domingo, 12 de dezembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
UM DIA (QUASE) PERFEITO
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| "...À sobremesa, fez-se silêncio porque o som de vinte e poucos talentosos intérpretes muito jovens - o maestro idem - era fantástico, harmoniosamente perfeito..." |
Desço à cozinha, o café acabado de fazer tem o sabor das variedades Arábica e Robusta, segundo o rótulo. O cheiro intenso agrada-me; bebo o bastante para acompanhar duas torradas.
Volto ao 1º andar, preparo um banho bem quente, coloco o chuveiro a jeito e “mergulho” em dezenas de fios de água!
O rádio portátil, peça indispensável de todas a manhãs, dá-me música sem palavras. Gosto da melodia que vem do solo do piano, a sobressair de outros sons…
Apresso-me com a roupa. Coisa rara: hoje usarei gravata!
Volto a descer as escadas. Na mesa da cozinha, uma rosa em botão e um cravo cor de vinho tinto. A mãe, com sacrifício no andar, abeirou-se das plantas que insistem em brindar-nos no Outono com flores e colheu duas: a rosa cor-de-rosa e o cravo cor de vinho tinto.
Beijei a mãe Natália – parabéns, disse eu, por ser mãe, mas quem acrescentava mais um ano aos restantes era eu. Quantos? Muitos! Sorrimos os dois…
Havia festa na Banda do Barril de Alva, que comemorava 116 anos! O almoço prometia ser surpresa, não pela ementa, mas pelo modo como seria confeccionado: os ingredientes colocados em panelas de ferro e estas no lume da fogueira, à "moda antiga", do tempo em que poucos possuiam fogões a gás …
Centena e meia de pessoas - para mais, não para menos! – e eu na lista dos convidados pela inerência de um cargo público que tento desempenhar na medida das minhas virtudes; sendo poucas, faço o que posso (lá vem a lembrança de Torga: "quem faz o que pode, faz o que deve"...).
Canja de galinha e cozido à portuguesa. Confirmam-se os dizeres das cozinheiras: comida assim, só no tempo dos nossos avós e aqui na Beira Serra, que é onde melhor se misturam os paladares da canja, do cozido, do arroz doce, da tigelada, do cabrito “à moda do Barril de Alva” (procurem no Google…), do bucho “à moda de Vila Cova” e mais e mais…
Vinho da região, não aprecio. O Armando trouxe um “alentejano de 1985” de estalo! Se a garrafa tivesse sido aberta pelo menos uma horinha antes… – comentei para a vereadora da cultura, sentada à minha direita. Bebericámos o suficiente, nem de mais nem de menos. Na hora dos discursos, cada um deu o seu recado, seguros e aprumados nas palavras.
No palco, por detrás das cortinas, os músicos da FILARMONIA de Lobão, Santa Maria da Feira, afinavam os instrumentos de forma suave…
À sobremesa, fez-se silêncio porque o som de vinte e poucos talentosos intérpretes muito jovens - o maestro idem - era fantástico, harmoniosamente perfeito.
Entre outros estilos, peças musicais dos grandes mestres do jazz e dos blues – como se fosse num sonho e num outro sítio, do outro lado do mundo!
”My Way”! Só falta o Frank Sinatra para adoçar ainda mais a melodia – comentei com a doutora Paula Dinis, que continuava sentada à minha direita, tão embevecida quanto eu com o concerto…
A meio da tarde, pensei que o dia de Domingo seria magistral… antes de acabar!
Erro meu, ”má fortuna” nos meus desejos, cilindrados por cinco golos de um dragão que chispa labaredas.
… Não fora isso e o meu dia de domingo tinha sido… quase perfeito.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
"Amola-tesouras"
sábado, 16 de outubro de 2010
Por favor, sorriam...
Em Maio de 2008 "roubei" esta delícia de texto e publiquei-o no "Ritual".
- Por favor, sorriam e... comentem!
...."Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto montanhoso? ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? ou cuantas estrofes tem um cuadrado? ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã? E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os lesiades', q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah. Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver??? O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. tarei a inzajerar?"
domingo, 10 de outubro de 2010
Outono com cores de Primavera
Acordei cedo depois de uma noite com chuva intensa.Olhei pela janela e vi as cores do arco íris mais brilhantes.Decidi sair e participar da festa.
O "meu" rio vai grosso, negro e mal cheiroso; no Urtigal, arrancou a ponte das costuras
e deixou um vazio na paisagem - apenas um contratempo, não um problema - na próxima Primavera, voltará a passagem para a outra margem ( há sempre uma primavera no outono de cada um de nós e uma passagem para a outra margem...).
terça-feira, 28 de setembro de 2010
A emoção de ter inveja - parte II
A Graça é uma das amigas de quem tenho saudades, sobretudo do tempo em que, ao final da tarde, depois de um dia de "engenharias" ao serviço do PDM do municipio de Oliveira do Hospital, vinha ao meu "Ritual" (bar) tomar o seu chá. Chegava quase sempre de sorriso bonito a enfeitar o rosto ( igualmente bonito...) e trazia, por norma, tema de conversa interessante; por altura das férias, comentavamos os ( seus ) eventuais destinos, por isso dediquei-lhe uma das minhas croniquetas, que fiz publicar no "Correio da Beira Serra" de boa memória.Agora, há poucas horas, "provocou o meu lado invejoso" numa breve mensagem: estive de férias na China e no Tibete!!!
Imaginem ... por onde andou a Graça!
