Choveu, depois o sol espreitou e acenou com a primavera, que não tarda...
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
A lenda do rio Alva
A localidade de Pombeiro da Beira tem na sua história uma disputa entre três rios, o Mondego, o Alva e o Zêzere, todos nascidos na Serra da Estrela. Estes três rios envolveram-se um dia numa grande discussão sobre quem seria o mais valente e acertaram numa corrida que esclareceria a questão: quem chegasse primeiro ao mar seria o vencedor.
O Mondego levantou-se cedo e começou a deslizar silenciosamente para não atrair as atenções. Passou pela Guarda e pelas regiões de Celorico, Gouveia, Manteigas, Canas de Senhorim e pela Raiva, onde se fortaleceu junto dos ribeiros seus primos, chegando por fim a Coimbra.
O Zêzere, que estava atento, saiu ao mesmo tempo que o seu irmão. Oculto, por entre os penhascos, foi direito a Manteigas, passou a Guarda e o Fundão, mas logo depois se desnorteou e, cansado, veio a perder-se nas águas do Tejo.
O Alva passou a noite a contar as estrelas, perdido em divagações de sonhador e poeta. Quando acordou, era já muito tarde mas ainda a tempo de avistar os seus irmãos ao longe.
Tempestuoso, rompeu montes e rochedos, atravessou penhascos e vales, mas quando pensava que tinha vencido deparou com o Mondego, no momento que este já adiantado chegava ao mar. O Alva ainda tentou expulsar o seu irmão do leito, debatendo-se com fúria e espumando de raiva, mas o Mondego engoliu-o com o seu ar altivo e irónico.
Este lugar onde os dois rios lutaram ficou para sempre conhecido como Raiva, em memória da contenda entre os dois irmãos.
...
domingo, 6 de fevereiro de 2011
"Pinturas"
A aldeia envelhece com as pessoas que guardam memórias das casas em ruinas; à minha volta são três, paredes nuas, portas e janelas sem guarnição, portões de ferro carcomidos pelo tempo. Com paciência e o "segredo" da Canon, "pintei" as reliquias das casas da Ludovina, do "ti Zé" Simão e da "dona" Aninhas.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
A propósito do prédio cor de rosa...
O Carlitos
Andei a vasculhar o baú das memórias, encontrei “isto”, vê-se o prédio, no Barril de Alva, se bem me lembro pujante de vida durante os meses de verão.
O Carlitos teria uns sete, oito anitos, não mais…
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
O prédio cor de rosa
Ex- libris do Barril de Alva
Mil vezes retratado, o prédio da família Nunes dos Santos continua a olhar a Serra do Açor, namora a Estrela e, em dias de sol brilhante, sorri para o Caramulo, que não "vê"...
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Croniqueta
Rir faz bem à saúde
Os tempos vão maus, demasiado maus, queixamo-nos em grupo, carpimos mágoas, unidos, juntinhos, como os pinguins no Árctico para suportar melhor as tempestades.
Os sorrisos são quase nenhuns, vive-se, sobrevive-se, não há humor de gargalhar, nem na TV; para além do Herman José, sobram graças do Fernando Mendes no “Preço Certo” – é pouco.
Não somos um povo alegre, mesmo no Carnaval “abrasileirado”, que está por dias, mas temos queda para associar estórias ao anedotário nacional, mesmo agora, em tempos de crise. Valha-nos isso!
Não somos um povo alegre, mesmo no Carnaval “abrasileirado”, que está por dias, mas temos queda para associar estórias ao anedotário nacional, mesmo agora, em tempos de crise. Valha-nos isso!
O meu amigo alentejano Davide (com "e" no fim…), com sotaque a preceito, é excelente contador de anedotas; algumas têm “barbas”, mas como faz a festa por inteiro, do princípio ao fim, sempre a rir e com gestos largos (é um homem sem “crises” - será?), as piadas cheiram a novo. O jeitinho para actor é inato; se eu “mandasse”, fazia do Davide um profissional à altura da melhor concorrência do Stand Up Comedy nacional!...
Não é por nada – minto, é por causa das crises! – mas estamos necessitados de sessões de humor que aliviem a penúria da tristeza, mas não há volta a dar ao estado dos sorrisos. Convenhamos, em suma, que rir faz bem à saúde e, li há pouco, pode ajudar a curar certas doenças e aumentar a esperança média de vida, o que é óptimo, a não ser que a pessoa com vontade de viver mais uns anitos esteja às portas da reforma; nesse caso, fique a saber que os pensionistas vão perder um quinto da dita (reforma) até 2050 – quanto maior for a esperança média de vida, menor será o valor da reforma!
Perante factos, quem tem vontade de sorrir, rir ou gargalhar?
Nada a fazer, é assim” e… pronto.
Resta o exercício de “estar vivo”, que, só por si, já é uma “dificuldade” que nem sempre temos capacidade para gerir a contento.
…Com urgência, tenho de localizar o meu amigo da Amareleja!
...
Adaptação da crónica: " O amigo alentejano" - in "Correio da Beira Serra" - Janeiro/09
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Estórias antigas
Os filósofos da bica e alguns “entendidos da matéria”, entre duas “imperiais”, especulam de forma brejeira (sem necessidade, digo eu…) sobre a idade de cada conviva, e não é de admirar um “puto de quarenta” dizer a outro, na mesma faixa etária, que está a ficar “velho”, ou já lá mora, quando ela, a velhice, se faz anunciar com uma simples e fugaz enxaqueca, por exemplo, ou se determinado “jovem” assume cansaço físico depois de uma noite de pândega. (Há indícios bem mais aborrecidos, e desses quero distância, nem os “enuncio”!).
Depois, há sempre um ou outro, de conversa mais séria na aparência (rosto fechado, voz timbrada, palavras eruditas…), que afirma ser a velhice coisa natural! Um deles chegou a encadear uma ladainha, que começou na concepção da vida e terminou…na “terceira idade”.
Na verdade, a contagem decrescente pode ser contabilizada a partir do momento da fecundação, mas imaginar uma criança daí a uns bons e largos anos, no tempo do ocaso da sua existência, não é ideia que se tenha, sobretudo quando os mais pequenos nos brindam com gestos de inocência e/ou palavras de excelsa ternura, deduções lógicas e inteligentes na curiosidade – momentos de espanto e admiração que guardamos na caixinha das memórias como autênticas relíquias.
A Margarida contou-me que o infante Guilherme só come peixe se este lhe aparecer no prato, inteiro, da cabeça ao rabo; de resto recusa-se a ingerir qualquer posta de “peixe mutilado”, que é como quem diz, na sua imaginação, retalhado aos pedaços, grandes ou pequenos. Mas do que o Guilherme não gosta mesmo nada é de “morangos mortos”, ou seja: iogurtes onde apareçam bocadinhos daquele fruto.
Uma vez, um dos meus filhos, o Carlo, resolveu semear um caroço de laranja num dos vasos com plantas, que ornamentavam a entrada do prédio onde habitávamos; a sua maior preocupação era, no futuro, o crescimento da árvore e os frutos que haviam de nascer; certamente os vizinhos iriam “roubar as suas laranjas” , e isso não admitia!...
Enfim, “estórias” que Fernando Pessoa por certo quis retratar de forma sublime quando escreveu que o “melhor do mundo são as crianças”!
“Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças…”- disse ele.
(...)19.03.09 / Ritualidades
Subscrever:
Mensagens (Atom)


