo depois de se ter apercebido da marosca, com um sorriso malandro.
- Posso ajudar?
Poder, podia, mas a ajuda necessária não tinha nada a ver com esclarecimentos sobre as obras expostas.Talvez se falasse do tempo que fazia lá fora, do "single" musical em voga ou de qualquer coisa que me fizesse ganhar coragem, eu teria saído do canto da minha timidez e declarava-me... "apaixonado"!
A Mariana foi sempre muito profissional no seu papel de balconista e nunca passou do cumprimento de circunstância e da frase sempre igual:
-Posso ajudar?
Eu, como não tinha asas para voar para outras conversas, fiquei cativo da timidez e ela nunca soube da minha "paixoneta"... adolescente.
(Novembro/06)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Tarde de domingo

O Nokia X3 permitiu esta  imagem quando o sol caminhava para o fim da tarde. Sim, é o Barril de Alva,  que se recomenda.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Por causa do frio...

Fora de portas, a noite fria do Natal não convidou a saídas, nem para cumprir a tradição de ficar à conversa em redor do “cepo”, no largo da escola.
Possivelmente, o frio, arrefeceu a vontade da “malta” e ninguém teve apetite para carregar "combustível" suficiente; houve “cepo”, sim, mas ardeu num ápice…
Culpa-se, ainda, o frio pela ausência dos nossos conterrâneos ausentes. Os que vieram, ficaram em bom recato, junto às lareiras – mal se deixaram ver, nem à hora da bica, depois do almoço, logo ontem, que foi domingo…