segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Férias


Apesar do tempo incerto, o fim de semana foi animado no meu sítio, com imensa gente a confraternizar até às tantas da noite no Largo do Chiado.
A esplanada que o João Gouveia instalou no outro lado da rua, proporciona aos clientes do café “Vira Milho” a possibilidade de juntar os amigos em alegre cavaqueira, enquanto as crianças, em total segurança, se divertem no insuflável que diariamente têm à disposição.
Fora de portas continuam as festas de verão, e é por aí que os mais afoitos se “gastam” até acordar a madrugada; alguns dos meus, no uso do direito que lhes assiste, chegaram a casa passava das quatro deste domingo. Ao almoço éramos treze à mesa e as conversas não tiveram conto! Desfilar Memórias é um exercício que me agrada, sobretudo quando partilhadas pelos intervenientes, que sempre juntam pormenores às estórias, tornando-as numa delícia de ementa, com sítios, pessoas e situações como pratos principais, risos e algum gargalhar à sobremesa. Hoje, o almoço foi servido com recordações bonitas e agradáveis - até a Nônô e o Quico, os mais jovens da família, se portaram à altura, nada de “birrinhas”….                                                                        
Daqui a uns dias, tudo volta à normalidade desta “abençoada pasmaceira barrilense”, como escreveu a minha amiga Anabela num mail que me enviou na quinta feira…
Setembro não tarda… e o dia dezassete também não - ainda bem ...para“matar a saudade"!

     Deitar tarde e cedo erguer.....                                        Férias de "luxo"!


                                   

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domingo, 14 de agosto de 2011

Confraria das minis - já!

Croniquetadanoiteemqueobenficaempatou


Há matéria para várias croniquetas e muitas estorinhas; a abundância baralha a imaginação, atrapalha as ideias, e por aí me fico quando a intenção de dar corpo a um texto com mediano interesse (na minha perspetiva, claro…) esbarra na incompetência de alinhavar as palavras.
… Palavra, poucas – não me atreva eu a escrever uma “carta” em branco com denúncias, todas elas associadas à pobreza das festinhas que, nesta época, “animam” os dias/noites de Verão. O “meu querido mês de agosto” merece bem mais do que a cultura tradicional enraizada nos costumes: folclore e bailarico com intérpretes que “desconhecem quem é o pai..." dos sucessos que arranham nos acordes dos instrumentos – das vozes, nem se fala! Felizmente, há exceções que confirmam a regra..
Escrevo com conhecimento de causa. Agora, na “reforma” das grandes viagens, país fora, passeio a solidão do Toyota pelas redondezas e confiro, com pena, que nada mudou na  noite estival, onde incluo as “minis da alegria”, espécie de “religião” com milhares de fiéis seguidores.
Estranho que ainda não houvesse lembrança de uma “confraria”, onde os “confrades” publicitassem as “minis” em gestos rituais – e há tantos, os gestos, com que se confunde o prazer de uma cervejinha bem fresquinha com o exagero de concursos onde não faltam asas à imaginação, ao estilo do caminho mais curto para uma valente bebedeira!
Proponho com urgência o registo no notário da “confraria das minis” – já!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Estorinha de férias




Um dos meus amigos, que está de férias em terras do Alva, fez-me chegar esta delícia de texto, garantindo que, à socapa,  quem o escreveu foi o filho. A imagem, essa surripiei-a  na net para ilustrar a estorinha de um menino triste...


As férias
As férias são uma coisa muito bonita e boa, porque são férias, e as pessoas gostam das férias, eu também gosto das férias, este ano é que não gosto muito das minhas férias porque não me levaram à praia do mar, só vim à praia do rio e eu não gosto da praia do rio, que tem areias do tamanho das pedras, agora, nas férias, não faço nada, não há nada para fazer e eu até ando chateado com as férias, as pessoas que também estão de férias é que não estão chateadas nem nada, acendem as luzes todas das casas e das varandas e até parece que a aldeia das minhas férias, que é onde o meu pai nasceu, já não é uma aldeia, quer dizer, é uma aldeia mas com tantas luzes ligadas não parece uma aldeia pequenina, as pessoas que estão de férias e as outras vão tomar café e ficam lá sentadas, só bebem um café e eu acho que é chato, não sobra uma cadeira para mim e para a minha irmã que ainda é pequenina com cinco anos, eu já sou grande fiz nove a outra semana e o meu pai até me deu uma prenda e tudo, um telemóvel sem letras, é giro, carrega-se com o dedo e pronto, a minha mãe também anda chateada com as férias do rio, este ano não fomos ao Algarve porque os meus pais dizem que há crise em casa, não sei que é isso, mas eu também queria ir para o Algarve, aí é que as férias são uma coisa boa, há muitas miúdas e tudo, aqui não há miúdas, quer dizer, há, mas são poucas, o meu pai deve estar a chegar e vou mas é pirar-me antes que me dê um par de estalos, é sempre a mesma coisa, olha aí vem ele, cheio de férias, eu é que não…

sábado, 30 de julho de 2011

Sonhos do profeta com que me fiz

Guardo a recordação de largos minutos de conversa sem rumo certo, embora o motivo que nos levou à fala fosse de importância coletiva, de toda uma comunidade.

