domingo, 3 de julho de 2011

"Ti" Henriques

Lúcido e caminhante apressado no passo miúdo, o "ti" Henriques é uma das figuras do Barril de Alva com mais anos de estórias para contar, sobretudo do "nosso" rio Alva e do seu moinho, onde os grãos se transformavam em farinha. Se passa por mim, tem sempre uma palavra gentil e simpática para acrescentar ao cumprimento. Desta vez, antecipei-me no gesto da fala:
- "Ti" Henriques, como tem passado? Espere um bocadinho para  lhe tirar uma fotografia; a família, lá em Lisboa, vai gostar de o ver  sorridente, como sempre...
E ficámos à conversa mais uns minutos, ele a lamentar-se  que o chafariz do Casal do Meio quase não deita água, eu a garantir que "vamos resolver isso, "ti" . Henriques".
E lá foi ele, de cajado na mão, saco de serapilheira  ao ombro...

Bailarico de S. João

Por razões que não são das minhas encomendas, o S. João, cá na terra, está a ser festejado este fim de semana e eu, que tenho na minha conta de arraiais uma porção deles, fui somar mais um, não pela saudade, antes pela curiosidade do registo das novidades – do grupo de baile aos foliões.
Depois de um “medley” musical de quinze minutos (para mais, e não para menos!), que incluía os “sucessos” de verão (?) nas vozes de três meninas, (quase) certinhas na coreografia (dois passos para a direita, outros tantos para a esquerda…), entendi dar por findo o arraial, não sem antes ouvir o teclista anunciar que “…íamos ficar com o nosso amigo Fernando Correia Marques”; pausei a passada, porque conheço o Fernando desde o tempo do “Carlitos” e do “Burrito” – lembram-se? Afinal, do FCM nem sinal, rebate falso, do Fernando só a autoria da cantiga, que “não é do meu tempo”, nem de agora, a acreditar nas novidades que ouço de quando em vez na Rádio de Arganil. Apressei o passo e desci a rua…
Sendo “noite de S. João”, esperava eu que o grupo de baile nos brindasse com temas do estilo “S. João bonito”, ou mais brejeiras, embora “sãojoaninas”: “No S. João / não andes à noite nas Fontainhas / deixa essas festas grandes / que eu faço-te umas festinhas”, mas não: as meninas, a solo e em coro disseram qualquer coisa sobre o “espingardão” de um militar e de um “buraquinho”, e "ameaçaram": “ ou me dás o que eu quero ou salta-me a tampa”! Veio a Julieta à baila, “... eu tratei-te por Romeu “ - disse uma das meninas, que confidenciou: “ deste-me uma nega…”.
Deixei o largo do coreto no preciso momento em que a voz da menina repetia o refrão: “deste-me uma nega…”, edecetra e tal” – e mais não percebi, mas a quadra era malandreca, como as outras, estão na moda, como sempre estiveram, ora leiam: “ Meu amor, teu alho-porro / namora o meu manjerico / quando se beijam sem gorro / que sobressaltada eu fico”.
Olhei para trás de soslaio – ninguém dançava, mas o balcão do bufete tinha clientes e uma criança, pelo preço de um euro, levava nas mãos a sorte de uma rifa.

domingo, 5 de junho de 2011

Recanto

 O rio  Alva corre  a dois passos  do barril em granito, símbolo da Freguesia, que  "insiste" em alindar-se ...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

"De modos que... "

Diz a Rosa:
- O Gonçalo foi jogar futebol e  levou com  uma raquete de pingue-pongue nos lábios!!!
Diz a Rita Nunes:
- Então... são vinte e uma broa!
A Rosa, claro, queria dizer que  o meu "sobrinho", enquanto jogava pingue-pongue durante o intervalo do jogo da bola, levou   uma pancada com a raquete.
A Rita, na pastelaria, somou aos vinte "papo-secos" da encomenda, uma broa...
A Manelinha  Sinde Filipe, durante o tempo em que esteve na Farmácia, em Coja, cuidou em guardar "pérolas" do nosso falar, rico de cambiantes como se sabe, e  tornou-as públicas   em  "Estórias que fazem a historia" - vale a pena ler!
Quem tem material de sobra para  apresentar, é a Rosa, que anota(va) as graciosas liberdades de expressão dos clientes..
Um dia destes publico  mais dizeres apressados  (se a Rosa não o  fizer primeiro...), que fazem  sorrir, outros gargalhar, depois  de "apanhados" ...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Moinhos de vento

Na "minha serra" há   novos moinhos de vento, quem sabe à espera de outro  Dom Quixote para os guerrear...
Da  janela deito o olhar sobre o progresso no cocuruto do "Monte do Colcurinho", onde  não descubro a capelinha, lugar de culto de muitas  orações, mas vejo, nitidamente, os gigantes que "ameaçam tocar as nuvens".
A paisagem, vista lá do alto, é soberba - o Piódão, do outro lado,  deita-se na encosta,  a serra a subir... a subir... e o vento, ai o vento.... como canta!
Estou a muitos quilómetros do horizonte que  contemplo da minha janela - parece que é "mesmo ali"  o começo do mundo!