sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Recanto

Mil vezes reproduzida em imagens, captadas dos mais diversos ângulos, a ponte sobre o Alva, aqui no meu sítio, espreita um "novo olhar" de quem  a vê - como é o caso deste "clique" a meio da tarde.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O brinquedo de corcódea

(Imagem surripiada na Internet)
À sombra do meu gostar.
Era  uma quinta enorme, com terreno de cultivo bordejado de macieiras.E tinha uma casa de arrumos onde guardava as minhas construções de corcódea; a última foi uma miniatura de um carro - de -bois ( o transporte da época para o renovo da quinta, onde se "dava de tudo", como se fala por aqui...).
Em fevereiro de um ano, as terras estavam de pousio e eu também, sem grandes quereres nos meus onze anos, mas fui de livre vontade até onde o navio me deixou, quase um mês depois do adeus a Lisboa.
Lourenço Marques era  uma cidade linda, tão linda que me prendeu nos seus encantos - ainda morro de amores por ela!
Um dia, homem feito, regressei ao meu sítio e voltei à quinta, de visita...para procurar o meu carrinho de corcódea com duas rodas minúsculas e umas figurinhas que em nada se assemalhavam a animais de carga, ainda por cima sem chifres - lembro-me muito bem do feitio da minha "escultura"!
Tinha a certeza de que a deixara numa prateleira, ao alcance da mão...mas a prateleira estava vazia!
...Regressei há minutos de nova viagem à quinta abandonada, onde agora crescem pinheiros bravos...
Da casa, duas meias paredes e, aberta numa delas, a prateleira "guarda a alma" do meu brinquedo...
"Amén"
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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Urtigal


Junto da bica água cristalina
Às torrentes impuras a caminho do Mondego.
Faço da nova ponte mirante da paisagem
E poetizo para dentro de mim:
- É belo o Urtigal!
Ramos Vilaça

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Barril de Alva: outros tempos, a beleza de sempre

Não há dia, mês ou ano para situar esta saudade que, acima de tudo para os entrados na idade, lembra as agruras de outros tempos.Que era muito belo o cenário, ninguém discute...

sábado, 29 de maio de 2010

Como se fossem dois adolescentes

Volto ao "Ritual" de muitas memórias, como esta, autêntica,
que conto vezes sem conta,
como se fosse um conto
que se conta
sem acrescentar um ponto.
A meio da tarde, no bar, havia mesas livres; o casal entrou, escolheu uma delas, olharam os dois em redor e, instalados, pediram que lhe servisse duas bebidas.
Os olhares perdiam-se pelas paredes, onde estavam exposta pinturas do Wild de Wildt, Rui Monteiro e Alberto Péssimo; a. música ambiente aconchegava o sossego do momento e o tom das suas vozes era suave.
Tocou um telemóvel, a senhora atendeu, levantou apenas um pouco a voz e falou em francês, expedita, de forma alegre. Repetiu por três vezes merci, e continuou, veloz, na articulação das palavras – sinal de que, para si, a língua de Nicolas Sarkozy lhe era familiar…
O cavalheiro, entretanto, inquire sobre o espaço: é público, não? Respondo afirmativamente. Sabe, acrescenta, como tem um estilo completamente diferente do habitual, a minha esposa deduziu que fosse um “clube privado”. Em traços largos, explico que o comércio das bebidas era um pretexto para algumas actividades culturais - a exposição que tinham à sua frente era um exemplo disso mesmo.
Terminada a conversa, foi a vez da senhora parabenizar os autores das obras expostas e quem tivera o arrojo de colocar de pé o espaço como se apresenta.
Agradeci a generosidade do que foi dito.
Pergunto se estão de férias por estas paragens. Responde a senhora: de férias já estamos há imenso tempo, somos reformados, e viemos de Leiria passar uns dias a esta região, que desconhecíamos em absoluto, pernoitamos na Pousada do Convento do Desagravo e durante o dia damos uns passeios por aí. É muito lindo, tudo aqui à volta, a serra, tudo!
O encantamento do olhar, transmitia alegria, satisfação, prazer, felicidade na forma mais pura – que sei eu desse sublime sentimento?
Sempre de sorriso nos lábios, desenhados num rosto de enorme beleza, disse ao que vieram em concreto, desvendou o segredo, enquanto o marido, talvez um pouco envergonhado, olhava terno e meigo a “jovem” e bonita esposa: faço hoje oitenta anos, e o meu marido presenteou-me com este magnífico passeio.
Oitenta?
Não, não imaginava aquela figura esbelta, meã na altura e aspecto prazenteiro com uma mão cheia de “viçosas primaveras”, muito próxima do centenário que, acrescentei, por certo irá comemorar…
Pedi licença por breves segundos, saí, fui à florista Clara, logo na esquina, comprei uma rosa (que não paguei, por que a Clara conhece de longe o meu “vício” por flores e partilha comigo a sensibilidade do belo, e volta não volta tem destas delicadezas…), e com o meu melhor sorriso ofereci-a à bonita senhora – apenas uma lembrança com que procurei honrar o seu aniversário e o amor do casal
…Fiquei com a sensação de que a rosa vermelha “ganhou vida própria” e um “rosto” – “um dos olhinhos sorriu, atirou-me uma piscadela” e eu fiquei a ver o casal, de mão dada, rua acima, como se fossem dois adolescentes apaixonados.

sábado, 8 de maio de 2010

Exposição de Pinturas

De 6 a 28 deste mês, Octávio da Cruz Rodrigues, barrilense pelo coração, definido no catálogo como "... um pintor de raizes populares, um autodidacta que divide a sua arte entre o desenho, aguarela e pintura a óleo, tendo nesta última a sua grande paixão...", expõe na Sala Guilherme Filipe, no Museu de Arganil, vinte uma obras, entre acrílicos e óleos, a merecerem especial atenção, sobretudo dos barrilenses ...

A arte de Octávio Rodrigues retrata com mestria algumas figuras da nossa freguesia, sítios e monumentos. A exposição, initulada "Da Beira-Mar à Beira Serra", é uma "junção das duas partes da vida do artista, que encontrou no Barril de Alva e nas suas populações uma fonte de inspiração inesgotável..." - refere a brochura da exposição.

Brevemente, o artista fará uma mostra da sua arte na "Sala Multiusos", na nossa Freguesia.