Vai daí, para fazer fé da minha (renovada) "inveja", decidi republicar a croniqueta de outros tempos com ligeiras alterações e dedicatória personalizada à Graça, com " os olhos em bico", e ao casal João Luís / Rosa Maria, "feitos" descobridores do Etna em viagem por mares "antes navegados".....
Alguns dos meus amigos estão de férias e a minha inveja é proporcional à qualidade imaginária das ditas, isto é: se o destino foi a Figueira, vá que não vá; Algarve, eriçam-se os cabelos, se foram de abalada até Punta Cana e arredores, começo a ficar vermelho, mas quando me chegam notícias da velha Europa, do tipo: “olá, por aqui está tudo bem, estou a jantar em Varsóvia (…), a passear por Riga (capital da Letónia, imaginem!) …”etc e tal, chispo labaredas!
Alguns dos meus amigos estão de férias e a minha inveja é proporcional à qualidade imaginária das ditas, isto é: se o destino foi a Figueira, vá que não vá; Algarve, eriçam-se os cabelos, se foram de abalada até Punta Cana e arredores, começo a ficar vermelho, mas quando me chegam notícias da velha Europa, do tipo: “olá, por aqui está tudo bem, estou a jantar em Varsóvia (…), a passear por Riga (capital da Letónia, imaginem!) …”etc e tal, chispo labaredas!
A inveja é um tipo de sentimento interessante, estou de acordo com Rui Zink, escritor de mérito - que aprecio por certa linguagem desabrida - porque quando existe, a inveja, é sinal de que ambicionamos o mesmo que o parceiro do lado: emprego “fixe” e bem remunerado, talvez um carrinho com motor, mais actual, mesmo uns dias de férias em paragens de puro exotismo panfletário, por exemplo….
Diz o escritor: “…Calar uma emoção tão salutar como a inveja, que é o desejo de estar melhor (e não necessariamente o desejo de o outro estar pior), leva a quê? Ao sufoco, à castração emocional…” – uff, nem mais!
A partir deste “elogio”, alguém se atreve a condenar uma das minhas invejas, por mais pequenina que seja?
Haverá outras “invejas” que não são próprias de gente de bem, mas enfim...
Ora, a minha inveja, perfeitamente assumida, não é incomodativa, apesar de tudo, e como não faço uso dela, fico-me pelas raivinhas, igualmente invejosas e assumidas, sobre as viagens, passeios e visitas turísticas dos meus amigos.
Bom, falava de férias e da inveja que me corrói as entranhas pelo gozo com que os meus amigos ostentam o tom moreno trazido da praia - praia para mim é uma chatice: areia em demasia, água salgada, ondas revoltas, sol, muito sol… calor! Praia de jeito é a que tem esplanadas, mesas e cadeiras confortáveis, cervejinhas bem frescas, e, já agora, uns camarões grelhados para desenjoar da bebida; se houver mar calmo e o reflexo da lua nas águas vier acompanhado do romantismo de companhia agradável e gentil, tanto melhor……
Recordo que o ano passado, por esta altura, sofri da mesma maleita; dados os factos passados e presentes, acho que sou portador de um “vírus crónico” que não se dá nada bem com este tempo… de férias.
-“Hoje estou em Tallinn ( capital da Estónia)” e estou a adorar… – escreve a Graça, para me “irritar”, só pode.
Quando voltar, há-de contar tudo, tintim por tintim…
(... Desta vez quero ouvir o que a Graça aprendeu a dizer em... chinês - convidei-a para um chá sem "segredos"...)
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Chã da Cabeça, Cepos : “ABERTO NAS NUVENS”
Deixo o Pavilhão de Chã da Cabeça ao começo da tarde e sigo, estrada fora, na direcção do centro dos Cepos, onde não ia há imenso tempo.
Atento ao horizonte, não viro à esquerda, na direcção de Arganil, sigo em frente, a rua parece-me larga, mas logo estreita, e fico sem a certeza de conduzir o meu carro “são e salvo” até ao largo, junto à Igreja.
Com alguma paciência e um pouco de jeito, cheguei ao destino, não sem antes conseguir o milagre de riscar o pára-choques apenas uma vez - coisa de pouca monta -, e não será este pequeno contratempo a afastar-me dos Cepos; mais dia, menos dia, volto ao Chã da Cabeça.
Olhar do cimo do monte o vale do Ceira e perder o olhar no horizonte, recortado pelos novos moinhos de vento, é um exercício emocional que há muito não praticava. Esta espécie de viagem ao “interior de mim”, com as portas da alma abertas de par em par, só teve semelhança a uma outra, há cerca de um ano, quando o João Luís me levou ao alto do Colcurinho. Sorte a minha por ter subido duas vezes num ano acima das nuvens, neblina para outros – nuvem ou neblina, que importa?, o manto era branco e estava suspenso sobre o vale...
(Surripiada na net)
Chã da Cabeça reserva-nos esta imagem de beleza impar, sem intervenção humana para dourar o olhar, mas oferece bastante mais, graças ao sonho de quem imaginou o “espaço aberto nas nuvens” como um recanto do “paraíso na terra”. A piscina - sim, a piscina! -, embora com serventia limitada no tempo, é um pólo de atracção, a ter em conta, mas as atenções de quem chega pela primeira vez vão por inteiro para o excelente pavilhão multiusos enquadrado na paisagem, que se contempla do interior de qualquer ângulo. O parque merendeiro e o recinto para a prática do futebol completam a oferta turística de Chã da Cabeça que, além do mais, está conservado e esteticamente arrumado no seu todo.
A Assembleia Municipal de Arganil de sábado, dia 25 de Setembro, teve lugar nos Cepos. Foi por ela que subi ao monte mais alto da freguesia pela primeira vez, e ainda bem…
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