Sem soluções no imediato, limitei-me aos argumentos de ocasião e fui deixando a promessa do meu empenho em levar a bom porto as justas reivindicações das duas senhoras, uma de cabelos da cor da neve, a outra com eles meio grisalhos.


Com a atenção dividida pelas duas, nem dei conta do tempo passar. 

As conversas estavam servidas numa taça  Lalique, como as cerejas à sobremesa; foi por isso que a uma se seguiu outra, e outra, e outra! Desfrutei, pois, o momento que era único - será único, digo eu, porque faço de profeta quanto ao futuro…

Horas depois, agora, noite alta a entrar na madrugada, continuo com a agradável sensação de que, como a Samaritana, que Coimbra canta, ( “… que bem eu fiz, Senhor, em vir à fonte”) , também eu fiz bem em aceitar a conversa “…a las cinco de la tarde”, (apetece-me citar Garcia Lorca pela coincidência da hora e não pelo conteúdo do poema!…) – e vou  trauteando o fado coimbrão, cuja mensagem bem pode ter alguma analogia com o que me vai no pensamento porque uso o adjetivo “plebeu” como identificação do que sou, e associo-o à “redentora” de cabelos grisalhos – não por ser quem é ou pela imensidão do sorriso que redimiu o meu dia, mas pelo efeito circunstancial de me deixar acordado na  sensação agradável…  de um fado!

 Grave, grave, é imaginar que o sono tardará, e quando vier… talvez carregue sonhos do profeta com que me fiz na estória.

 Como tomo umas quantas pílulas para manter o equilíbrio entre a “mínima e a máxima”, o ritmo cardíaco deve estar “normalizado” pela manhã, digo eu, mas nunca fiando!

… Pelo sim, pelo não, uma médica à distância de uma consulta vinha mesmo a calhar!


domingo, 3 de julho de 2011

"Ti" Henriques

Lúcido e caminhante apressado no passo miúdo, o "ti" Henriques é uma das figuras do Barril de Alva com mais anos de estórias para contar, sobretudo do "nosso" rio Alva e do seu moinho, onde os grãos se transformavam em farinha. Se passa por mim, tem sempre uma palavra gentil e simpática para acrescentar ao cumprimento. Desta vez, antecipei-me no gesto da fala:
- "Ti" Henriques, como tem passado? Espere um bocadinho para  lhe tirar uma fotografia; a família, lá em Lisboa, vai gostar de o ver  sorridente, como sempre...
E ficámos à conversa mais uns minutos, ele a lamentar-se  que o chafariz do Casal do Meio quase não deita água, eu a garantir que "vamos resolver isso, "ti" . Henriques".
E lá foi ele, de cajado na mão, saco de serapilheira  ao ombro...

Bailarico de S. João

Por razões que não são das minhas encomendas, o S. João, cá na terra, está a ser festejado este fim de semana e eu, que tenho na minha conta de arraiais uma porção deles, fui somar mais um, não pela saudade, antes pela curiosidade do registo das novidades – do grupo de baile aos foliões.
Depois de um “medley” musical de quinze minutos (para mais, e não para menos!), que incluía os “sucessos” de verão (?) nas vozes de três meninas, (quase) certinhas na coreografia (dois passos para a direita, outros tantos para a esquerda…), entendi dar por findo o arraial, não sem antes ouvir o teclista anunciar que “…íamos ficar com o nosso amigo Fernando Correia Marques”; pausei a passada, porque conheço o Fernando desde o tempo do “Carlitos” e do “Burrito” – lembram-se? Afinal, do FCM nem sinal, rebate falso, do Fernando só a autoria da cantiga, que “não é do meu tempo”, nem de agora, a acreditar nas novidades que ouço de quando em vez na Rádio de Arganil. Apressei o passo e desci a rua…
Sendo “noite de S. João”, esperava eu que o grupo de baile nos brindasse com temas do estilo “S. João bonito”, ou mais brejeiras, embora “sãojoaninas”: “No S. João / não andes à noite nas Fontainhas / deixa essas festas grandes / que eu faço-te umas festinhas”, mas não: as meninas, a solo e em coro disseram qualquer coisa sobre o “espingardão” de um militar e de um “buraquinho”, e "ameaçaram": “ ou me dás o que eu quero ou salta-me a tampa”! Veio a Julieta à baila, “... eu tratei-te por Romeu “ - disse uma das meninas, que confidenciou: “ deste-me uma nega…”.
Deixei o largo do coreto no preciso momento em que a voz da menina repetia o refrão: “deste-me uma nega…”, edecetra e tal” – e mais não percebi, mas a quadra era malandreca, como as outras, estão na moda, como sempre estiveram, ora leiam: “ Meu amor, teu alho-porro / namora o meu manjerico / quando se beijam sem gorro / que sobressaltada eu fico”.
Olhei para trás de soslaio – ninguém dançava, mas o balcão do bufete tinha clientes e uma criança, pelo preço de um euro, levava nas mãos a sorte de uma rifa.